Por que é tão importante fazer a manutenção dos sistemas contra incêndio?

O procedimento é essencial para que os componentes estejam aptos a detectar e dar o alarme. O mesmo vale para os equipamentos de combate ao fogo

Publicado em: 19/08/2021Atualizado em: 21/09/2021

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Manutenção dos sistemas contra incêndio
As necessidades de manutenção dos equipamentos são proporcionais às dimensões do sistema
(Foto: JUNESAMA/Shutterstock)

Regulados pela norma técnica ABNT NBR 17240:2010, os sistemas de detecção e alarme de incêndio devem passar por manutenção preventiva e corretiva com frequências variáveis. De acordo com o engenheiro Telmo Brentano, autor de livros sobre o assunto, negligenciar o procedimento pode resultar em tragédia. “É preciso observar a periodicidade da manutenção e executá-la”, lembra.

É preciso observar a periodicidade da manutenção e executá-la
Telmo Brentano

A preocupação é acompanhada por Cesar Dalbao, gerente Comercial da Ecosafety Engenharia de Incêndio, que considera um risco elevado adiar ou evitar o procedimento. “Quando as manutenções periódicas não são realizadas, como saber se o sistema estará apto para o combate a um eventual incêndio?”, indaga.

Brentano identifica as medidas fundamentais que as edificações de qualquer segmento devem adotar para a prevenção de incêndios:

• Instalações de proteção contra incêndio previstas pela legislação estadual, seja de edificação a construir ou adaptação de edificação existente;
• Manutenção constante dos equipamentos;
• Brigada de incêndio, formada de acordo com a legislação estadual vigente, atuante e responsável pela segurança contra incêndio da edificação;
• Treinamento periódico dos ocupantes da edificação para situações de emergência.

“Na realidade, tudo isso não é observado por culpa dos próprios moradores dos edifícios residenciais. Deve haver uma conscientização de todos e uma liderança forte para levar adiante essa ideia”, observa.

Componentes do sistema

De acordo com os especialistas, cada tipo de edificação se classifica num grupo de risco, critério que define o sistema a ser adotado. “O risco deve ser analisado e o projeto do sistema deve estar em conformidade com as normas técnicas nacionais e internacionais”, diz Dalbao.

Ele lista os principais equipamentos dos sistemas de combate a incêndios, comuns a ambientes comerciais e industriais, com poucas variações: central de alarme, acionadores manuais, detectores de fumaça e ou térmico (dependendo do local), módulos e sirenes. Para combate ao fogo, entram os extintores portáteis, sistema de hidrantes e sprinklers.

Nas áreas de missão crítica, como data centers, centro de processamento de dados e salas elétricas, são acrescentados os detectores pontuais de fumaça e os detectores por aspiração de alta sensibilidade. O combate ao fogo, neste caso, deve ser feito por agentes limpos (gases não condutores elétricos) listados na norma americana NFPA 2001.

Funções dos componentes

A central de alarme é responsável pelo monitoramento de todos os dispositivos instalados, recebendo e enviando comandos. Já os detectores de fumaça e temperatura têm a função de reconhecer qualquer anormalidade e informar a central de alarme
Cesar Dalbao

Dalbao ressalta que todos os componentes fazem parte de um único sistema, portanto, merecem manutenção individualizada. “A central de alarme é responsável pelo monitoramento de todos os dispositivos instalados, recebendo e enviando comandos. Já os detectores de fumaça e temperatura têm a função de reconhecer qualquer anormalidade e informar, automaticamente, a central de alarme”, explica.

O especialista acrescenta que os acionadores manuais, operados por ação humana, informam a central de alarme sobre emergências. As sirenes e ou indicadores sonoros/visuais têm a função de sinalizar o ambiente para um alerta ou abandono, dependendo do plano de emergência de cada ambiente residencial, corporativo, comercial e institucional. Os sistemas de hidrantes, sprinklers, agentes limpos e extintores portáteis atuam na extinção do incêndio, preservando vidas e patrimônio.

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Manutenção preventiva e corretiva

Brentano afirma que as necessidades de manutenção dos equipamentos são proporcionais às dimensões do sistema, sempre de acordo com a classificação de risco da edificação. “A preventiva é determinada pelo fabricante do equipamento ou pela legislação”, diz. Por exemplo, os extintores de incêndio devem ser inspecionados visualmente a cada 30 dias, para verificar se estão em boas condições. O agente extintor deve ser inspecionado anualmente, ou a cada dois anos de acordo com seu tipo. “Se já não apresentar boas condições de uso, a manutenção corretiva prevê a sua substituição”, orienta.

O capítulo 10 da NBR 17240, ao tratar da manutenção, recomenda a realização de testes trimestrais em 100% dos componentes: central de alarme, acionadores manuais, sirenes e ou indicadores sonoros/visuais, módulos, comandos, sistema de combate. “E, para cada vistoria trimestral, deve ser feita a manutenção preventiva em, pelo menos, 25% dos detectores de fumaça e térmicos, entre outros, totalizando 100% em um ano”, explica Dalbao, alertando que diante de qualquer problema encontrado, seja feita a manutenção corretiva imediata, para que não se prolongue a condição de falha no sistema.

Ele diz, ainda, que as manutenções devem ser realizadas por técnicos treinados e habilitados conforme item 10.1 da NBR 17240. Brentano ressalva que, em prédios residenciais, o responsável pela manutenção pode ser um morador, o síndico, o zelador ou um empregado. “No caso de indústria de grande porte com vários edifícios, por exemplo, a manutenção será feita por empresa especializada, que poderá executá-la durante a parada técnica anual”, fala.

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Colaboração técnica

Cesar Dalbao
Cesar Dalbao – Atua na área de prevenção e combate a incêndio desde outubro de 2002, em instalações e manutenção de sistema de alarme, detecção e combate em diversos segmentos. É responsável pelo Departamento de Manutenção e Serviços da Ecosafety Engenharia de Incêndio, onde também responde pela gerência Comercial. A empresa opera em todo o território nacional e acumula experiência de atividades no exterior, com especialidade na implantação de sistemas de detecção e combate a incêndio em áreas de missão crítica.
Telmo Brentano
Telmo Brentano – É Engenheiro Civil formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com especialização em Hidrologia Aplicada e Construção Civil. Ex-professor das Faculdades de Engenharia e Arquitetura e Urbanismo da PUCRS e da UFRGS. Autor dos livros “Instalações Hidráulicas de Combate a Incêndios nas Edificações”, lançado em abril de 2004, e "A Proteção Contra Incêndios no Projeto de Edificações", de outubro de 2007. Ministra cursos de atualização para profissionais de engenharia e de arquitetura e urbanismo nas áreas de instalações hidráulicas prediais, instalações hidráulicas de combate a incêndio nas edificações e proteção contra incêndios nos projetos de edificações.