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ACM, Pedras ornamentais e peles de vidro são soluções para fachadas

Se corretamente especificadas e executadas, elas podem garantir praticidade ao longo da vida útil da edificação

Publicado em: 27/06/2013Atualizado em: 19/07/2019

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

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A pele de vidro é uma das alternativas para revestimento de fachadas (foto: Suriel Ramzal/shutterstock)

Constantemente expostas à ação do sol, das chuvas, dos ventos, e vulneráveis aos efeitos da poluição e dos agentes químicos presentes no ar atmosférico, as fachadas devem receber acabamentos com propriedades de proteção. E que sejam, preferencialmente, materiais com manutenção simplificada, uma vez que o grau de conservação da parte externa do empreendimento costuma ser diretamente proporcional ao seu valor de mercado.

Existem várias soluções que atendem a essas exigências técnicas e que, ao mesmo tempo, proporcionam ótimo resultado estético. A arquiteta Estela Netto, que assina projetos residenciais e comerciais, cita entre as opções os painéis de ACM (Aluminium Composite Material ou Material Composto de Alumínio), as pedras ornamentais, as peles de vidro, os revestimentos cerâmicos e as texturas com tintas imobiliárias. Estela ressalta que se o foco é a praticidade, é bom ter em mente que, ao acrescentar elementos como madeira natural e jardins verticais à fachada, o investimento com os cuidados irá aumentar.

PASTILHAS E CONCRETO APARENTE PODEM SER BOAS SOLUÇÕES

Muito comum em edifícios, o revestimento da fachada com pastilhas pode ser uma opção durável contanto que o material seja corretamente aplicado. Segundo Estela, a contratação de mão de obra especializada e o uso da argamassa adequada prolongarão a qualidade e o tempo de duração do revestimento.

Outra solução que a arquiteta considera interessante no que diz respeito à manutenção é o concreto aparente. “De forma geral ele requer apenas limpeza por empresa especializada e, se o projeto sugerir, a aplicação de algum tipo de verniz mais fosco”.

ALUMÍNIO

A praticidade na manutenção é um dos motivos que faz do ACM uma opção cada vez mais popular para revestir fachadas, especialmente as de edifícios comerciais. Segundo o designer industrial Luis Claudio Viesti, da área técnica da Associação Nacional de Fabricantes de Esquadrias de Alumínio (Afeal), o material tem elevada resistência a intempéries. As placas são fabricadas com alumínio pintado ou anodizado, o que garante características superiores. A aplicação é ampla: elas entram como pilares, marquises, testeiras ou em fachadas contínuas, em composição com vidros.

A limpeza, informa Luis Claudio, é feita basicamente com água e detergente. “Para remoção de graxas ou compostos de silicone podem ser aplicados solventes suaves, como o álcool isopropílico.” Pichações são passíveis de limpeza, desde que se faça uso de produtos que não ataquem as propriedades do ACM. “Deve-se evitar solventes e produtos alcalinos, pois poderão causar danos ao material, como perda de brilho e alteração em sua tonalidade”, orienta o representante da Afeal.

A especificação segue as demandas estéticas e estruturais da obra. As dimensões dos painéis, informa Luis Claudio, são definidas geralmente em concordância com as linhas previstas no projeto arquitetônico. Dependendo das dimensões requeridas, pode ser necessário o uso de estruturas auxiliares para fixação das chapas, de forma a garantir a melhor planicidade do material.

PINTURAS E ROCHAS ORNAMENTAIS

Em função do baixo custo, quando comparadas a outras soluções, as tintas imobiliárias são a opção mais comum de acabamento em fachadas residenciais. É importante acertar na escolha do produto e na sua aplicação para diminuir a frequência das manutenções. Para áreas externas, é indicado o uso das tintas látex classificadas como Standard ou Premium, que possuem características elásticas, de resistência a raios UV, maresia, umidade e ataques de micro-organismos. As orientações são da engenheira Gisele Bonfim, gerente técnica e de Assuntos Ambientais da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati).

