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Cuidados para garantir a durabilidade de metais sanitários

Falhas nas etapas de projeto ou instalação, uso de produtos abrasivos e erros de manutenção podem provocar danos aos materiais e comprometer todo o sistema hidráulico

Publicado em: 18/02/2021

Texto: Hosana Pedroso

metais sanitários
Os metais sanitários também podem ser danificados pela baixa qualidade da água que circula pelo sistema hidráulico (foto: shutterstock/Ventura)

Na lista de problemas que afetam os metais sanitários, a oxidação figura entre os mais lembrados. No entanto, ela é apenas uma das complicações capazes de prejudicar o desempenho desses materiais. Os diferentes defeitos têm origens variadas, partindo de falhas nas etapas de projeto ou instalação, passando pelo uso de produtos em desacordo com as normas técnicas e chegando aos erros de manutenção.

“A correta especificação dos metais sanitários é fundamental para garantir sua longa vida útil”, afirma o engenheiro Roney Honda Margutti, assessor técnico do Sindicato da Indústria de Artefatos de Metais Não Ferrosos no Estado de São Paulo (Siamfesp). “Quando essas peças são instaladas em locais ou situações inadequadas, as consequências negativas têm potencial para danificar todo o sistema”, complementa.

A correta especificação dos metais sanitários é fundamental para garantir sua longa vida útil
Roney Honda Margutti

São situações que parecem simples, como uma torneira vazando, com revestimento deteriorado ou que constantemente lida com temperaturas diferentes das recomendadas pelo fabricante — produto para água fria em sistema de aquecimento, por exemplo. “Se os problemas não receberem a atenção devida, o cenário pode piorar, com uma tubulação estourando ou por meio da perda de conexão com os demais componentes”, diz Margutti.

Relação entre oxidação e manutenção

A oxidação pode ocorrer nos metais sanitários devido às características do ambiente onde são instalados, com altos índices de umidade e contato direto com a água. Para evitar que a oxidação se desenvolva, os produtos devem estar em conformidade com a ABNT NBR 10283 — Revestimentos de superfícies de metais e plásticos — Requisitos e métodos de ensaio, norma técnica que foi revisada em novembro de 2018.

“Vale ressaltar que, em nível mundial, por meio das normas ISO, os ambientes são classificados por Classes de Serviço, que podem ser ampliadas para a aplicação dos metais sanitários. No momento, há o entendimento que devemos atender aos requisitos relacionados à Classe de Serviço SC2 — ambientes internos onde a condensação pode ocorrer, conforme informação presente na ISO 1456:2009”, destaca o especialista.

Mesmo os metais sanitários que cumprem as determinações das normas estão sujeitos à oxidação. Isso acontece quando sua proteção é danificada por procedimentos inadequados de manutenção, com destaque para o uso de materiais e produtos de limpeza agressivos. “São comuns problemas causados pela utilização de esponjas abrasivas que arranham e deterioram os revestimentos das peças”, exemplifica Margutti.

No mercado, existem inúmeros produtos que prometem limpeza sem esforço, mas que têm cloro ativo na fórmula. “Eles não devem ser empregados nos metais e plásticos sanitários, pois são corrosivos e atacam as superfícies dos componentes”, adverte o engenheiro. O mesmo acontece com as soluções que possuem ácido muriático, comum em produtos de limpeza pós-obra e que também são corrosivos.

São comuns problemas causados pela utilização de esponjas abrasivas que arranham e deterioram os revestimentos das peças
Roney Honda Margutti

As informações dos materiais de limpeza que podem ser utilizados constam nos manuais técnicos e embalagens dos metais sanitários. De maneira geral, o ideal é um pano úmido e sabão ou detergente neutro. Caso o usuário perceba que as torneiras ou outras peças têm pontos de oxidação, o fabricante consegue identificar se a manutenção inadequada foi a causa do problema, procurando por marcas de esponjas ou manchas de ataques químicos.

Qualidade da água

A qualidade da água que circula pelo sistema hidráulico também é capaz de danificar os metais sanitários, principalmente quando carrega impurezas ou tem pressão acima do ideal. “Se a pressão for elevada, podem surgir vazamentos. Os níveis aceitos em instalações prediais estão previstos na ABNT NBR 5626 — Sistemas prediais de água fria e água quente — Projeto, execução, operação e manutenção”, afirma o especialista.

