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Como evitar infestação de cupins em edificações

Eles comem madeira, se introduzem por frestas e dutos e podem causar até mesmo curto-circuito e “apagão” na telefonia e internet. Mas há como evitar ou sanar. Saiba como!

Publicado em: 10/11/2021Atualizado em: 25/10/2022

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Infestação de cupim
Os cupins podem infestar e degradar materiais celulósicos de todos os tipos (Foto: Jatuporn Chainiramitkul/Shutterstock)

Praga urbana, os cupins subterrâneos – popularmente conhecidos por cupins de solo – se alimentam da madeira e de seus derivados, como papel, papelão e livros. As colônias constituídas por milhões deles infestam edifícios, causando danos diversos. No entanto, “é um mito dizer que o cupim subterrâneo derruba prédios”, afirma Francisco José Zorzenon, pesquisador do Instituto Biológico (IB-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Veja no Portal AECweb tipos de tratamento de madeiras

Como e o que atacam

As colônias de cupins podem infestar e degradar materiais celulósicos de todos os tipos, drywall, árvores vivas ou mortas, não fazendo distinção quanto ao tipo de madeira. Priorizam as madeiras menos densas, mas podem atacar as mais resistentes e duras. “Nas edificações, dão preferência aos locais onde exista mais umidade”, diz. Por esse motivo, iniciam normalmente o ataque em locais e cômodos geminados com fontes de umidade, como banheiros, lavanderias, prumadas de água, decks de piscina, entre outros.

Cupins podem causar danos diretos em madeiramentos estruturais dos telhados, vigas e caibros; levar umidade aos eletrodutos e conduítes; e causar curtos-circuitos e a paralização de vias telefônicas, de internet e TV a cabo
Francisco José Zorzenon

“Cupins podem causar danos diretos em madeiramentos estruturais dos telhados, vigas e caibros; levar umidade aos eletrodutos e conduítes – meio de fácil passagem por toda a edificação –; e causar curtos-circuitos e a paralização de vias telefônicas, de internet e TV a cabo”, ensina Zorzenon. Eles utilizam as microfissuras existentes nas edificações, sob azulejos, juntas de dilatação, para forrageamento (procura por alimento de teor celulósico) tentando encontrar alimento. “Podem catalisar os processos de infiltração de água já existentes nas edificações, mas não causam danos estruturais significativos ao concreto”, acrescenta.

A espécie Coptotermes gestroi, cupim subterrâneo de origem asiática, é considerada a mais destrutiva nos patrimônios públicos, privados, históricos, árvores urbanas, entre outros. “É uma das pragas mais importante em estruturas, sejam elas em condomínios verticais ou horizontais. Nas edificações verticais, as infestações são ainda mais severas, pois a existência de vãos estruturais, “caixões perdidos”, shafts, poços de elevadores, entre outros, facilitam a formação de ninhos secundários, dificultando sobremaneira o controle”, informa.

Tratamento preventivo

Segundo o pesquisador, não há normas específicas no Brasil como as dos EUA, por exemplo, que obrigam o tratamento de estruturas e madeiramentos preventivamente. É exatamente o que ele orienta para a fase de obras, de maneira a evitar que o cupim venha a infestar a edificação no futuro. O tratamento preventivo de madeiramentos e do solo deve ser feito através de barreiras químicas perimetrais e horizontais com produtos (inseticidas) químicos domissanitários registrados e de uso profissional. A chamada “imunização” ou tratamento do solo, em baldrames, por exemplo, seria uma das formas preventivas.

Zorzenon recomenda a utilização de madeiras mais nobres e menos sensíveis ao ataque de cupins e a insuflação de inseticidas na forma de pó seco em eletrodutos. Mas lembra que todo produto químico agirá apenas por um determinado período, devendo ser reaplicado de tempos em tempos, dependendo do tipo de solo, drenagem, exposição às intempéries, pH etc. “A orientação de profissionais especializados em manejo de cupins é de suma importância”, ressalta.

Tratamento curativo

Diferentemente dos cupins de madeira seca, que deixam grânulos (fezes) nos locais infestados, os cupins subterrâneos muitas vezes somente são detectados quando já causaram grandes estragos estruturais ou em móveis
Francisco José Zorzenon

Em edificações existentes, os sinais de infestação de cupins nem sempre são visíveis aos olhos das pessoas não especializadas. “Diferentemente dos cupins de madeira seca, que deixam grânulos (fezes) nos locais infestados, os cupins subterrâneos muitas vezes somente são detectados quando já causaram grandes estragos estruturais ou em móveis”, fala.

Os cupins, no entanto, deixam pistas. Entre elas, é possível identificar os túneis terrosos em forma de cordões em paredes e quinas; presença de madeiramentos consumidos, principalmente os que ficam em contato direto com a alvenaria do imóvel; observação de aspecto enrugado ou “fofo” em paredes e estruturas de madeira pintadas; fundos de armários embutidos consumidos; e presença de formações cartonadas em vãos sob armários, pias, piscinas.

A melhor opção para sanar o problema, segundo ele, é monitorar o imóvel. As estratégias adequadas, sejam preventivas ou curativas, por meio químico ou de iscas especificas, são executadas por profissionais qualificados em controle de cupins. “Com isso, são evitados problemas futuros ou gastos exorbitantes com a substituição de estruturas, móveis de alto custo, além dos transtornos psicológicos e logísticos de uma intervenção contra a praga”, explica.

Dica do especialista!

Para resolver o problema, procure sempre por um controlador de pragas com a expertise dos pesquisadores científicos da Unidade Laboratorial de Referência em Pragas Urbanas do Instituto Biológico da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo.

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Colaboração técnica


Francisco José Zorzenon – Biólogo formado pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1988), com especialização em Entomologia Urbana pela UNESP-Rio Claro (2004) e com mestrado em Sanidade Vegetal pelo Instituto Biológico (2009). É pesquisador científico e diretor Técnico da Unidade Laboratorial de Referência em Pragas Urbanas do Instituto Biológico da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.