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Arquitetos estrangeiros debatem sustentabilidade e urbanismo

Simpósio Internacional de Sustentabilidade e Urbanismo (SISAU) 2013 também abordou recuperação de áreas degradadas, eficiência energética e inovações

Publicado em: 30/04/2013Atualizado em: 11/10/2019

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Redação AECweb / e-Construmarket

Propostas de planejamento urbano e de recuperação social nas periferias; utilização de materiais desenvolvidos a partir da nano e da biotecnologia; conceito de reúso de edifícios, que podem ser remontados em outros locais com finalidades diversas; paredes direcionadoras de ventos visando eficiência energética. Estas foram algumas das ideias apresentadas no Simpósio Internacional de Sustentabilidade e Urbanismo (SISAU) 2013 realizado em março, pela Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura do Paraná (AsBEA-PR).

De acordo com a coordenadora do evento, arquiteta Cristiane Lacerda, “a intenção é que essa discussão dê origem a projetos de lei na cidade de Curitiba, capazes de transformar ideias sustentáveis em realidade”.
Em sua terceira edição, o simpósio traz a experiência de profissionais de várias partes do mundo e, neste ano, mostrou a visão e a experiência dos arquitetos Kasper Guldager Jorgensen, da Dinamarca; Gustavo Restrepo e Federico Mesa, da Colômbia; Paula Montoya, da Espanha; e Ken Yeang, da Malásia. “Alguns programas apresentados reúnem conceitos inerentes à boa arquitetura e que, se colocados em prática no Brasil, poderiam se traduzir em projetos, de fato, sustentáveis”, comenta Cristiane.

Em sua apresentação, Paula Montoya, professora de Projeto Arquitetônico da Universidad Politécnica de Madrid, Espanha, e sócia do Estudio Mero Arquitectos, tocou num tema que é um antigo objetivo dos arquitetos brasileiros: na Europa, todos os projetos públicos são realizados por profissionais selecionados por meio de concursos. Salientou, ainda, que muitos deles são ganhos não por um, mas pela combinação de diversos escritórios de arquitetura que trabalham de maneira colaborativa na busca por soluções plurais para a cidade. Esses concursos são promovidos pela Europan, instituição sediada em Paris que organiza concursos de projetos urbanísticos para dez países europeus. Para exemplificar, Paula citou cases como o do projeto de transformação de um bairro residencial na cidade de Lourdes, em Portugal, onde a intervenção estendeu-se às moradias. “Melhoramos suas condições com a criação de infraestrutura aérea, instalação de fontes de geração de energia solar e inserção de áreas verdes”, disse.

Áreas degradadas

A recuperação de áreas degradadas, tema que está na ordem do dia das cidades brasileiras, foi tratada pelo arquiteto colombiano Gustavo Restrepo. Ele detalhou o projeto que coordena na cidade de Medelin, na Colômbia, e que, desde o início dos anos 90, vem transformando bairros inteiros, antes marcados pela segregação, em exemplos de integração social. Citou iniciativas como a criação de equipamentos públicos de qualidade, novo planejamento viário, sistema de transporte público integrado, nova rede de bibliotecas públicas, além de escolas públicas de qualidade e diversos espaços voltados à recreação. O arquiteto também falou sobre o plano mestre do ‘Centro Cívico e Cultural Plaza Botero Museo de Antioquia’. “Este é um processo em fase inicial e está estruturado como proposta de recuperação para o centro da cidade”, afirmou.

EficiÊncia EnergÉtica

Considerado um dos pioneiros da arquitetura sustentável no mundo, o arquiteto Ken Yeang, da Malásia, defende a premissa de que a natureza, os seres humanos, a água e a tecnologia são fatores que devem ser considerados nas práticas de sustentabilidade. “Reuni-los de forma estável é o nosso objetivo”, afirmou. Em sua opinião, o clima, como uma das manifestações da natureza é o aspecto mais básico a ser considerado em um projeto, e foi o que norteou a concepção de seu escritório, construído há cerca de 30 anos.

O prédio foi concebido para receber ventilação natural em abundância para garantir o conforto térmico em seu interior. Além disso, o projeto integrou dois tetos como forma de proteger a edificação do sol. “Ao longo do projeto, descobrimos também que a criação de duas paredes laterais externas possibilitaria a captura e o direcionamento de um maior volume de ar para o interior do prédio. Assim, nasceu a ideia das paredes direcionadoras de vento, que voltamos a aplicar em outras obras. A medida nos mostrou que é possível fazer até mesmo um arranha-céu sem aparelhos de climatização”, comentou Ken Yeang.

InovaÇÃo

O arquiteto dinamarquês Kasper Guldager Jorgensen, da GXN, empresa voltada à inovação sustentável na arquitetura, coordena uma equipe de 80 profissionais dedicados à pesquisa e desenvolvimento de materiais sustentáveis para construção. Em sua apresentação, exibiu projetos concebidos e executados com materiais obtidos a partir da nano e da biotecnologia. “Precisamos estar voltados para o mundo ao nosso redor, porque a maior parte desses novos produtos tem surgido não da indústria da Construção Civil, mas de outras áreas do conhecimento”, alertou o arquiteto.

Entre as obras executadas com materiais desenvolvidos pela GXN, Jorgensen citou um escritório de advocacia em Copenhagen, que para atender à necessidade de se criar uma estrutura de fachada pouco convencional em termos estruturais, utilizou um composto em fibra de vidro, espuma de alta densidade e travertino, garantindo uma fachada 80% mais leve do que uma estrutura similar em aço.

Outra inovação apresentada no evento foi apresentada pelo arquiteto colombiano Frederico Mesa, do escritório Plan:b Arquitectos, que defendeu o conceito de ‘Arquitetura Viva’, dotada de uma força interna ativadora e engajada com a reutilização de materiais, reciclagem e integração da arquitetura ao meio no qual está inserida. Como exemplo, comentou o projeto criado para uma feira de construção em Medelin, que deveria ser construído em cinco dias e desmontado em dois. Projetado como um cubo erguido a partir de painéis de materiais diversos, como plástico, lâminas metálicas vazadas, policarbonato, sobre uma estrutura metálica, o edifício cumpriu sua função e, posteriormente, foi transferido para outro local da cidade, ganhando novo uso ao ser transformado em um espaço comunitário. “A arquitetura deve ser pensada dessa forma, pois essa é uma de suas funções”, defendeu Mesa.