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O que há de novo em equipamentos autônomos e remotos

A tecnologia da operação remota, mais simples que a dos autônomos, já está em uso por algumas construtoras no Brasil. A solução é indicada para situações de risco ao operador da máquina

Publicado em: 20/10/2022

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

foto de uma pessoa segurando uma espátula e uma tabua com argamassa líquida em cima
(Foto:Shutterstock)

A tecnologia dos equipamentos autônomos para a construção civil é ainda incipiente no Brasil, estando mais presentes nos setores agrícolas e na mineração. Paulo Oscar Auler Neto, vice-presidente da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema), informa que existem dois tipos básicos dessa tecnologia: autônomos e com operação remota.

“Os equipamentos autônomos geralmente não têm cabine e operam totalmente sem a presença de operadores, seguindo um ciclo repetitivo e predefinido. O equipamento é guiado por meio de sensores e câmeras que vão lendo marcações feitas ao longo da rota ou por posicionamento via satélite”, explica o especialista, acrescentando que são sistemas bastante caros e sofisticados.

Mais simples, os equipamentos de operação remota podem ser operados à distância, muitas vezes a mais de 1 km, por operadores localizados em cabines de comando instaladas em furgões, containers ou mesmo escritórios. Outra forma é a operação por controle remoto, estando o operador a uma distância visual do equipamento.

“Há vários níveis de controle, desde os mais requintados aos mais simples, compostos por sensores, comunicadores e câmeras”, diz. Eles permitem visualizar as atividades do equipamento em todos os ângulos e saber sua posição geográfica pela tela do computador. Permitem, também, acesso de forma digital ao painel de comando do equipamento, visualizando todas as funções em tempo real e acionando todos os comandos, como se estivesse presencialmente na cabine.

“É importante ressaltar que a operação remota de uma atividade requer muito mais do que a adaptação do equipamento”, alerta Auler, referindo-se à necessidade de todo o entorno da atividade estar preparado para essa nova situação.

É importante ressaltar que a operação remota de uma atividade requer muito mais do que a adaptação do equipamento
Paulo Oscar Auler Neto

Os equipamentos devem ser preparados para não falharem no local de trabalho. E, mesmo se falharem, deve ter um sistema de resgate, também por operação remota, para remover o equipamento da área de risco sem a necessidade da presença de um operário. “As redes de comunicação devem ser robustas, com respostas em tempo real e com sistemas de redundância para garantir a segurança da operação”, ressalta.

Teoricamente, os sistemas de operação remota podem ser instalados em todos os tipos de equipamentos. Os mais comuns são os caminhões basculantes, carregadeiras, escavadeiras e tratores de esteiras. Para os serviços de demolição, os mais comuns são as minicarregadeiras e as miniescavadeiras.

“Pelo alto custo envolvido, as operações remotas são pontuais e dedicadas a uma área específica de cada projeto, deslocando a menor distância possível e usando poucos equipamentos. As demais operações são executadas normalmente pela metodologia convencional”, adverte.

Pelo alto custo envolvido, as operações remotas são pontuais e dedicadas a uma área específica de cada projeto, deslocando a menor distância possível e usando poucos equipamentos
Paulo Oscar Auler Neto

Onde já operam

Atualmente, equipamentos autônomos estão em teste ao redor do mundo, principalmente na Europa, África do Sul, Chile e Japão, entre outros, trabalhando no setor de mineração e pedreiras. “No Brasil, em uma mina da VALE, há caminhões fora de estrada de grande capacidade com operação autônoma”, conta Auler.

As operações remotas mais emblemáticas foram as máquinas que trabalharam no descomissionamento de algumas barragens da VALE na região de Mariana e Brumadinho. Há, ainda, algumas máquinas trabalhando com demolições de alto risco. “Sem falar do setor agrícola, que foi o pioneiro neste tipo de aplicação, com várias colheitadeiras e plantadeiras”, diz.

Ainda em teste pelos fabricantes, os equipamentos autônomos não estão disponíveis para venda em escala comercial. Já os equipamentos com operação remota são comercializados no exterior e, também, no Brasil. “Temos algumas tecnologias básicas nesse sentido, porém grande parte do desenvolvimento ainda vem do exterior”, fala.

Usos e vantagens

A operação remota ou autônoma é a mais indicada para qualquer situação em que o operador esteja em risco. São vários os casos: encostas instáveis, altas temperaturas (siderurgia), demolições, barragens instáveis, pântanos, regiões com risco de desmoronamento, regiões alagadas, operações militares com risco de explosão como limpeza de áreas minadas, entre outras.

A vantagem dessa tecnologia é a possibilidade de utilizar equipamentos em operações em locais de alto risco de acidente, preservando não somente vidas, mas também os ativos das empresas. “A questão principal é que essa tecnologia permitiu a execução de atividades de forma segura, onde antigamente vidas humanas eram colocadas em risco”, avalia.

A desvantagem é o alto custo da instalação e de toda a infraestrutura exigida. “O custo de aquisição do kit de operação remota ou mesmo de um equipamento autônomo pode custar o dobro do valor de um equipamento similar convencional, inclusive para locação”, afirma Auler, lembrando que os valores tendem a se reduzir com a disseminação da tecnologia.

Na construção civil

Algumas construtoras e empreiteiras brasileiras já estão utilizando o sistema remoto, enquanto outras virão em pouco tempo. “Essa operação por si só não requer grandes preparações por parte das construtoras. As grandes mudanças estão no equipamento e na infraestrutura necessária para que ele opere desta forma”, observa.

Os fabricantes têm mostrado alguns equipamentos autônomos para os setores da construção, mineração e agrícola. Porém, ainda são protótipos e necessitam de mais desenvolvimento para serem vendidos normalmente em maior escala. Têm como base um equipamento convencional no qual a tecnologia é aplicada e a cabine de operação é retirada.

“Já para aqueles de operação remota, bem mais comuns e já presentes no nosso dia a dia, o equipamento original é dotado com os sensores e sistemas de comunicação, que permitem a operação à distância. A cabine de operação é preservada, para que seja operado normalmente caso necessário desativar o sistema remoto”, expõe.

O advento dessa tecnologia não prejudica o mercado de trabalho dos profissionais. “Os novos operadores de equipamentos controlados remotamente terão que se capacitar, dando um passo de evolução em sua profissão”, conclui Auler.

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Contato

Sylvia Mie (Mecânica de Comunicação Ltda) / sylvia@meccanica.com.br

Colaboração técnica

Paulo Oscar Auler Neto –Engenheiro mecânico graduado pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG (1982), com MBA em gestão empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Cerca de 43 anos dedicados ao ramo da construção civil pesada, tendo atuado em vários projetos de grande porte no Brasil e no exterior. É membro da diretoria da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema) desde 1995. Em 2009, foi eleito vice-presidente e membro do Conselho de Administração, posição exercida até o momento. Trabalhou na Construtora Mendes Junior por 9 anos e na Construtora Norberto Odebrecht S/A. e suas coligadas por 31 anos, sendo que nos últimos 16 anos ocupou a função de superintendente de Aquisição de Equipamentos. Liderou o processo de aquisição de mais de 7 mil equipamentos pesados no valor de aproximadamente US$ 3,20 Bi. Atualmente presta serviços de consultoria sobre gestão de frotas e assuntos técnicos relacionados à equipamentos.