6 dicas para adaptar edifícios existentes às normas de acessibilidade

Conheça as exigências básicas e como ajustar edificações antigas para atender aos requisitos de acessibilidade e ao desenho universal

Publicado em: 10/06/2021Atualizado em: 11/06/2021

Texto: Juliana Nakamura

Rampas de acesso
As rampas de acesso são um dos grandes desafios em projetos que visam dar acessibilidade a edifícios existentes (Foto: Bill45/Shutterstock)

Adequar edifícios existentes às normas de acessibilidade muitas vezes requer dos arquitetos a superação de alguns desafios. Se por um lado é preciso democratizar o uso dos espaços, eliminando obstáculos que prejudiquem a circulação das pessoas, por outro, nem sempre as condições oferecidas, sobretudo o espaço disponível, são favoráveis. Como equalizar essa questão? Conversamos com alguns arquitetos que elencaram dicas para ajudar a tornar os edifícios construídos mais inclusivos, respeitando a diversidade humana. Confira:

1) Dê atenção ao cumprimento das normas técnicas

Não faltam leis e normas para subsidiar projetos que visem a acessibilidade de edifícios. O mais importante, além de consultá-las, é entender que esses textos técnicos servem para auxiliar os profissionais, e não para atrapalhá-los. Entre as referências mais importantes está a ABNT NBR 9050:2015 - Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos.

2) Invista em soluções simples. Elas também podem ser eficazes

Quando se fala em edificações acessíveis, a primeira coisa em que se pensa é na construção de rampas e na instalação de elevadores. No entanto, também não se pode deixar de lado algumas intervenções mais simples, igualmente importantes para dar autonomia e segurança às pessoas com dificuldade de locomoção.

É o caso da liberação de espaços para a circulação, por exemplo, com a reorganização do mobiliário para criar uma rota livre de obstáculos. Nivelamento de pisos com desníveis, aumento do vão das portas para pelo menos 1 m, e a substituição de pisos escorregadios ou irregulares são outras ações de baixa complexidade que podem proporcionar ganhos consideráveis no quesito acessibilidade.

3) Projete uma rampa verdadeiramente acessível

Construir boas rampas de acesso é um dos grandes desafios a serem superados em projetos que visam dar acessibilidade a edifícios existentes. Afinal, é preciso seguir um cálculo que relaciona ângulo de inclinação e extensão da rampa. “Quando temos um desnível de até 0,80 m a rampa pode ter de 6,25% a 8,33% de inclinação. Quando o desnível é de até 1 m a inclinação terá que ser de 5% a 6,25%. O pior caso, mais comum, acontece quando é preciso vencer um desnível de 1,50 m ou mais. Nesses casos, a rampa poderá ter, no máximo, 5% de inclinação, exigindo uma extensão de 30 m de comprimento”, comenta a arquiteta Gabriela Mendes.

Quando não houver espaço físico disponível para a construção da rampa, é possível recorrer à instalação de um elevador para cadeirante. “Projetado para uso limitado e com capacidade de carga reduzida, esses equipamentos têm dimensões fáceis de incorporar no projeto”, comenta Mendes.

A arquiteta destaca, ainda, outras especificações a serem seguidas no projeto de rampas de acesso:

• Largura mínima de 1,20 m;
• Guia de balizamento de cada lado para proteção quando não houver parede;
• Patamar de descanso a cada 50 m de comprimento;
• Corrimão.

4) Não negligencie o revestimento de piso e a sinalização

É igualmente importante prever sinalização com piso tátil de alerta, com largura entre 25 e 60 cm, distante no máximo a 32 cm da mudança de plano e do início da rampa e localizado antes do início e após o término da rampa
Carmel Caravieri

Nas áreas de circulação, os pisos devem ter superfície regular, firme, estável e antiderrapante sob qualquer condição. O revestimento não pode provocar trepidação em dispositivos com rodas, como cadeiras de rodas ou carrinhos de bebê.

“É igualmente importante prever sinalização com piso tátil de alerta, com largura entre 25 e 60 cm, distante no máximo a 32 cm da mudança de plano e do início da rampa e localizado antes do início e após o término da rampa”, comenta a arquiteta Carmel Caravieri. Ela lembra que o piso tátil serve como orientação para as pessoas com deficiência visual em sua locomoção.

Leia também: 5 desafios comuns na gestão da qualidade na construção civil

5) Observe os acessos como um todo

A arquiteta Paula Carvalho destaca que, nos conjuntos residenciais, é obrigatório garantir um percurso acessível que una as edificações à via pública, aos serviços anexos de uso comum e aos edifícios vizinhos. Isso significa que além de rampas e/ou elevadores para vencer os desníveis, é preciso adaptar a circulação das áreas comuns ao tráfego de pessoas cadeirantes ou com dificuldade de locomoção.

A circulação nas áreas comuns com largura livre mínima recomendada é de 1,50 m e admissível mínima de 1,20 m
Paula Carvalho

“A circulação nas áreas comuns com largura livre mínima recomendada é de 1,50 m e admissível mínima de 1,20 m. Já a inclinação transversal máxima de 2% para pisos internos e máxima de 3% para pisos externos”, explica Carvalho.

6) Não se esqueça da acessibilidade nas garagens

As vagas para estacionamento de veículos que conduzam ou sejam conduzidos por pessoas com deficiência precisam atender a alguns requisitos especiais, como:

• Ter sinalização com o símbolo internacional de acessibilidade;
• Contar com espaço adicional de circulação com pelo menos 1,20 m de largura;
• Estar vinculadas a uma rota acessível que as interligue aos polos de atração;
• Estar localizadas de forma a evitar a circulação de pessoas entre veículos.

Leia também:

Acessibilidade corporativa já é um direito de todos
Acessibilidade em banheiros: conheça as exigências e soluções

Colaboração técnica

Gabriela Mendes
Gabriela Mendes - Arquiteta e urbanista especializada em design de interiores pelo Instituto Europeo di Design. Está à frente do escritório que leva o seu nome.
Carmel Caravieri
Carmel Caravieri - Arquiteta e urbanista formada pela Universidade Mackenzie, com MBA em gestão de escritórios de arquitetura e design de interiores pela FGV. É sócia do Caravieri Cardoso Arquitetura, ao lado do também arquiteto Murillo Cardoso.
Paula Carvalho
Paula Carvalho - Arquiteta e urbanista, atua há mais de 18 anos desenvolvendo projetos residenciais e escritório próprio.