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Por que usar aquecimento solar de água em hotéis?

Além de reduzir os custos dos empreendimentos, o sistema de aquecimento solar da água ajuda a diminuir o impacto ambiental, atraindo a atenção dos hóspedes. Entenda

Publicado em: 27/04/2021

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Sistema de aquecimento solar de água
O sistema alcança o payback em cerca de dois anos (Foto: FOTOGRIN/Shutterstock)

O banho confortável, com água abundante e quente é um dos principais atrativos dos hotéis. Os custos do aquecimento da água do chuveiro, spa e piscinas feito com energia elétrica ou gás se equivalem e pesam, podendo alcançar até 20% da despesa fixa mensal da empresa. “Os hotéis que optam pelo sistema de aquecimento solar da água (SAS) ficam, praticamente, isentos desse custo fixo. Somente nos dias nublados, mesmo que frios, terão que utilizar o apoio de outras fontes de energia”, explica Oscar de Mattos, presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Térmica (Abrasol). A economia feita torna a atividade mais lucrativa e o hotel mais competitivo.

Os hotéis que optam pelo sistema de aquecimento solar da água (SAS) ficam, praticamente, isentos desse custo fixo. Somente nos dias nublados, mesmo que frios, terão que utilizar o apoio de outras fontes de energia
Oscar de Mattos

A associação tem apurado o nível de satisfação da parcela do setor que aderiu ao SAS. Em comum, os hoteleiros relatam a redução de custo e consequente aumento de margem de lucro e a água aquecida como fator de fidelização dos hóspedes. “A adoção da fonte energética solar tem, ainda, o apelo ambiental e sustentável, prioridade dos hóspedes estrangeiros que privilegiam esses valores nas suas escolhas de consumo. Eles não têm dúvida diante de um hotel que aquece a água a lenha e outro com energia limpa”, comenta.

Mattos se refere à prática empregada ainda hoje por hotéis mais antigos, que têm seu fornecedor de eucalipto e caldeiras para a combustão e geração de energia que vai aquecer a água. “São hotéis com boa apresentação e serviços aos hóspedes, mas que têm um backoffice sujo”, diz, acreditando que essa solução está com os dias contados, pois o espaço onde é armazenada a lenha poderia ser destinado a outros atrativos de hospedagem, além de exigir mão de obra para operar o processo de queima e limpeza dos resíduos.

Detalhes técnicos do SAS

A adoção da fonte energética solar tem, ainda, o apelo ambiental e sustentável, prioridade dos hóspedes estrangeiros que privilegiam esses valores nas suas escolhas de consumo
Oscar de Mattos

A tecnologia do sistema de aquecimento solar evoluiu nos últimos 20 anos, resultando em menor prazo de amortização do investimento, com payback alcançado em torno de dois anos. “O coletor solar partiu de uma eficiência energética de cerca de 48% e já chegou a 70%, mas seu custo não subiu”, indica. A maior eficiência acaba por exigir cada vez menos espaço para a instalação das placas solares, para aquecer o mesmo volume de água.

Cada coletor solar para banho tem 2 m² de área externa e produz 196,2 KWh/mês. É constituído por uma caixa metálica fechada pelo vidro, que cumpre o papel de superfície absorvedora da radiação solar, transmitida para a tubulação interna por onde corre a água, aquecendo-a.

“Quanto melhor essa junção da placa de absorção com a tubulação, melhor é a troca de energia e, portanto, a eficiência energética”, destaca Mattos, explicando que os coletores térmicos antigos eram apenas encaixados na tubulação. Hoje, a conexão é executada com solda por ultrassom ou máquinas que fazem os encaixes com grande precisão. A mesma tecnologia é empregada nos coletores para piscina, que têm área de 2,64 m², com eficiência energética média de 76% e produção mensal de energia de 264 KWh.

Instalação nos hotéis

Apesar de todas as vantagens que representa para os hotéis, o segmento inserido no setor de serviços consome apenas 2% de toda a produção nacional. O ranking é liderado pelo setor residencial que responde por 65% do mercado, seguido pelo comercial com 14%, projetos sociais com 12% e industrial com 7%. A produção de energia solar térmica acumulada, no Brasil, entre 1995 e 2019 chega a 12447 MWth.

Entre outras razões, a prevalência do sistema solar em residências se explica pela facilidade e rapidez de implantação do sistema. O mesmo ocorre em obras novas de hotéis, até porque se tornou comum a previsão do SAS na etapa de concepção do projeto. No caso de hotel já existente, é preciso planejar, evitando períodos de maior ocupação. “Se o hotel tem caldeira a vapor ou elétrica, por exemplo, terá que fazer algumas intervenções, que são simples, mas que pedem o mínimo trânsito de pessoas”, diz.

Esse sistema centralizado servirá para armazenar a água que segue para o coletor e retorna quente para distribuição aos pontos de consumo. Se necessário aumentar o volume da caldeira, é adicionado outro reservatório. “A potência da caldeira convencional utiliza muito combustível e esquenta rápido, portanto, armazena menor volume de água. Já o aquecimento solar térmico vai aquecer a água por 6 a 8 horas por dia, o que permite reservar maior volume”, expõe.

A instalação dos coletores para água de banho é feita, geralmente, no telhado ou laje do hotel e os de piscina devem ficar próximo ao equipamento de filtragem da água. “No local onde está a casa de máquinas da piscina, é acomodada a bomba de circulação, que leva a água da piscina para os coletores, onde é aquecida, e retorna”, diz, adiantando que se trata de um serviço que leva de um a dois dias.

No caso dos hotéis com chuveiro elétrico, a tubulação deve ser substituída, inclusive com a instalação de misturadores para o banho, o que vai requerer mão de obra. Outra opção são os sistemas de registro misturador. “A tubulação de água quente e fria continua sendo uma só, sem necessidade de quebrar revestimento cerâmico e parede”, explica.

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Colaboração técnica

Oscar de Mattos
Oscar de Mattos – Formado em Física pela PUC-SP e com MBA em Marketing pela ESPM-SP. Empresário há mais de 30 anos do setor de aquecimento solar de água. Fundador da Heliotek Máquinas e Equipamentos Ltda e, atualmente, no cargo de CEO na empresa Heliodin do Brasil. É presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Térmica (Abrasol).