A luta por (in) formação de qualidade

Jacques Monet alerta: "há ausência de informação no mercado a respeito da impermeabilização"

Publicado em: 17/11/2008

Texto: Redação AECweb

É fundamental que seja desenvolvido um projeto específico de impermeabilização que consolide o sistema construtivo

Redação AECweb

O êxito da impermeabilização não depende apenas do produto utilizado, e sim, do desempenho de todo o sistema da cobertura. Por isso, é fundamental que seja desenvolvido um projeto específico de impermeabilização que consolide o sistema construtivo. “A NBR 9575 estabelece a necessidade de um projeto de impermeabilização”, diz Jacques Monet, consultor de impermeabilização e gestor e superintendente do Comitê 22, de impermeabilização, da ABNT.

Segundo ele, que atua no segmento de alto padrão, 50% do mercado têm a informação da necessidade do projeto de impermeabilização, assim como dos demais projetos executivos, e 25% das empresas solicitam a especificação do produto. “O projeto é mais completo, contendo toda a parte gráfica que o compõe. Já a especificação é somente um memorial descritivo para a seleção do sistema de impermeabilização a ser utilizado na construção”, esclarece.

Nos Estados Unidos o mercado funciona diferente do brasileiro, sendo a impermeabilização um conceito de telhado, o ‘roofing’. “Uma cobertura de estrutura metálica fica a cargo do profissional de impermeabilização, que já executa o telhado com isolante térmico, impermeabilização e acabamento final. São sistemas que as grandes companhias americanas e européias utilizam em suas obras. O mercado brasileiro de construção civil precisa adotar a prática do ‘roofing’, independente de se tratar de uma estrutura metálica, laje de concreto ou drywall. Assim, a cobertura estanque passa a ser compreendida como um sistema”, aconselha.

INFORMAÇÃO
Monet observa que há ausência de informação no mercado a respeito da impermeabilização. “É preciso que haja divulgação para os arquitetos que, com certeza, terão gosto em projetar coberturas pensando em um sistema, trabalhando o elemento criativo junto com a impermeabilização. É importante sair dos materiais como a cerâmica, o barro e o fibrocimento, e começar a trabalhar a laje impermeabilizada que pode ser em uma área verde, terraço e espelho d’ água”, sugere, dizendo que na Alemanha existem alguns códigos de edificações que determinam situações em que a cobertura deve ser verde.

“No Brasil, existe um grande problema, pois a informação técnica chega para o engenheiro, arquiteto e mestre-de-obras, através de ações de marketing das indústrias, seja ela boa ou não. Se perguntar para um mestre-de-obras o que é impermeabilização, ele vai responder nomes de produtos. O trabalho desenvolvido pelo IBI – Instituto Brasileiro de Impermeabilização, que agrega essas indústrias, é um meio de difundir informações consistentes para atingir um melhor nível técnico, eliminando os problemas de vazamentos”, observa, acrescentando que “as obras residenciais, se tocadas por um mestre-de-obra, ele tem um tipo de informação, se por um engenheiro, é outro”. Para ele, nos últimos dez anos, faltaram investimentos em informação da indústria, da engenharia e, até mesmo do IBI, o que impediu que a qualidade chegasse às obras residenciais. “No mercado do varejo, é preciso levar informações, através do IBI, canalizadas para os técnicos, desde o baldinho de asfalto, até a especificação correta para a estanqueidade do sistema”, afirma.

Segundo o consultor, os fabricantes têm técnicos que realizam a especificação e seleção de produtos de impermeabilização. “Como o fabricante está mais preocupado com o produto do que com o sistema, continuam ocorrendo falhas na especificação. O que funciona na verdade é o sistema: o ‘roofing’ tem várias camadas de substrato, caimento, define se serão colocados um ou mais produtos para reforçar a qualidade”, diz, lembrando que o fabricante acaba não tendo a responsabilidade sobre as aplicações técnicas. O que é diferente quando existe um projeto de impermeabilização, assinado por um engenheiro, assumindo as responsabilidades técnicas, com sua inscrição do CREA – Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia.

CONFORMIDADE
A quantidade de produtos que o mercado oferece é grande. Porém, é fundamental que esses produtos estejam de acordo com as normas técnicas.  “Para evitar vazamentos dois aspectos são fundamentais: utilizar mão-de-obra qualificada para a instalação, dentro das normas e vinculada às empresas que fazem parte do IBI; e só adotar produtos de impermeabilização produzidos em conformidade com as normas técnicas. Existem 23 normas para esses produtos, mas nem todos oferecidos no mercado são normalizados”, alerta.

Monet conta que a ABNT e o Senai estão desenvolvendo juntos uma norma técnica para a qualificação do profissional de impermeabilização, desde a execução até a fiscalização.  Ele acredita que a norma será um grande salto do setor, pois o aplicador passará a ser um profissional de impermeabilização. “O projeto está em andamento e já tem uma pré-escola do Senai no Rio de Janeiro, que está realizando o curso. Em São Paulo, estamos trabalhando para que a norma seja publicada em alguns meses. Ela abrangerá todos os sistemas de impermeabilização. Inserimos no programa do curso o ensino de leitura da planta, como necessário, com o objetivo de elevar o nível da qualificação”, finaliza Jacques Monet.