Já em sistemas de abastecimento, a pressão é definida pela ABNT NBR 12218 — Projeto de rede de distribuição de água para abastecimento público — Procedimento. “Os problemas que envolvem os níveis de pressão ocorrem de maneira mais frequente em instalações hidráulicas prediais ligadas diretamente na rede de abastecimento da concessionária de saneamento”, informa o engenheiro.

Quando os reservatórios e tubulações não são lavados da maneira ou na frequência ideal, a água tende a carregar impurezas dentro do sistema. Essa sujeira acaba se acumulando em componentes como os arejadores, resultando na redução da vazão e até mesmo obstruindo completamente a passagem da água. “Também, por esse motivo, são fundamentais as manutenções periódicas que o usuário deve realizar”, comenta Margutti.

Menos comum, mas também importante, é a temperatura da água. Podem ser encontrados no mercado produtos como aquecedores de passagem, que são instalados em sistemas preexistentes e que nem sempre estão preparados para a água quente. Por isso, antes de qualquer procedimento, é necessário estudar todo o sistema para garantir que nenhuma situação indesejada será criada com a presença da nova peça.

Outras peças metálicas no banheiro

Há outras peças metálicas no banheiro que demandam atenção, como as ferragens do boxe. Essas são comercializadas em kits e, antes de adquiri-las, é necessário garantir que foram fabricadas para aplicação em ambientes molhados. A principal recomendação é optar pelas soluções que receberam pintura eletrostática, dispensando cuidados adicionais para suportar os efeitos nocivos da umidade.

Semelhante aos metais sanitários, a limpeza dessas ferragens não pode ser realizada com materiais abrasivos ou produtos químicos. Novamente, a combinação entre pano úmido e sabão neutro é o ideal, sendo que também tem espaço uma esponja macia. Em caso de defeitos nesses produtos, é possível substituir o kit por outro semelhante e manter o mesmo vidro que fazia parte do sistema anterior.

Normas e manuais técnicos

Os fabricantes de metais sanitários precisam disponibilizar todas as informações referentes às boas práticas de manutenção de seus produtos. Assim, os fornecedores resguardam a própria segurança e também atendem ao Código de Defesa do Consumidor (CDC). “Em certas situações, as empresas até mesmo ampliam os prazos de garantia para períodos maiores do que os 12 meses ditados pelo CDC”, afirma o engenheiro.

A extensão da garantia costuma vir acompanhada de exigências adicionais, como a utilização de peças originais e as manutenções recorrentes. “Geralmente, também são descontados os desgastes naturais de uso”, fala Margutti, lembrando que a Vida Útil de Projeto (VUP) mínima de instalações hidrossanitárias, de gás, de combate a incêndio, de águas pluviais, elétricas e embutidas é de 20 anos. “Porém, para componentes desgastáveis e de substituição periódica, como gaxetas, vedações e guarnições, a VUP mínima é de três anos”, completa.

Para confirmar se o metal sanitário está em conformidade com suas respectivas normas, é possível solicitar junto ao fabricante a certificação do Organismo de Certificação de Produtos (OCP) do Inmetro, no âmbito do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade (SBAC) e/ou o atestado de qualificação do Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H). “Outro caminho é verificar a relação de não conformidades apontadas nos relatórios setoriais do PBQP-H”, conclui Margutti.

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Colaboração técnica

Roney Honda Margutti – graduado em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da USP, tem especialização em Administração de Negócios pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e MBA Executivo em Gestão Empresarial e Inovação pelo B.I. International, com módulos internacionais pela Babson School Executive Education e Columbia University. Tem mais de 18 anos de experiência em elaboração e gestão de Programas Setoriais de Qualidade e implantação de laboratórios de ensaios acreditados pelo INMETRO nas Escolas SENAI e L.A. Falcão Bauer. Desde 2003, trabalha no Sindicato da Indústria de Artefatos de Metais Não Ferrosos no Estado de São Paulo (Siamfesp). É membro da Câmara Ambiental da Indústria Paulista da FIESP - Federação das Indústrias do Estado de São Paulo. Atua ainda para os PSQs de Fechaduras e de Metais Sanitários no âmbito do PBQP-H – Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade do Habitat, do Ministério das Cidades do Governo Federal.