Como diminuir as perdas de blocos cerâmicos e de concreto?

São necessários diversos cuidados em todo o fluxo logístico, principalmente nas etapas de recebimento, transporte, armazenamento e execução da alvenaria. Saiba mais

Publicado em: 18/10/2017Atualizado em: 29/11/2022

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Tão importante quanto negociar junto aos fornecedores de blocos é saber como receber, transportar, armazenar e utilizar o material no canteiro. Caso os cuidados sejam negligenciados, a economia obtida na etapa de compra acaba se diluindo, pois será preciso adquirir mais peças para repor o que se perdeu.

“Se a quebra acontecer no descarregamento ou se os blocos chegarem danificados na obra, o fornecedor deve fazer a substituição gratuitamente. Porém, depois disso, a responsabilidade passa para o construtor”, explica o arquiteto Carlos Alberto Tauil, consultor Técnico da Associação Brasileira da Indústria de Blocos de Concreto (BlocoBrasil). Todas as obrigações são definidas pela ABNT NBR 6136 - Blocos vazados de concreto simples para alvenaria.

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Os cuidados com os blocos podem evitar gastos extras com reposições (Shutterstock/ Evgeniy Ovchinnikov)

ÍNDICES DE DESPERDÍCIO

Segundo Tauil, quando as boas práticas são adotadas – por exemplo, com a entrega dos blocos de concreto ou cerâmicos em pallets e transporte no canteiro realizado com uso de gruas –, o índice de quebra não chega a 0,5%. “Os danos são mais frequentes nos blocos de vedação, com números variando entre 0,5% e 1%”, informa. A diferença acontece porque esse tipo de material é mais vulnerável durante o manuseio por apresentar paredes mais finas.

Por outro lado, com os blocos estruturais, o índice médio de desperdício é menor do que 0,1%. “As perdas são quase insignificantes justamente pelo material ter suas paredes mais grossas”, afirma o arquiteto.

RECEBIMENTO

A situação ideal é que os blocos sejam entregues já acomodados em pallets. O descarregamento pode ser feito manualmente ou com uso de máquinas, como as gruas que já colocam o material nos andares em que serão utilizados. “Em caso de trabalho manual, as peças devem ser empilhadas com altura máxima de 1,80 m e em local determinado pelo engenheiro da obra ou almoxarife”, fala o consultor.

Finalizado o descarregamento, os profissionais responsáveis no canteiro precisam anotar no canhoto se ocorreram quebras durante o procedimento. “Em caso positivo, o fornecedor faz a substituição nas próximas entregas”, destaca Tauil. Também é necessário verificar se o material entregue condiz com o pedido realizado, conferindo na nota fiscal os dados sobre a classe, dimensões e, no caso de blocos estruturais ou de vedação, a resistência.

Recomenda-se, ainda, deixar anotado o número do lote de fabricação. Isso porque, se houver algum problema – como bloco estrutural que não atinge a resistência especificada –, é possível realizar varredura junto ao fabricante. Assim, fica mais fácil detectar prováveis falhas que aconteceram na produção dos materiais.

Se a quebra acontecer no descarregamento ou se os blocos chegarem danificados na obra, o fornecedor deve fazer a substituição gratuitamente. Porém, depois disso, a responsabilidade passa para o construtor
Carlos Alberto Tauil

TRANSPORTE

Caso o descarregamento seja manual, o transporte dentro do canteiro deve ocorrer com o máximo de cuidado, pois este é o momento do fluxo logístico que apresenta as perdas mais significativas. “O ideal seria as construtoras contarem com equipamentos de transporte vertical. Afinal, diminuindo as etapas de manuseio pelo homem, diminui também a possibilidade de quebras”, diz o arquiteto.

Se não houver gruas disponíveis no canteiro, a movimentação das pilhas de blocos até o elevador deve ser feita com os carrinhos adequados e preparados para essa tarefa. Caso o transporte seja realizado com equipamentos improvisados, é grande a chance de ocorrerem quebras de peças que se soltam das pilhas.

ARMAZENAMENTO

Os blocos devem ser armazenados não diretamente sobre a terra, mas sim sobre um colchão de areia ou de pedriscos. No entanto, o principal cuidado é evitar o contato com a água. “Para isso, a recomendação é cobri-los com lona preta. Principalmente, em dias com chuvas intensas ou períodos muito úmidos”, fala o arquiteto.

Essa atenção se deve ao fato de que blocos molhados reduzem a velocidade de produção do pedreiro, porque o material acaba demorando mais para absorver a água da argamassa. “Assim, os produtos precisam estar o mais seco possível no momento do assentamento”, ressalta o especialista.

EXECUÇÃO DA ALVENARIA

Na execução da alvenaria, o primeiro cuidado para evitar perdas de blocos é o uso dos materiais adequados, como escantilhão, régua de nível, colheres, bisnagas para colocação da argamassa, entre outros. A execução da primeira fiada, sobre o baldrame ou laje de transição, também necessita de atenção, pois a camada de argamassa não deve ser superior a 2 cm. “Esse cuidado garante que a modulação esteja sempre correta”, afirma Tauil.

O ideal seria as construtoras contarem com equipamentos de transporte vertical. Afinal, diminuindo as etapas de manuseio pelo homem, diminui também a possibilidade de quebras
Carlos Alberto Tauil

No caso de alvenaria estrutural, os profissionais responsáveis pelas instalações elétricas devem acompanhar a execução, já passando as tubulações por dentro dos furos dos blocos. Também precisam ser realizadas as aberturas das caixas de eletricidade com uso de serra copo, que consegue buscar os conduítes. Assim, evita-se a quebra dos blocos se o sistema elétrico for instalado posteriormente.

O grauteamento é um procedimento que deve ser realizado com cuidado para evitar perdas de materiais. O primeiro passo é garantir que o concreto usado seja fluido, preenchendo de maneira adequada os vazios dos blocos. “Existem duas maneiras de fazer o grauteamento: a meio pé-direito ou pé-direito total. Optar por uma alternativa ou outra dependerá do projeto estrutural”, fala o arquiteto.

LOGÍSTICA REVERSA

Cada vez mais, a indústria demonstra preocupação com a logística reversa, sendo que algumas empresas já adotaram esse procedimento. É um processo de conscientização entre todos os elos envolvidos na execução da obra, principalmente, pela construtora que deve adotar essa política.

“Não são todos que seguem por esse caminho, mas, ao longo do tempo, essa será iniciativa exigida pelos órgãos ambientais. Assim, os próprios fornecedores terão interesse em executar a logística reversa, e as empresas de reciclagem podem entrar nesse circuito como terceira parte, recolhendo esse material e evitando que vire entulho”, finaliza Tauil.

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Colaboração técnica


Carlos Alberto Tauil– Arquiteto pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP). Tem curso de extensão universitária no Bouwcentrum, Holanda, e pesquisa com o grupo SAR da Universidade de Eindhoven, também na Holanda, sobre metodologia de projetos, utilizando coordenação modular. Foi coordenador de projetos em diversas construtoras de São Paulo; diretor técnico comercial da Reago (Grupo Camargo Correa); e diretor técnico comercial da empresa Glasser Indústria de Piso e Blocos de Concreto. É diretor técnico e sócio da Métrica Consultoria e Assessoria em Arquitetura e Construção Civil desde 2009. Ocupa o cargo de consultor Técnico da Associação Brasileira da Indústria de Blocos de Concreto (BlocoBrasil).