Conheça 5 problemas gerenciais com os quais os engenheiros devem lidar nas obras

Falhas de comunicação, falta de informação e dificuldades com a gestão da qualidade são desafios a serem superados pelos profissionais nos canteiros

Publicado em: 02/03/2021Atualizado em: 14/10/2022

Texto: Juliana Nakamura

problemas gerenciais no canteiro de obras
Além de lidar com as tarefas do canteiro, o gerenciamento da obra também envolve administrar profissionais com formações diversificadas (foto: Piyapong Wongkam/Shutterstock)

Gerenciar uma obra está longe de ser uma tarefa simples. É preciso administrar, simultaneamente, o cumprimento de metas relacionadas a custos, prazos e qualidade. Também é necessário gerir profissionais com formações diversificadas e se antecipar a uma infinidade de imprevistos que podem acontecer.

À frente dessa missão difícil, mas muito estimulante, estão os engenheiros que coordenam as atividades nos canteiros. Em suas rotinas diárias, esses líderes precisam superar uma série de obstáculos, como listamos a seguir:

1) Dificuldades com o planejamento

Muitos dos problemas enfrentados pelos engenheiros nas obras estão associados ao atraso na entrega dos projetos, à falta de clareza de documentos e plantas e às interferências entre as disciplinas não equacionadas previamente. Como consequência dessas falhas na gestão há retrabalhos, desperdício de tempo e de esforços.

Nesse ponto, as plataformas digitais nos auxiliam na organização dos projetos, controle das revisões e na distribuição das tarefas para cada equipe
Vinícius Constantino

“Nesse ponto, as plataformas digitais nos auxiliam na organização dos projetos, controle das revisões e na distribuição das tarefas para cada equipe”, comenta Vinícius Constantino, coordenador de projetos na Novolar, construtora do Grupo Patrimar. “Essas ferramentas também são essenciais para o rastreamento de projetos, que podem ser acessados remotamente de qualquer local por projetistas, arquitetos e engenheiros”, continua Constantino.

2) Não cumprimento dos prazos previstos no planejamento

Essa é uma das maiores dores de cabeça dos coordenadores de obras e pode ser resultado de problemas diversos, como a falta de controles sobre o andamento das atividades e a baixa produtividade das equipes.

As consequências — atraso na entrega e o não atingimento das metas — podem ser bastante danosas para a imagem do profissional e da construtora. Evitar tais transtornos requer um esforço holístico que começa com a seleção de profissionais e empreiteiros terceirizados. Também é fundamental a implantação de metodologias de gestão eficazes, que assegurem visibilidade sobre a atuação das várias frentes de serviço, além de monitoramento que permita antecipar possíveis desvios de execução.

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3) Comunicação ineficiente

Os problemas de comunicação são motivos corriqueiros de falhas e conflitos no gerenciamento das obras. Por isso, vale dedicar atenção especial para garantir canais que facilitem o percurso da mensagem, a rastreabilidade das informações e a eliminação de ruídos. “A comunicação é sempre um desafio para os engenheiros nos canteiros. São muitos profissionais e muitas frentes de trabalho acontecendo ao mesmo tempo, o que eleva o risco de retrabalho e desperdícios”, comenta Ralph Montelo, diretor do produto Construpoint, da e-Construmarket.

4) Carência de dados para tomada de decisão

Um coordenador de obras toma decisões importantes a todo momento e, para fazer isso com sucesso, precisa estar respaldado em informações. O problema é que, muitas vezes, esses dados estão dispersos em vários locais. Além disso, algumas empresas ainda utilizam controles em papel, o que dificulta mais a extração de dados para a produção rápida de relatórios gerenciais.

Para solucionar essa fragilidade, há os programas de gestão de obras que permitem maior domínio sobre o processo produtivo e geração de indicadores de desempenho para apoiar a tomada de decisão no canteiro.

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5) Falhas na gestão da qualidade

No papel de líder positivo, o gestor é determinante para o desempenho de seu time e da organização. A ausência de uma rotina semanal de gestão da qualidade com as partes envolvidas é um dos problemas que colocam em risco a qualidade dos serviços realizados
Rodrigo Giacomazzi

O Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ) é um instrumento para ajudar o gestor a encontrar e corrigir processos ineficientes. Inconsistências nesses controles podem significar demora na identificação de desvios e retrabalhos.

“No papel de líder positivo, o gestor é determinante para o desempenho de seu time e da organização. A ausência de uma rotina semanal de gestão da qualidade com as partes envolvidas é um dos problemas que colocam em risco a qualidade dos serviços realizados”, destaca Rodrigo Giacomazzi, coordenador de obras da construtora Bidese. Ele lembra que os engenheiros das obras também precisam ser capazes de engajar e motivar o time de campo a preencher e gerenciar devidamente os registros da gestão da qualidade. O Sistema envolve muitos documentos, como o Plano de Qualidade de Obra (PQO), os controles de resíduos, de consumo de água e energia e de materiais no canteiro, as fichas de inspeção, entre outros.

Colaboração técnica

 
Rodrigo Giacomazzi — Engenheiro civil pós-graduado em Gerenciamento de Projetos e MBA em controladoria em finanças e em incorporações imobiliárias SP. Auditor interno ISO-9001. Coordenador de obras da Construtora Bidese com a implementação da metodologia SIM (Smart Internal Management).
 
Vinícius Constantino — Arquiteto e urbanista, é coordenador de Projetos MCMV na Novolar, construtora do Grupo Patrimar.
 
Ralph Montelo — Formado em análise e desenvolvimento de sistemas, tem experiência internacional nos EUA e na Alemanha e mais de 10 anos de vivência em obras imobiliárias e edificações. É diretor do produto Construpoint, da e-Construmarket.