Retrofit de instalações elétricas: quais as vantagens e quando fazer?

A reforma do sistema elétrico dos edifícios pode ser total ou apenas de atualização. Tanto o projeto quanto a execução devem atender às normas técnicas e à carga necessária ao edifício

Publicado em: 04/09/2019Atualizado em: 30/04/2021

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

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A reforma do sistema elétrico promove ganhos relacionados à segurança durante a utilização de energia, decorrentes da erradicação de equipamentos mal dimensionados e que podem causar riscos (Foto: TonStocker/ Shutterstock)

A decisão de reformar as instalações elétricas dos edifícios deve ser tomada diante de, pelo menos, dois critérios. De acordo com o engenheiro Rodrigo Henriques, diretor Técnico da Henrique Marques Engenharia e Tecnologia, é imperativo o retrofit em prédios que possuem instalações elétricas fora de norma e com equipamentos que possam ocasionar riscos aos moradores e aos profissionais de manutenção. É o caso dos quadros com fundos de madeira, barramentos expostos e chaves que não possibilitam manobra sob carga.

A reforma é mandatória, também, nos edifícios que exigem carga superior provida pelas instalações atuais. “Um caso clássico são edificações que desejam instalar aparelhos de ar-condicionado, mas seu sistema elétrico não permite tal acréscimo de carga” diz. Em ambos os casos, são recomendados avaliação, projeto e reforma das instalações, de modo a atender às normas vigentes e à carga desejada de utilização.

O engenheiro Mário Calixto, titular da Nievola Engenharia, lembra que, hoje, apartamentos e escritórios utilizam um número muito maior de equipamentos do que no passado. “Daí a necessidade de verificação do cabeamento, que, diante da sobrecarga, poderá sofrer com aquecimento e colocar toda a instalação em risco de incêndio”, alerta.

Vida útil do sistema

Não há regras para determinar o prazo de obsolescência do sistema elétrico de uma edificação. Calixto arrisca dizer que prédios construídos há mais de 30 anos possuem cabos subdimensionados. Já o engenheiro Henriques, apesar de também considerar que instalações elétricas não possuem prazo de validade, recomenda a realização de manutenções preventivas – reaperto e verificação dos equipamentos – para aumentar a vida útil das instalações.

“Os avanços registrados na área de equipamentos que compõem os sistemas elétricos condenaram, ao longo do tempo, alguns materiais. Isso gerou grande demanda de reformas, a serem feitas em empreendimentos com mais de sete anos”, diz Henriques. A tendência, agora, é que a próxima evolução tecnológica ocorra na área de geração e armazenamento de energia. Esses processos passarão a ser individualizados para cada unidade consumidora, o que irá gerar uma nova onda de exigência por atualização.

Os ganhos da reforma

De acordo com Rodrigo Henriques, a reforma do sistema promove ganhos relacionados à segurança durante a utilização de energia elétrica, decorrentes da erradicação de equipamentos mal dimensionados e que possam causar riscos. Há, também, ganhos relacionados à qualidade da energia, o que aumenta a vida útil dos equipamentos eletroeletrônicos, como aparelhos de TV, câmeras e motores presentes na edificação. A atualização das instalações reduz a perda por aquecimento, o que representa economia na conta de energia.

O principal ganho financeiro resultante do serviço de reforma é a redução de gasto com energia pelos ocupantes do edifício, principalmente com a aferição do medidor
Mário Calixto

“O principal ganho financeiro resultante do serviço de reforma é a redução de gasto com energia pelos ocupantes do edifício, principalmente com a aferição do medidor”, diz Mário Calixto, lembrando que é fundamental a fase de diagnóstico do sistema elétrico existente. Essa avaliação – que dará suporte para o projeto – vai identificar, por exemplo, a existência de disjuntores superdimensionados que colocam o condomínio em risco.

Reforma parcial ou total

A reforma do sistema elétrico pode ser completa ou apenas de atualização de componentes. “O retrofit total é aconselhado quando a demanda projetada inicialmente não atende mais o consumo atual de energia elétrica. É preciso, assim, executar a substituição completa de cabos, caixas e dispositivos de proteção”, aponta o engenheiro Henriques. Já a reforma parcial para adequar o sistema às normas técnicas é indicada quando a instalação atende à demanda de energia que o edifício necessita, mas suas chaves e componentes são inseguros, devendo ser substituídos.

O retrofit total é aconselhado quando a demanda projetada inicialmente não atende mais o consumo atual de energia elétrica. É preciso, assim, executar a substituição completa de cabos, caixas e dispositivos de proteção
Rodrigo Henriques

Eficiência energética

A eficiência energética do sistema elétrico é fundamental em todo projeto elétrico. O dimensionamento dos cabos, caixas e dispositivos de proteção é o caminho para alcançá-la. “Consideramos itens como redução do número de conexões e diminuição de perdas nas instalações, visando a maior qualidade da energia fornecida”, diz Henriques. Mas não para aí. Com a disseminação da tecnologia de geração de energia por placas fotovoltaicas, alguns edifícios aproveitam o retrofit da instalação elétrica para incorporar a solução.

“O principal sistema fotovoltaico que adotamos em edificações é o on grid, em que a produção de energia é conectada diretamente à rede elétrica sem a necessidade de armazenamento”, relata. O impacto desse sistema no projeto de retrofit é a instalação de um medidor bidirecional e a conexão no quadro geral da administração dos cabos, que fazem a transmissão da energia produzida pelos painéis fotovoltaicos em corrente contínua e convertida em corrente alternada por meio de um inversor.

Contudo, a eficiência do sistema fotovoltaico depende das características da edificação e do seu potencial de produção energética. Devido ao alto custo dos equipamentos, o retorno gira em torno de seis a sete anos. “Porém, acreditamos que, com o crescimento da procura e o aumento da produção, o custo deve cair em breve e o payback inicial deve se estabilizar entre dois e três anos”, diz Henriques.

De acordo com ele, a procura ainda é baixa. Considerando que as reformas executadas têm uma vida útil muito longa, Henriques aproveita a reforma das instalações elétricas que executa para deixar disponível o acoplamento de sistemas de geração alternativas. “Isto evita grandes mudanças no futuro, no caso de o cliente desejar a instalação de modelos de autogeração”, conclui.

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Colaboração técnica

 
Mário Calixto - Formado na FEI em 1985 em engenharia elétrica. Trabalhou no Banco Itaú como analista e depois na Itautec. Montou a Nievola Engenharia em 2004 e desde então tem realizado obras elétricas e adequações ao AVCB.
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Rodrigo Henriques – É engenheiro civil pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM), com especialização em Energia Solar Fotovoltaica (Senai-SP), formado também em Tecnologia em Sistemas Elétricos pelo Instituto Federal de São Paulo (IFSP). Tem mais de 12 anos de experiência em obras de entrada de energia, centro de medição e distribuição elétrica predial/industrial. Atua como diretor Técnico da empresa Henriques Marques Engenharia e Tecnologia.