A durabilidade do sistema é influenciada pela preparação da superfície que vai receber a pintura e do uso de técnicas corretas de aplicação. A parede deve estar firme, uniforme (sem buracos ou rachaduras), seca e sem poeira, gordura, graxa, sabão ou mofo. “Em caso de reboco novo, é preciso aguardar 28 dias, no mínimo, antes da pintura”, ressalta Gisele. A profissional da Abrafati recomenda, ainda, evitar a aplicação da tinta em dias chuvosos ou com ventos fortes, em dias com temperaturas abaixo de 10ºC ou acima de 40ºC, e ainda quando a umidade relativa do ar estiver acima de 90%.

A aplicação de rochas ornamentais em fachadas exige igual atenção na especificação e na instalação do produto, para garantir a durabilidade do sistema. De acordo com o consultor da Associação Brasileira de Rochas Ornamentais (Abirochas), Cid Chioli Filho, as rochas silicáticas e silicosas (granitos e quartzitos) são as mais indicadas para uso externo, pois são as que apresentam maior resistência a agentes químicos agressivos presentes no ar.

A conservação das pedras é feita geralmente com água e detergentes com pH neutro. Deve-se evitar o uso excessivo de água na limpeza, bem como contato do produto com materiais como graxa, tintas e materiais ferruginosos oxidáveis. Em caso de fachadas ventiladas, por exemplo, os inserts usados para afixação das placas devem ser de aço inox, alumínio, cobre e suas ligas, e aço-carbono. As orientações constam no Guia de Aplicação de Rochas em Revestimentos, publicação da Abirochas, que traz uma série de indicações para a correta especificação, aplicação e conservação do material.

LAMINADO E PIGMENTOS ESPECIAIS

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As rochas ornamentais precisam ser especificadas e instaladas com o mesmo nível de atenção para garantia de durabilidade do sistema (foto: Adrien Ruche/shutterstock)

Além das opções tradicionais, alguns produtos desenvolvidos para aplicação em fachadas prometem combinar eficiência a padrões estéticos únicos. É o caso de laminados de alta resistência. De acordo Saulo Henrique Barboza, operador de vendas em Construção Civil da Formica, o material pode permanecer exposto à ação da luz do sol, a fenômenos atmosféricos e à ação de descarga dos gases da chuva ácida, do vento e da salinidade. E ainda é antipichação. O sistema é indicado para revestimento externo de edifícios comerciais, residenciais, espaços culturais, galpões e em retrofits.

A aplicação de pigmentos especiais em formulações de concreto usadas em fachadas (como os painéis de concreto) é uma alternativa para dar colorido marcante e durável à edificação. Existe no mercado, um pigmento à base de óxido de ferro. De acordo com a Lanxess, o pigmento possui alta resistência à alcalinidade, às intempéries e à ação dos raios UV, apresentando, por isso, estabilidade nas cores sem desbotamento.

Colaboração técnica

Estela-Netto
Estela Netto – Arquiteta formada pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais, e em História da Cultura e da Arte pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atua no mercado de arquitetura e design com projetos residenciais e comerciais.
Gisele-Bonfim
Gisele Bonfim – Gerente técnica e de Assuntos Ambientais da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (ABRAFATI). Coordenadora do Programa Setorial da Qualidade – Tintas Imobiliárias. Chefe de secretaria do Comitê Brasileiro de Tintas CB-164 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
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Luis Claudio Viesti – Designer industrial formado pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). Tecnólogo em Construção Civil e professor na área de projetos em Esquadrias de Alumínio do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI). Coordenador e consultor técnico da Associação Nacional de Fabricantes de Esquadrias de Alumínio (AFEAL). Atua na Construção Civil há 30 anos, sendo 23 anos no setor de esquadrias de alumínio em desenvolvimento e projeto de esquadrias e fachadas.
Cid Chiodi Filho – Geólogo e consultor da Associação Brasileira de Rochas Ornamentais (Abirochas).
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Saulo Henrique Barboza – Operador de vendas em Construção Civil, da Formica.