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Edifícios zero energy: eficiência e autogeração renovável

Construção de edifícios autossuficientes requer o uso de múltiplas estratégias para reduzir o consumo e gerar energia

Publicado em: 03/08/2021Atualizado em: 06/08/2021

Texto: Juliana Nakamura

Centro de logística e distribuição da Coca-Cola, em Uberlândia (MG)
O centro de logística e distribuição da Coca-Cola, em Uberlândia (MG), é um exemplo de edifício autossuficiente (Foto: Divulgação/Coca-Cola)

A demanda de energia nas construções ao longo de sua vida útil gera impactos ao meio ambiente e implica em custos de operação cada vez mais elevados. No Brasil, o percentual de energia consumida associada a edificações é de quase 50%, segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

É nesse contexto que os edifícios Zero Net Energy adquirem maior relevância. Incorporadas à estratégia de países desenvolvidos, como Alemanha, Noruega e Estados Unidos, essas construções têm o saldo energético zerado, ou seja, produzem energia suficiente para o consumo. Tal condição é obtida por uma combinação de alta eficiência energética e geração por fontes renováveis.

EXEMPLOS NO BRASIL

Os edifícios Zero Energy se dividem em dois subgrupos: há aqueles totalmente autossuficientes (Net Zero Site Energy) e os que não conseguem gerar tudo o que consomem, mas cobrem esse déficit com a aquisição de energia de fontes renováveis externas (Net Zero Source Energy). Há, ainda, os edifícios de saldo positivo, que criam um excedente de energia que pode ser devolvido para a própria rede elétrica ou vendida.

No Brasil, há exemplos de edifícios de diferentes tipologias classificados como autossuficientes, alguns deles, inclusive, certificados com selos como o LEED Zero Energy e GBC Brasil Zero Energy.

Um exemplo é o centro de logística e distribuição da Coca-Cola, em Uberlândia (MG). A condição net zero da unidade foi conquistada com estratégias, tais como a utilização de uma cobertura termoisolante, que permite a entrada de luz natural por meio de domus prismáticos, e a construção de uma usina fotovoltaica com capacidade de geração anual prevista de 311.640 KWh.

No Paraná, o governo do estado está desenvolvendo um programa para fazer com que as edificações públicas sob sua gestão sejam energicamente autossuficientes. Em um primeiro momento, o programa atenderá a 246 edificações presentes em sete cidades paranaenses.

MENOS CUSTOS DE OPERAÇÃO

Considerando que vivemos uma crise hídrica com aumentos crescentes no custo de energia, é esperado que a demanda por edificações mais eficientes cresça ainda mais
Guido Petinelli

O zero energy é aplicável a projetos de diferentes portes – de escolas e residências a edifícios comerciais e indústrias. Embora o conceito reflita uma preocupação com a sustentabilidade, o que mais impulsiona a busca por esses edifícios no Brasil é o interesse em reduzir custos operacionais.

“Considerando que vivemos uma crise hídrica com aumentos crescentes no custo de energia, é esperado que a demanda por edificações mais eficientes cresça ainda mais”, analisa Guido Petinelli, CEO da Petinelli. A consultoria é responsável pelo primeiro empreendimento certificado com o LEED Zero Energy, no caso, a própria sede em Curitiba (PR), com 400 m² e produção fotovoltaica.

A viabilidade dos empreendimentos “zero energia” começa com um trabalho para reduzir ao máximo o consumo elétrico. “É preciso diminuir a necessidade de investimento em geração local. A matemática é simples. Tudo aquilo que deixamos de consumir se reverte em menos gastos para produzir energia”, comenta Petinelli, reforçando que a aferição do status zero energy é bastante objetiva. Comparam-se os dados de consumo e geração em um determinado período. “A partir daí, ou o edifício é zero energy, ou não é”.

Para isso, a concepção de novas edificações pode se valer de tecnologias avançadas, como a simulação computacional para analisar a incidência solar e definir a melhor orientação. Outras estratégias são o tratamento das envoltórias envidraçadas com dispositivos de sombreamento, a especificação de elevadores e outros equipamentos com foco em eficiência, além da utilização de sistema de iluminação controlado por fotossensores, que ajustam a potência das luminárias conforme o nível de luminosidade no ambiente.

Edifícios zero energy não podem prescindir, ainda, de sistemas de climatização e ventilação de alto desempenho, bem como de soluções de automação para o gerenciamento do consumo de energia ao longo da operação.

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GERAÇÃO DE ENERGIA LIMPA

Em locais cuja cobertura é sombreada por prédios vizinhos, a produção fotovoltaica pode ser comprometida
Guido Petinelli

Contudo, o zero energy não pode ser atingido somente com estratégias de eficiência. O projeto deve contemplar, naturalmente, a produção de energia limpa, por meio dos raios solares, dos ventos ou da biomassa, entre outras tecnologias.

Em função da disponibilidade, do custo e da acessibilidade, a geração fotovoltaica é a mais utilizada em construções autossuficientes. “Mas em alguns edifícios, aproveitar-se dos raios solares pode ser mais difícil”, comenta Petinelli. Ele explica que fatores técnicos, como a área de telhado disponível, devem ser considerados no estudo de viabilidade. “Em locais cuja cobertura é sombreada por prédios vizinhos, a produção fotovoltaica pode ser comprometida”, finaliza.

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Colaboração técnica

Guido Petinelli
Guido Petinelli — Arquiteto formado pela McGill University e membro fundador do GBC (Green Building Council) Brasil. É CEO da Petinelli, consultoria para a certificação de projetos e empreendimentos sustentáveis.