Como impermeabilizar um poço de elevador? Veja dicas e recomendações

O procedimento deve ser norteado por projeto e especificação de produtos em conformidade com as normas técnicas, e ser executado por mão de obra qualificada

Publicado em: 27/04/2021

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Impermeabilização do poço de elevador
A execução da impermeabilização precisa ser feita por mão de obra qualificada (Foto: stockphoto mania/Shutterstock)

A impermeabilização do poço de elevador em obras novas pode ser feita apenas na parte interna como, também, “envelopando” a área com materiais diferentes e apropriados a cada face. Em edifícios existentes, a infiltração de água não é incomum, de acordo com o engenheiro Marcos Storte, diretor Técnico da A2S Engenharia e Perícia. “Pode ocorrer diante da proximidade da estrutura com o lençol freático e, no litoral, pela variação da maré”, diz.

O procedimento neste caso, assim como em outras estruturas enterradas em concreto, como piscinas, reservatórios, caixas de esgoto, de gordura e de retardo de águas pluviais para reúso, deve atender a um tripé de exigências, que envolve projeto, execução e produtos. “Em primeiro lugar, é preciso que tenha e use corretamente um projeto de impermeabilização, conforme exigido pela ABNT NBR 9575:2010 – Impermeabilização – Seleção e projeto. A execução precisa ser feita por mão de obra qualificada e aplicação de produtos normalizados pela ABNT e adequados para o fim a que se destina”, explica Storte. Ele recomenda, ainda, respeito à sustentabilidade, considerando a geração, a reutilização, a reciclagem e o beneficiamento dos resíduos gerados (Conama 307/2002).

Infiltração

Em prédios existentes, o monitoramento das condições de poços de elevadores está previsto na ABNT NBR 5674, que regula a gestão, o uso e a operação de edificações. A norma determina prazos específicos para inspeção de residências e edifícios em todo o período da sua vida útil. As inspeções vão desde visuais com equipe própria até a contratação de mão de obra especializada. O engenheiro destaca que, se o prédio está na garantia, o cuidado deve ser redobrado para, se necessário, cobrar da construtora.

Entre as consequências da infiltração em poço de elevador de prédio existente, ele cita o impedimento da operação do elevador e a possibilidade de corrosão das armaduras do concreto armado. Os componentes do elevador fixados no poço podem ser danificados, dependendo da eventual presença de elementos contaminantes do lençol freático, inclusive pela maresia.

A impermeabilização do poço com água vertendo é feita com o esgotamento do líquido e o uso de sistema de cristalização para suportar pressão negativa. “Esse tipo de produto reage com a água em segundos, fazendo o tamponamento do jorro d’água. É um pó já pronto para esse tipo de situação”, indica Storte, acrescentando que não há teste para avaliar se a impermeabilização foi bem executada. “Porque esse é o único caso que eu conheço em que a impermeabilização funciona ou não, porque a pressão de água está lá fora e continuará atuando”, comenta.

Obras novas

Com o ‘envelopamento’, fica mais confortável realizar as furações necessárias à instalação dos componentes do elevador, com a segurança de que não haverá infiltração
Marcos Storte

Em obra nova, é mais usual impermeabilizar apenas a parte interna do poço de elevador. Porém, o ideal é fazer o tratamento tanto por fora quanto por dentro da estrutura, havendo ou não proximidade com o lençol freático. “Com o ‘envelopamento’, fica mais confortável realizar as furações necessárias à instalação dos componentes do elevador, com a segurança de que não haverá infiltração”, ressalta Storte.

Executado no início da concretagem do poço do elevador, o “envelopamento” consiste na impermeabilização da parte interna pelo sistema de cristalização, para suportar pressão negativa, quando existe ação de lençol freático. Não existindo, é empregado o sistema de argamassa polimérica. Na parte externa, é empregada a impermeabilização pré-fabricada, do tipo manta asfáltica, manta de EPDM, manta de PVC, entre outras.

A preparação do substrato é etapa importante da execução, envolvendo limpeza rigorosa e eliminação de juntas frias de concretagem ou “bicheiras” do concreto, tanto para a impermeabilização interna quanto externa. Dentro do poço, os elementos necessários à futura operação do elevador devem ser fixados antes da impermeabilização.

Para garantir que a execução da parte interna foi satisfatória, é preciso fazer o teste de estanqueidade, enchendo o local impermeabilizado com água e mantendo o nível por, no mínimo, 72 horas, conforme determina o item 5.6 da norma ABNT NBR 9574:2008. “Já a avaliação da impermeabilização externa parte do princípio de que ali existe a ação de lençol freático. Se houve problema de execução, ficará evidente um vazamento na parte interna”, frisa.

A avaliação da impermeabilização externa parte do princípio de que ali existe a ação de lençol freático. Se houve problema de execução, ficará evidente um vazamento na parte interna
Marcos Storte

Vida útil

Marcos Storte lembra que o projeto de impermeabilização deve considerar a vida útil de projeto (VUP), período estimado para o qual um sistema é projetado, a fim de atender aos requisitos de desempenho estabelecidos na Norma de Desempenho das Habitações. E, também, a vida útil de referência (VUR), relativa aos componentes. “Estes são importantes argumentos do Instituto Brasileiro de Impermeabilização (IBI)”, afirma.

Segundo ele, não se pode fundamentar a vida útil da impermeabilização somente no produto, na execução ou no projeto. “É preciso analisar o conjunto dessas forças através do projeto de impermeabilização, que discute o que é mais adequado em produto e execução da intervenção. É preciso conhecer e ter controle dessas variáveis”, diz, lembrando a importância do acompanhamento da execução, feito por projetista contratado para a atividade ou engenheiro habilitado, a partir do que foi determinado em projeto.

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Colaboração técnica

Marcos Storte – Mestre em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, é diretor Técnico da A2S Engenharia e Perícia e possui larga experiência na área de impermeabilização e acústica. Autor de mais de 60 trabalhos apresentados em simpósios nacionais e internacionais, é professor de pós-graduação em cursos de patologia em obras civis.