Muros podem ser feitos com diferentes materiais e acabamentos

Alvenaria, pedra, tijolo à vista, e até vidro podem ser usados em empreendimentos residenciais, corporativos e comerciais

Publicado em: 27/02/2014Atualizado em: 06/03/2014

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Muros

“Muros, um mal necessário”. É como define o arquiteto Roberto Candusso, explicando: “Esse recurso é diretamente proporcional à falta de segurança das cidades. Se formos estudar as sociedades desenvolvidas e altamente seguras, o muro é totalmente dispensado. As pessoas sabem exatamente onde começam e terminam as suas propriedades e não precisam se proteger dos vizinhos ou de quem passa pela rua. Quanto maior a insegurança, maiores são os muros”.

Essa insegurança pode ser constatada na arquitetura, ao longo da história da cidade de São Paulo. “Antigamente, se via casarões com muros de 90 cm de altura. Agora eles estão cada vez mais altos, se tornando uma barreira. É um elemento antiestético e cabe aos arquitetos torná-los mais bonitos, com acabamentos. Mas é uma barragem, é antissocial”, diz Candusso.

Tipos de muros

E quando se chega a uma área mais exposta, tanto em condomínios comerciais quanto residenciais, os arquitetos gostam muito de conferir certa transparência aos muros – usando grades de ferro, composições de alumínio com vidro e etc. –, onde as pessoas que passam pela rua conseguem visualizar um belo jardim, por exemplo, construído na frente do empreendimento. Só que existem os inconvenientes. Não é qualquer vidro que pode ser usado para a construção de muros. O ideal são os temperados, mais espessos para oferecer maior resistência, e que são mais caros (não são todos os empreendimentos que estão dispostos a pagar)

Todos os muros têm como principal função proporcionar segurança. Segundo o arquiteto, o uso da pedra, que começou a ser empilhada na idade média, é muito comum nos dias de hoje. “O de pedra, apesar de não ser o mais barato, é visualmente forte”, comenta.

Outros muros comuns pelas cidades atualmente são feitos em alambrado com arame farpado; de madeira; mourões de concreto com placas; pilares de concreto com as chapas encaixadas; muro de bloco de concreto; muro com pilares de tijolo a vista; em alvenaria revestidos com pastilhas, cerâmicas e pintados. “E quando se chega a uma área mais exposta, tanto em condomínios comerciais quanto residenciais, os arquitetos gostam muito de conferir certa transparência aos muros – usando grades de ferro, composições de alumínio com vidro e etc. –, onde as pessoas que passam pela rua conseguem visualizar um belo jardim, por exemplo, construído na frente do empreendimento. Só que existem os inconvenientes. Não é qualquer vidro que pode ser usado para a construção de muros. O ideal são os temperados, mais espessos para oferecer maior resistência, e que são mais caros (não são todos os empreendimentos que estão dispostos a pagar)”, afirma Candusso.

 

Tendência

A transparência virou uma tendência. “Atualmente os ladrões não pulam muros, eles entram juntamente com as pessoas nas residências ou escritórios. E a transparência proporciona que, mesmo depois de os moradores entrarem no local, as pessoas que passam pela rua ainda consigam enxergar o que está acontecendo no ambiente interno. Assim, muita gente recomenda, inclusive as empresas de segurança, que não se bloqueie totalmente os empreendimentos”, diz o arquiteto.

De acordo com Candusso, comparando construções comerciais e residenciais do mesmo porte, os comerciais sempre aceitam uma transparência maior. “O uso do vidro, integrando o ambiente interno ao externo, torna o espaço mais agradável. O acesso – entrada e saída – dos empreendimentos comerciais é muito mais simples do que o de uma residência. A sensação de proteção em uma casa deve ser maior. E isso passa a fazer parte, inclusive, do conjunto de itens interessantes do empreendimento. Quem compra se encanta com a localização, tipo de empreendimento, planta, equipamento social existente dentro e com a segurança também – atualmente ela já se tornou uma argumento de venda”, explica.

A escolha do muro é sempre feita pelo arquiteto em parceria com o proprietário do edifício, levando em consideração a questão da segurança que é muito pessoal. “Cabe ao profissional ouvir e atender à necessidade do cliente. Inclusive, várias vezes, as pessoas vêm com histórias de fatos acontecidos com elas e o que fazemos é atender as solicitações. É a junção do bom senso estético com o desejo do cliente”, comenta Candusso.

Pessoalmente, eu gosto muito de esconder os muros, o que pode ser feito com vegetação. Para isso basta plantar hera, que em dois, três anos vai deixar o muro totalmente coberto e ficará maravilhoso. Eu sou fã do verde, dos materiais naturais e do vidro

Acabamentos

Para transmitir a sensação de segurança, muros feitos com elementos sólidos são os mais usados no mercado. Como é o caso da pedra, ferro, gradil de ferro trabalhado, que é um elemento nobre, ou concreto. “Pessoalmente, eu gosto muito de esconder os muros, o que pode ser feito com vegetação. Para isso basta plantar hera, que em dois, três anos vai deixar o muro totalmente coberto e ficará maravilhoso. Eu sou fã do verde, dos materiais naturais e do vidro”, afirma o arquiteto.

Manutenção

Segundo ele, quanto mais caro for o muro mais complicada será a manutenção. “O vidro, por exemplo, por causa da poluição, chuva, pó, exige uma mão de obra muito maior para deixá-lo limpo, transparente e bonito, e deve ser limpo com água. Já em um muro feito de gradis de ferro, para garantir que não enferruje ou oxide com o tempo, é preciso raspar, passar um fundo de proteção conta ferrugem e depois pintar. Já os muros de pedras devem ser limpos com uma lavadora a vapor de alta pressão”, conclui.

 

Realidade brasileira

A prefeitura de São Paulo, que há 20 anos limitava os muros a 1,80 m, hoje limita a 4 m de altura na fachada principal e 3 m de altura na lateral. “Essa é a única legislação existente para muros. Não há uma norma técnica. O que acontece é que quando um muro possui um componente técnico mais complexo, como o de arrimo, aí sim há a norma técnica de concreto para que ele suporte a terra. E quando há um muro muito alto, é preciso estruturá-lo para que ele se aguente. As normas técnicas existentes são de execução de estruturas complexas”, explica Candusso.

Colaborou para esta matéria

Roberto Candusso – Nascido na Itália, veio muito jovem para o Brasil. Encantado e com muita aptidão para desenho, ingressou na carreira arquitetônica muito antes de formar-se em arquitetura em 1979. Hoje preside a empresa Candusso do qual foi fundador em 1976 junto com seu filho, o também arquiteto Renato Candusso, desenvolvendo projetos nos mais diferentes nichos e regiões do Brasil. Com uma equipe atual de 70 profissionais, seu escritório tem mais de 2500 obras concluídas.