Laje de Subpressão e Impermeabilização

Publicado em: 28/03/2023

Em uma obra com subsolos mais profundos do que o nível do lençol freático do terreno natural, a estrutura das paredes de contenção e das lajes de fundo estarão sujeitas à pressões hidrostáticas presentes no solo saturado. A laje inferior dessa estrutura, que está em contato com o solo, recebe o nome de laje de subpressão. Essa laje deverá ser estanque e impermeável à passagem da água e seus vapores, assim como as paredes e estruturas verticais de contenção do solo, que estiverem a abaixo do nível do lençol freático e, ou até mesmo sob a influência de aquíferos; ver exemplo na Figura 1 abaixo.

Fotografia ilustrativa de obra
Figura 1 – Fotografia ilustrativa de obra (Fonte Google)

Uma das primeiras soluções da engenharia, que já entrou em desuso, por causar danos ambientais e, danos em fundações de obras vizinhas e, alto custo de operação e manutenção ao longo da vida da obra, foi o rebaixamento permanente do nível de água do solo, o que por sua vez, levou à necessidade de se projetar lajes de subpressão estanques, impermeáveis, duráveis e viáveis economicamente, levando-se em conta, os custos de manutenções futuras e por conseguinte, o custo-benefício da edificação ao longo da sua vida.

O projeto da laje de subpressão deve levar em conta, basicamente as disciplinas de geotecnia, dimensionamento estrutural, arquitetura e impermeabilização, dentre outros necessários à compatibilização das soluções, para se conseguir uma obra sem os efeitos da ação deletéria da água à estrutura, bem como ao ambiente interno e revestimentos da edificação, para que os usuários tenham salubridade e conforto.

Definido o projeto de estrutura, que deve estar compatibilizado com o projeto de impermeabilização da obra, há de se planejar as etapas de concretagens e de impermeabilização, que devem ser executados por equipes de mão de obra capacitadas, bem como, fiscalizados com controles tecnológicos específicos, por profissionais habilitados.

O traço do concreto deve ser estudado previamente, rodado e testado em laboratório e, validado em concretagem teste na obra, antes do início da obra, para ter comprovadamente resistência, plasticidade e impermeabilidade compatíveis com as exigências do projeto estrutural, para se conseguir estanqueidade e impermeabilidade, características essas, que variam de obra para obra, de acordo com as necessidades específicas que foram compatibilizadas na fase de projeto.

Via de regra, o traço do concreto é dosado em atendimento a Vida Útil do Projeto – VUP, do projeto estrutural, que leva em conta a durabilidade da estrutura em função da agressividade ambiental e fissuramento; a carta traço do concreto deve ser composta com cimento de baixo calor de hidratação, microssílica ativa, aditivo cristalizante redutor de permeabilidade, aditivos para se conseguir um baixo fator água cimento e conferir ao concreto plasticidade e homogeneidade necessárias a aplicação, além de levar em conta estudos dos agregados em relação à reação álcali agregado.

Contudo, a aplicação do concreto na obra, precisa de cuidados de lançamento, adensamento e cura; mesmo assim, esse procedimento executivo deixa juntas frias de concretagens, planejadas ou não, que são inerentes à metodologia construtiva, além de poder existir juntas de dilatação estruturais que precisam ser tratadas, seladas e impermeabilizadas e, eventuais segregação do concreto, dentre outros “defeitos” executivos, que também precisam ser reparados; a ocorrência de tais situações, não permite que a laje de subpressão e paredes de contenção dos sub solos, tenham estanqueidade, embora o traço do concreto tenha sido elaborado para ter impermeabilidade.

Dessa maneira, vale esclarecer os conceitos de estanqueidade e impermeabilidade, onde a estanqueidade está relacionada com a estrutura, que deve ser dimensionada para resistir aos esforços e cargas de trabalho, sem fissurar e ser bem executada, para não permitir o ingresso da água; a impermeabilidade está relacionada com os materiais com que o sistema de impermeabilização é executado, que deve fazer barreira contra a passagem e a percolação da água e seus vapores.

A estanqueidade e a impermeabilidade da obra estão intimamente ligados, onde a estanqueidade está relacionada com a qualidade do ambiente, que para ser conseguida, deve seguir o projeto estrutural e observar a metodologia da produção do concreto e execução da estrutura, ao mesmo tempo em que, deverá se seguir o projeto de impermeabilização e observar a correta execução do sistema de impermeabilização com produtos aplicados adequadamente, formando assim, um sistema de impermeabilização íntegro, tornando a obra estanque, ou seja, sem vazamentos e infiltrações.

Cabe ressaltar o conceito de laje de subpressão, e entender a importância do sistema de impermeabilização e estanqueidade da estrutura, pois, a laje de subpressão fica em contato direto com o solo recebendo pressão de empuxo, onde a estrutura bem dimensionada deve resistir aos esforços mecânicos e o sistema de impermeabilização deve barrar a entrada da água na obra; dessa maneira, fica clara a importância do projeto de impermeabilização compatibilizado e, do sistema de impermeabilização e proteção do concreto bem executado, em atendimento à norma de desempenho, visando conseguir a VUP do projeto e a durabilidade da obra.

Uma das técnicas de impermeabilização que pode ser projetada, e empregada em lajes de subpressão e em paredes contenções de obras enterradas, sujeitas a pressões hidrostáticas do lençol freático, é o sistema de impermeabilização com manta de bentonita, composta por geotêxtil e bentonita, que forma uma manta, onde esse sistema reveste todo o solo da obra e as paredes verticais de contenção do solo, sobre o qual a obra será edificada; ver Figura 2, a seguir.

Fotografia ilustrativa de obra
Figura 2 - Fotografia ilustrativa de obra (Fonte Google)

A manta de bentonita fica sob o concreto da laje de subpressão e das paredes de contenção e, em contato com a água do lençol freático; a bentonita ao entrar em contato com a água, se expande e forma uma membrana monolítica flexível de baixa permeabilidade, para impermeabilizar e proteger a laje de subpressão e as estruturas de contenção, contra o ingresso da água.

Esse sistema de impermeabilização é seguro, eficiente e durável; porém se faz indispensável os cuidados com a produção, lançamento e cura do concreto das lajes e estruturas em geral, que estão sujeitas às pressões hidrostáticas do lençol freático, conforme já comentado. Se deve levar em conta também o tratamento das juntas frias de concretagens com cortes verdes e instalação de perfis water stop, que são também a base de bentonita.

Salienta-se portanto, a importância de projetos de impermeabilização compatibilizados com as necessidades de cada obra, visando conseguir a VUP desejada e o melhor custo benefício para a obra e, baixos custos de manutenção futura, em atendimento às normas de desempenho, gestão de manutenção e reformas de edificações.