Revestimento de fachadas exige projeto prévio

Fase de concepção é o momento ideal para o desenvolvimento de um projeto de revestimento

Publicado em: 14/12/2009Atualizado em: 19/01/2020

Texto: Redação AECweb


Revestimento de fachadas exige projeto prévio

Redação AECweb

Independente do tipo de material - cerâmica, pastilhas, mármore ou granito, entre outros - o revestimento de fachadas e, mesmo de paredes internas, é um procedimento que tem exigido cada vez mais um projeto prévio. Principalmente porque são diversos os agentes de deterioração que atuam nos revestimentos.

A engenheira Fabiana Andrade Ribeiro, da FCH Consultoria e Projetos, mestre pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, lembra que esses agentes estão listados na norma ISO 6241, 1984. “Podem ser de origem mecânica, térmica, química e biológica, ou seja, movimentações do edifício, sol, ventos, chuvas, choques térmicos, maresia”, diz.

Sobretudo, nos revestimentos de fachadas, ela chama a atenção para os agentes que tendem a ocasionar movimentos diferenciais entre as camadas, como a variação de temperatura - diária e choques térmicos -, a umidade, o vento e as deformações da estrutura. “Uma fachada projetada com revestimento na cor escura se comportará de forma diferente daquela com revestimento na cor clara, por exemplo. Já uma obra no litoral sofrerá uma forte ação da maresia, que é implacável para muitos materiais componentes do sistema de revestimento. Todos estes elementos devem ser considerados pelo projetista para a realização do projeto”, ensina.

PROJETO DE REVESTIMENTO

A fase de concepção do edifício é o momento ideal para o desenvolvimento do projeto de revestimento de fachadas. “Dessa forma, é possível integrar melhor as soluções estruturais e arquitetônicas, de modo que o edifício seja concebido já com esta visão sistêmica”, diz Fabiana Ribeiro. Com ampla visão da obra, o projetista de revestimentos percebe, em primeiro lugar, como o comportamento da estrutura e a geometria do edifício poderão afetar negativamente sua durabilidade dos mesmos. Ele tem a responsabilidade de apontar pontos em que há necessidade de detalhes construtivos para prevenir patologias. “Paralelamente a esta visão sistêmica da obra, cabe ao projetista o conhecimento de materiais e técnicas executivas, para especificar a melhor solução que responderá às necessidades de cada obra, de cada construtora, em cada região do Brasil”, argumenta.


A função do projetista é, primordialmente, prevenir as patologias que começaram a se tornar crônicas na construção de edifícios, como destacamentos, manchamentos, infiltrações e fissuração dos revestimentos, mas também ajudar a gestão dos processos de produção.

“O projeto teve que contemplar, além do emprego de reforços e juntas em revestimentos, o planejamento da técnica de produção, etapa por etapa, pois as causas de tais patologias nunca são fatores isolados, mas sempre um conjunto de fatores que envolvem especificação de materiais e técnicas de execução adequadas. Como consequência, o planejamento da produção do revestimento na obra foi tão positivo que, hoje, o projeto tem uma abordagem mais ampla, que também envolve organização da produção, produtividade, segurança e salubridade dos profissionais”, explica a engenheira.

DESAFIO

Mas, nem sempre a construtora tem a cultura de projeto. Fabiana Ribeiro, que atua no setor há 12 anos, relata que viu frustradas suas expectativas de que viria uma mudança radical com o passar do tempo. “Por outro lado, a boa notícia é que muitas já adotam esse procedimento como padrão em todas as obras, o que tem reduzido muito a assistência técnica pós-obra”, diz. E o problema vai além das fachadas. O nível de exigência das paredes internas é, atualmente, elevado. Segundo a engenheira, as fissuras começam a aparecer antes mesmo do término da obra, também em alvenarias internas. As deformações previstas das estruturas, mesmo dentro dos limites de norma, costumam ser maiores do que as deformações suportadas pelos revestimentos.

O grande desafio para os projetistas é responder à pergunta: ‘Como fazer com que os revestimentos suportem estas deformações?’. “Daí, a total necessidade de um projeto de revestimentos bem planejado para a obra”, lembra, acrescentando que nem sempre a complexidade do revestimento da fachada de um edifício corporativo será maior do que a de um prédio residencial. “Tudo depende do tipo de revestimento que é empregado e das características da estrutura de cada um deles. Muitas vezes, edifícios residenciais apresentam-se bem mais complexos”.

RECUPERAÇÃO DE REVESTIMENTOS

Revestimento de fachadas exige projeto prévio

Todos os cuidados de projeto e durante a obra são indispensáveis. Não vale a pena colocar o sistema de revestimento em risco. O custo do projeto é justificado, sobretudo quando se pensa nos transtornos para recuperação de patologias que possam vir a ocorrer.

A engenheira observa ainda que para recuperar uma fachada deteriorada, um estudo ainda mais minucioso deve ser feito para chegar ao diagnóstico completo do problema. O tratamento adequado dependerá do tipo de revestimento, das condições em que se encontram, das causas das patologias, da viabilidade da obra, do orçamento disponível, entre outras questões.

“De modo geral, a realização de obras de recuperação de revestimentos de fachadas é de grande dificuldade e, inevitavelmente, interfere na rotina dos usuários. Além disso, os prejuízos gerados pelas patologias e as despesas com a recuperação de revestimentos de fachadas podem superar (e muito!) os valores gastos na sua execução”, alerta.

Revestimento de fachadas exige projeto prévio

Colaboraram para esta matéria:

Fabiana Andrade Ribeiro
 
Engenheira Civil formada em 1999 na FUMEC-MG, Fabiana Andrade Ribeiro é mestre pela Escola Politécnica da USP (2006). Nos últimos 12 anos, ela atuou em empresas de consultoria e projetos em Belo Horizonte, São Paulo, Fortaleza e outras capitais do nordeste, onde participou do gerenciamento de projetos e do acompanhamento de obras nas fases de revestimento, bem como em estudos para avaliação de patologias, adquirindo experiência significativa para poder auxiliar construtoras nesta importante fase da obra. Fabiana Ribeiro é também professora no curso MBA em Gestão de Obras e Projetos da Universidade Cruzeiro do Sul e, entre suas publicações, destacam-se estudos e artigos sobre juntas de movimentação em revestimentos de fachadas.