Como funciona a compostagem em telhados verdes de empreendimentos comerciais?

Com tecnologia para controlar odores desconfortáveis, a solução emprega enzimas para transformar lixo orgânico em adubo, que é utilizado no cultivo de ervas e hortaliças

Publicado em: 27/03/2018Atualizado em: 28/03/2018

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

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O lixo orgânico pode ser transformado em adubo para ser utilizado nos telhados verdes (YuRi Photolife / Shutterstock.com)

As praças de alimentação são grandes geradoras de resíduos orgânicos. O material, em vez de ser enviado para aterros, pode ser aproveitado dentro do próprio empreendimento, servindo de adubo para sistema de compostagem. A solução foi implantada, inicialmente, no shopping Eldorado, em São Paulo. Em uma área de 5 mil m2, na laje da edificação, há um telhado verde onde são cultivadas ervas, verduras, frutas, legumes e até plantas medicinais. Diariamente, é processada 1 tonelada de lixo orgânico, através da ação de uma enzima.

“Essa tecnologia tem como prioridade promover a eficiência e qualidade, no menor tempo possível. Isso sem utilizar sistemas de aquecimento via eletricidade, devido aos custos e consumo de energia”, explica o engenheiro Lázaro Sebastião Roberto, presidente da Bioideias e responsável pelo desenvolvimento da solução. “A enzima é aplicada sobre os resíduos, promovendo uma reação em síntese molecular de bioativação e provocando o aumento da temperatura, o que reduz a umidade na forma de vapor. Com isso, é possível eliminar o mau cheiro e promover a higienização. Na sequência, é inserido substrato enzimático que induz a estimulação biológica natural, o que acelera o processo e enriquece o material resultante”, detalha o especialista.

A preocupação em evitar o desconforto com os odores é elevada durante toda a transformação dos resíduos em adubos. É possível utilizar durante o processo um produto que faz o rastreamento de todos os gases fétidos. A solução permite, inclusive, o aproveitamento do lixo que ficou armazenado de um dia para o outro.

A cooperação de todos é importantíssima, pois um dos principais cuidados necessários é garantir que somente lixo orgânico seja destinado para a compostagem
Lázaro Sebastião Roberto

INTEGRAÇÃO

Para aproveitar a tecnologia, o empreendimento precisa contar com sistema eficiente de separação de resíduos. “A cooperação de todos é importantíssima, pois um dos principais cuidados necessários é garantir que somente lixo orgânico seja destinado para a compostagem”, ressalta o profissional, lembrando que, quando esse material é enviado para os aterros, acaba gerando chorume e vetores de doenças, entre outros problemas.

No caso do shopping Eldorado, a vegetação foi plantada em pequenos vasos acondicionados em estrutura montada sobre a laje do empreendimento. “Essas caixas apresentam um bom resultado”, fala Roberto. No entanto, não se trata de uma regra. O plantio pode ser feito diretamente sobre a laje, porém é preciso projeto mais amplo, que deve prever a correta impermeabilização, estudos sobre as cargas adicionais, sistema de irrigação, entre outros.

A popularização dos telhados verdes é um combustível para o crescimento da tecnologia. “Quando começamos as pesquisas, pouco se falava sobre a possibilidade de vegetação nas lajes das edificações”, relembra Roberto. Porém, com o sistema sendo mais especificado atualmente, é possível que a compostagem através das enzimas também seja mais bem aproveitada em todo o país.

APROVEITAMENTO

Por lei, os geradores de resíduos são os responsáveis pela destinação correta de seu lixo. “E essa determinação vai ficando mais rígida com o passar do tempo”, destaca o especialista. Com isso, a utilização das enzimas não é indicada somente para shopping centers, mas sim para qualquer empreendimento que produza elevadas quantidades de resíduos orgânicos, como restaurantes ou cozinhas industriais.

Há ganhos financeiros, pois o edifício reduzirá seus gastos com a logística necessária para tratamento do lixo
Lázaro Sebastião Roberto

INVESTIMENTO

Segundo Roberto, é difícil afirmar qual é o investimento médio para a implantação e a utilização da solução. “Cada caso é singular e precisa ser estudado para determinar os valores específicos”, fala.

Entre as variáveis que influenciam no preço final, estão as análises das etapas de geração de resíduo e cálculo do volume de lixo. Além disso, há necessidade de verificar a viabilidade do projeto, que envolve a execução da estrutura necessária para a transformação do material.

VANTAGENS E DESVANTAGENS

Além dos ganhos ambientais oferecidos pela solução, por diminuir a quantidade de resíduos enviados aos aterros, a solução oferece outros benefícios para o empreendimento. A presença de área verde sobre a laje, por exemplo, auxilia no conforto térmico e acústico dos ambientes internos. “Há ainda ganhos financeiros, pois o edifício reduzirá seus gastos com a logística necessária para tratamento do lixo”, fala o profissional.

Por outro lado, uma das desvantagens tem relação com toda a preparação da laje para receber os sistemas necessários para o correto funcionamento da solução. Também pode entrar no pacote de características negativas as dificuldades em preparar os ocupantes para lidar com a tecnologia. “Podem ocorrer problemas se não forem cumpridas as responsabilidades estabelecidas em contrato. Por isso, oferecemos treinamentos e certificações para os envolvidos”, finaliza Roberto.

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Colaboração técnica

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Lázaro Sebastião Roberto – formado em Agronomia pela Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz / ESALQ – Piracicaba. É fundador e presidente da Bioideias de BioInovação em Tecnologias e Processos, criada em 2000, e sócio-diretor da Fertagro, que utiliza a tecnologia do Núcleo Biodeias para produzir insumos líquidos para agricultura dedicada à produção limpa de alimentos. É detentor da primeira patente no segmento de Tratamento e Transformação de Resíduos diversos no Brasil e detentor da primeira patente neste segmento conquistada no exterior.