Reciclável, o plástico democratiza o acesso da população a muitos produtos

O reaproveitamento do material evita a extração de matéria-prima, minimizando impactos ambientais

Publicado em: 21/08/2014Atualizado em: 23/08/2014

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Redação AECweb / e-Construmarket

Reciclagem de plástico

No Brasil, é comum a reciclagem do plástico, inclusive, feita de maneira mecânica. “Amplamente usada no país, a reciclagem mecânica do plástico nada mais é do que pegar o material descartado, que já foi consumido, separar por tipo, moer, lavar e processar para virar resina novamente – matéria-prima para a fabricação de novos produtos”, diz Silvia Rolim, assessora técnica da Plastivida – Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos.

É feita a reciclagem tanto do plástico comum, que sai da casa do cidadão – resíduo doméstico –, como também do plástico industrial, que são sobras e aparas da indústria de transformação. “O plástico industrial é o filé mignon. Ele é limpo e não tem mistura. É a nata da reciclagem. Porém, em relação à origem do resíduo consumido no país, ele representa somente 36% do material reciclado. Os outros 64% são de plástico pós-consumo”, conta Rolim.

GARGALOS

O plástico industrial é o filé mignon. Ele é limpo e não tem mistura. É a nata da reciclagem. Porém, em relação à origem do resíduo consumido no país, ele representa somente 36% do material reciclado. Os outros 64% são de plástico pós-consumo

O principal gargalo no Brasil e no mundo de todos os materiais reciclados é a falta de sistemas estruturados de coleta seletiva. “Dos 5.564 municípios do país, menos de 10% tem sistema de coleta seletiva oficial. Hoje, são 762 empresas cadastradas que fazem a reciclagem dos materiais, mas com certeza existem mais do que isso, que atuam com uma capacidade ociosa de 35%. Isso quer dizer que é possível a reciclagem de mais materiais, entretanto eles não chegam ao destino. Com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, sancionada e prestes a começar a ser implementada efetivamente, tende a crescer, significativamente, o número de municípios que instalarão sistemas de coleta seletiva. Seja via cooperativa ou pelo próprio município”, afirma a assessora técnica.

Segundo ela, atualmente, o Brasil recicla de forma mecânica, entre industrial e pós-consumo, 1,86 milhão de toneladas de resíduos plásticos, dos quais 686 mil são referentes ao plástico pós-consumo. “Nós reciclamos 21% de todo o plástico pós-consumo colocado no mercado. E se formos pensar que a média da comunidade europeia é 24,8%, nosso índice é muito alto. Na União Europeia não existe um único município que não tenha coleta seletiva para 100% dos cidadãos. A diferença é que na Europa eles têm outros tipos de reciclagem implantados como a recuperação energética, muito usada nos países nórdicos. São 420 unidades de recuperação energética que reciclam 38% dos resíduos sólidos”.

PROCESSO DE RECICLAGEM

Quando o reciclador pega o material, normalmente, acrescenta uma pequena porcentagem de plástico virgem para manter as propriedades físico-químicas do produto. Assim, é mantida a qualidade do plástico, tornando possível sua reciclagem por muito tempo

A reciclagem do plástico começa com a coleta domiciliar, ou envio para postos de entrega voluntária, para cooperativas e centrais de triagem, onde serão separados por tipos. “Eles são enfardados para compactar e comercializados para a indústria da reciclagem diretamente. O reciclador, ao receber esses fardos, lava o plástico, mói, passa em um aglutinador para fundir o plástico e por uma extrusora que colocará o aditivo, que pode ser um antioxidante ou antiderrapante, entre outros, de acordo com a resina que será feita e sua finalidade”.

POLÍTICA REVERSA

O plástico não volta da mesma forma ao mercado. “Um pote de iogurte, por exemplo, não voltará para a mesma indústria e será usado para a confecção do mesmo produto. Depois de reciclado, ele sairá em forma de outro item. Não é uma política reversa no sentido literal da palavra. O produto cumpre seu ciclo de vida e se renova com o plástico indo para uma nova aplicação. É possível fazer um carpete de plástico reciclado, que será usado por anos e, ao trocá-lo, ele poderá ir novamente para a indústria de reciclagem, se for descartado corretamente. Quando o reciclador pega o material, normalmente, acrescenta uma pequena porcentagem de plástico virgem para manter as propriedades físico-químicas do produto. Assim, é mantida a qualidade do plástico, tornando possível sua reciclagem por muito tempo”, explica Rolim.

De acordo com a assessora técnica, o plástico reciclado pode ser utilizado sem preocupação na construção civil. “Desde que respeitadas todas as normas e legislação existentes no setor. O mercado da construção civil, cada vez mais, se preocupa e procura adotar as boas práticas referentes à sustentabilidade. O ganho de imagem da construtora que tem essa bandeira ambiental é inegável. E o consumidor se dispõe a pagar mais quando a obra tem cuidados como a captação e reuso da água de chuva, energia solar, uso de materiais reciclados entre outros”.

VANTAGENS

A reciclagem do material evita a extração de matéria-prima para a fabricação de novos produtos, minimizando o impacto ambiental. Além de proporcionar oportunidades à sociedade e melhoria na qualidade de vida das pessoas. Outra vantagem do plástico é ser acessível. Ele democratiza o acesso da população aos bens de consumo que, se não fossem feitos do material, provavelmente não teriam essa condição

Os benefícios do plástico reciclado são inúmeros. “A reciclagem do material evita a extração de matéria-prima para a fabricação de novos produtos, minimizando o impacto ambiental. Além de proporcionar oportunidades à sociedade e melhoria na qualidade de vida das pessoas. Outra vantagem do plástico é ser acessível. Ele democratiza o acesso da população aos bens de consumo que, se não fossem feitos do material, provavelmente não teriam essa condição. Há 50 anos um liquidificador era todo feito de metal, pesadíssimo, e o custo era muito mais alto. O mesmo acontecia com os carros que, nos anos 20, eram muito mais pesados devido ao material usado e voltados somente para a elite. A participação do plástico, de maneira geral, tornou os meios de transporte significativamente mais leves, econômicos e ecologicamente corretos, já que consomem menos combustível e emitem menos CO2”, comenta Rolim.

Segundo a assessora técnica, os plásticos são todos 100% recicláveis, inclusive o PET e todos os plásticos usados em embalagens. “Quando não são, é muito mais por uma questão de falta de coleta seletiva do que de condições técnicas de reciclagem. Outro plástico muito reciclado pela indústria é o PVC, que tem a maior parte destinada à construção civil e somente uma pequena parcela vai para o pós-consumo”.

Colaborou para esta matéria

Antonio Augusto Junqueira de Oliveira
Silvia Rolim – Engenheira química pela faculdade Oswaldo Cruz e especialista em gestão ambiental pela USP. Atualmente é assessora técnica da Plastivida.