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Por que o projeto acústico é fundamental para ambientes escolares?

Limitações na leitura, na fala, na atenção, na concentração e no desempenho acadêmico são alguns dos problemas causados por ruído excessivo nas escolas. Saiba como evitá-los

Publicado em: 26/09/2023Atualizado em: 11/10/2023

Texto: Gisele Cichinelli

foto de uma pessoa segurando uma espátula e uma tabua com argamassa líquida em cima
(Foto: Mike_shots/Shutterstock)

Conversas entre alunos e professores e o barulho provocado por brincadeiras, gincanas, músicas em pátios de recreação e por fontes externas, como o trânsito local, são as principais fontes de ruído em ambientes escolares. Quando não observado e tratado corretamente, esse conjunto de fontes sonoras pode causar efeitos drásticos no processo de aprendizagem e no desempenho escolar dos alunos.

“Estudos indicam que, em salas de aula sem acústica adequada, a produtividade do aluno pode ser bastante comprometida. Sobretudo a partir da quarta fileira, onde pode haver grande perda da inteligibilidade, que é a compreensão da fala. Essa redução da compreensão pode chegar a até 50%, o que significa, na prática, que a cada duas palavras faladas, só uma será compreendida”, explica a especialista em acústica Debora Barretto, CEO da Audium.

A necessidade de prestar muito mais atenção para compreender o conteúdo dado gera cansaço e, consequentemente, bastante distração, sobretudo no caso de crianças que tenham dificuldade de aprendizagem ou que se dispersam com facilidade.

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Por isso, tão essencial quanto o mobiliário e a iluminação, o tratamento acústico em escolas deve ser pensado para proporcionar não só a compreensão, mas também a retenção do conhecimento, e ainda para garantir o melhor ambiente de trabalho possível aos professores.

Desafios acústicos em escolas

O ideal é que tanto o projeto acústico como o projeto arquitetônico nasçam juntos, permitindo que as análises do posicionamento dos ambientes, do uso dos espaços e do tipo e da intensidade de ruídos que serão gerados sejam estudados em conjunto por esses profissionais.

Basicamente, o projeto acústico para escolas deve trabalhar em duas frentes: no isolamento acústico da própria edificação (a fim de minimizar o ruído produzido no ambiente externo e entre espaços internos, e no bom condicionamento acústico (para que haja controle do som dentro dos próprios ambientes).

As salas de aula são o coração das escolas e o projetista deve garantir que dentro desses ambientes haja compreensão plena da mensagem que está sendo transmitida, eliminando qualquer tipo de esforço por parte dos interlocutores.

“Alguns desafios são importantes nos projetos acústicos de escolas, por exemplo, compatibilizar isolamento acústico e ventilação natural. Também é preciso pensar na qualificação acústica de escolas tipo ‘abertas’, nas quais as atividades pedagógicas são distribuídas em zonas não divididas por paredes sólidas, de piso a teto, como nos projetos convencionais”, observa José Augusto Nepomuceno, consultor principal da Acústica & Sônica.

Escolha o material em função do ambiente

Conheça as principais estratégias e soluções que podem ser aplicadas no projeto acústico para minimizar os ruídos em escolas:

  • Uso de forros com alta absorção acústica: forros removíveis de parede a parede são a forma mais eficaz de reduzir os níveis de ruído para criar um ambiente de som que melhore o dia a dia e o desempenho de alunos e professores. Elementos suspensos como nuvens, baffles, painéis e revestimento de madeira perfurada e, até mesmo, placas de illtec (espuma) coladas no teto contribuem para minimizar o tempo de reverberação e melhoram a inteligibilidade da palavra falada.
    Outros locais que também demandam tratamento acústico com o uso de forros são os corredores, as bibliotecas, os estúdios de gravação, os laboratórios e as quadras poliesportivas.
  • Divisão entre salas de aula: deve ter alto desempenho de isolamento acústico e pode ser construída com blocos de concreto, blocos cerâmicos ou paredes de gesso acartonado. As portas devem ser consideradas parte integrante do isolamento acústico das paredes voltadas aos corredores.
  • Lajes ou pisos de salas de aula sobrepostas: devem ser dimensionadas e tratadas para minimizar a transmissão do ruído de impacto. Contrapisos flutuantes com mantas e argamassa acústica e piso vinílicos são opções para esta finalidade.
  • Fachadas: esse elemento merece atenção especial, pois são pontos frágeis para isolamento do ruído externo e para o isolamento de salas adjacentes.
  • Planejamento espacial: é um ponto chave no sucesso da qualidade acústica de escolas. O projeto arquitetônico deve evitar, por exemplo, alocar uma quadra poliesportiva sobre salas de aula ou em pátios externos próximos às salas. Cozinhas, refeitórios e outros espaços de congregação ou suporte devem ser instalados em pontos distantes ou não adjacentes às salas de aulas.

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Produtos para acústica escolar

O mercado oferece inúmeras opções de produtos para condicionamento e isolamento acústico, que podem ser aplicados com sucesso em escolas.

As nuvens acústicas e baffles da Ecophon Saint-Gobain, por exemplo, podem ser aplicadas em áreas de uso coletivo. Sua fácil instalação oferece a possibilidade de melhoria na acústica sem grandes reformas dos espaços.

Já os forros removíveis da Ecophon são opções acessíveis com excelente performance acústica e fácil manutenção. Essa linha de forros para absorção e redução de ruídos é ideal para salas de aula, corredores, recepção, laboratórios, vestiários e auditórios.

A linha Nexalux, também da Ecophon, pode ser usada em ambientes secos e fechados e é ideal para auditórios. Possui acabamento amadeirado e está disponível em diversos modelos de perfurações e ranhuras.

Cuidados na especificação

Apesar da diversidade de opções, a escolha dos materiais deve levar em conta os cálculos e os dimensionamentos do projeto acústico.

Vale lembrar que o uso de materiais absorventes em excesso pode encarecer a obra e ainda prejudicar a acústica dos espaços. “Também existe um tempo ideal de reverberação para cada tipo de uso do ambiente, por isso a recomendação é contar com a ajuda de uma consultoria de acústica para auxiliar no processo de escolha do produto mais indicado para cada local”, explica Barretto.

Na hora de especificar o produto, é preciso observar rigorosamente se eles estão dentro dos padrões do Corpo de Bombeiros e das legislações vigentes com relação a reação ao fogo, ao desprendimento de fumaça e ao gotejamento. Outro ponto importante é selecionar materiais com baixa manutenção, peças de reposição disponíveis, resistência a umidade e resistência a abuso mecânico.

“O tratamento acústico em escolas exige a utilização de materiais corretos para garantir um isolamento apropriado, tanto entre a escola e a vizinhança quanto entre ambientes internos. Por isso, é imprescindível investir em produtos que tenham desempenho comprovado através de laudos e certificados”, orienta Tamara Serrano, coordenadora de produto da Ecophon Saint-Gobain.

Colaboração técnica

Debora Barretto – CEO da Audium e especialista em acústica
José Augusto Nepomuceno  – consultor principal da Acústica & Sônica
Tamara Serrano –coordenadora de produto da Ecophon Saint Gobain