Alvenaria de blocos de vidro alia iluminação natural e privacidade

Quando bem utilizado nos projetos, material permite a entrada de luz sem superaquecer os ambientes. Veja dicas de especificação e de instalação

Publicado em: 14/11/2016

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

A alvenaria de blocos de vidro é um sistema adotado na construção de paredes, divisórias de ambientes e vedação de fachadas. O material favorece a entrada de luz natural no ambiente e ajuda a compor o design arquitetônico do espaço projetado.

De acordo com o arquiteto José Tabith, os blocos de vidro são ideais para locais que demandem iluminação e privacidade. “Para execução de um núcleo de escritório dentro de uma residência, por exemplo, a divisória em tijolo de vidro permite captar muita luz sem criar transparência”, conta.

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Os blocos de vidro favorecem a entrada de luz natural no ambiente (JCVStock/ Shutterstock.com)

Sem função estrutural, esse tipo de alvenaria só é capaz de suportar outros blocos de vidro. Caso o material seja usado de maneira contínua na construção de paredes, é recomendado que o projeto respeite alguns limites, como a área máxima de 15 m², comprimento máximo de 7,5 m e altura máxima de 6 m.

As especificações de dimensões e características físicas, além de métodos de ensaio para uso dos blocos de vidro na construção civil estão previstas na NBR 14899-1/2002 Blocos de vidro para a construção civil, publicada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

CONFORTO TÉRMICO

O bloco de vidro é uma peça oca, composta pela fundição de duas partes de vidro, preenchida com ar rarefeito. “Essa câmara de ar na parte interna dos tijolos garante valores de resistência à transmissão do calor elevados”, afirma José Roberto da Silveira, técnico de projetos de blocos de vidro da Margem Projetos. “É como se fosse um vidro duplo que capta menos calor do que o vidro comum”, completa Tabith.

Direcionar qualquer superfície vítrea para o sol não é a solução mais adequada. A alvenaria de blocos de vidro deve ser voltada para a face oeste
José Tabith

“Em função da possibilidade de entrada de luz solar no ambiente interno, derivado da característica de transparência do material, sempre haverá um certo aumento da temperatura interna, mas muito menos que um vidro plano tradicional”, pondera José Luiz Sbrunhera, gerente comercial da Prismatic Vidros.

Segundo Tabith, a orientação do projeto também é fundamental para equilibrar o conforto térmico. “Direcionar qualquer superfície vítrea para o sol não é a solução mais adequada. A alvenaria de blocos de vidro deve ser voltada para a face oeste”, orienta o arquiteto.

MATERIAIS PARA O ASSENTAMENTO

O assentamento da alvenaria de bloco de vidro deve ser feito com argamassa específica para esse tipo de material, que é misturada in loco ou comercializada pronta. A recomendação é utilizar pouca água na mistura para conseguir uma massa que não escorra.

Para resistir às forças de tração, a alvenaria deve incluir vergalhões de aço ou perfis metálicos, que garantem estabilidade e resistência mecânica ao projeto. Em paredes com área superior a 2 m², é preciso colocar juntas elásticas (mantas de dilatação) para proteger os blocos contra atritos. “Dessa forma, a parede se movimenta sem criar trincas no material”, explica Tabith.

Já para garantir a mesma distância entre os blocos, é recomendado a colocação de espaçadores. O uso de ferramentas como espátula metálica, martelo de borracha, prumo, trena, nível, régua e outros instrumentos de referência também auxiliam o assentamento dos blocos. O serviço deve ser feito com os devidos EPIs (Equipamentos de Proteção Individual).

DICAS PARA INSTALAÇÃO

A altura da alvenaria de bloco de vidro deve ser calculada antes do assentamento, em função do pé-direito do espaço, cuja diferença será utilizada para construção da base, garantindo uniformidade na distribuição dos blocos do piso ao teto.

Mesmo em pequenas divisórias, só a argamassa e os espaçadores não garantem a estabilidade [da alvenaria]. É aí que entram os vergalhões, que serão dispostos horizontal e verticalmente em cada fileira
Elyzia Rodrigues

Após o preparo da base, deve ser feita a moldura da parede com perfis em U, que serão forrados com manta asfáltica e preenchidos com argamassa. Na argamassa, deve ser colocado o primeiro vergalhão antes de assentar a primeira fileira de blocos.

“Mesmo em pequenas divisórias, só a argamassa e os espaçadores não garantem a estabilidade. É aí que entram os vergalhões, que serão dispostos horizontal e verticalmente em cada fileira”, esclarece a arquiteta Elyzia Rodrigues.

O excesso de argamassa deve ser removido no decorrer da instalação. Após o assentamento de todos os blocos, a limpeza é feita com pano ou espuma úmidos e espátulas.

Colaboração técnica

 
Elyzia Rodrigues – Arquiteta e urbanista formada pelo Centro Universitário Metodista Integrado Izabela Hendrix e pós-graduada em Gestão de Projetos de Arquitetura no IEC – PUC-MG. Experiência em projetos residenciais e na área de saúde. .
 
José Luiz Sbrunhera – Gerente comercial da Prismatic Vidros, empresa vidreira com mais de 50 anos de existência e atuação nos segmentos de construção civil, linha automobilística e sinalização rodoviária.
 
José Roberto da Silveira – Técnico de projetos de bloco de vidros da Margem Projetos, empresa que atua há mais de 15 anos vendendo e prestando serviço técnico na instalação de blocos de vidro para empresas de pequeno, médio e grande porte.
 
José Tabith – formado em 1983 pela Faculdade de Arquitetura Brás Cubas, de Mogi das Cruzes (SP), e Doutor em Arquitetura pela Universidade de São Paulo (USP), é professor de projetos da FAU/Mackenzie desde 1995. Em 1997, deu início à JT Arquitetura, vencendo o novo Concurso Nacional com o projeto da sede da Ordem dos Advogados do Brasil, em Campo Grande (MS).