Soluções para acabamento de piscinas

Pastilhas de vidro, vinil, fibra, cerâmica, pedra, pintura, azulejo e vidro são as principais opções. Mas antes de escolher entre tantos materiais, é preciso considerar o preço, a durabilidade e a manutenção de cada um

Publicado em: 14/03/2013

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Por Tatiana Arcolini e Paula Barradas


Vidrotil_pastilha de vidro_Marcelo Novaes
Foto: Gustavo Olmos

O mercado oferece uma ampla gama de padrões para cobrir piscinas, mas qual deles escolher na elaboração do projeto? Engenheiros e arquitetos devem levar em consideração o tamanho, o formato, a finalidade e o gosto do cliente. Para isso, há opções de pastilha de vidro, azulejo, vinil e até mesmo tintas usadas diretamente sobre a alvenaria e o concreto. Portanto, para ter o melhor, basta formatar o projeto e planejar o acabamento que mais se adapta ao custo-benefício da obra em relação à durabilidade, à necessidade dos usuários e à beleza.

No item acabamento, ainda hoje existe o predomínio de tons de azul, verde e branco. Para Aurélia Cartaxo, gerente de marketing da Vidrotil, o azul-turquesa é a grande tendência, pois fica entre o azul e o verde. Além de ser uma cor mais viva, que se destaca no projeto. Contudo, é possível encontrar tonalidades pouco convencionais, como a vermelha do Hotel Unique, em São Paulo, feita pelo arquiteto Ruy Ohtake com pastilhas de vidro da Vidrotil. Existem também piscinas pretas, amarelas, rosa e roxas. Tudo depende do cliente e da ousadia do arquiteto.

Vidrotil_Ruy Ohtake
Foto: Nelson Kon

Pastilha de vidro

“Esse tipo de revestimento oferece inúmeros padrões, tamanhos, texturas e formatos”, explica Aurélia Cartaxo. “Os modelos menores são os que estão mais em alta, como as tesselas de 1 x 1 cm, 2 x 2 cm, 3 x 3 cm ou 4 x 2 cm. Os materiais, as cores e os efeitos estéticos provocados por esse acabamento são inimagináveis.”

As pastilhas de vidro se aplicam muito bem em piscinas de alvenaria e concreto armado, permitindo que recebam qualquer tipo de desenho (tanto nas paredes quanto no fundo, pois a cartela de pastilhas tem uma incrível variedade de tons).

No entanto, se, por um lado elas são consideradas um produto sofisticado, por outro, têm alto custo, pois requerem mão de obra especializada, argamassa e rejunte específicos.

Vinil

Essa é a solução mais barata e rápida, representando uma economia de até 60% no orçamento. O vinil adapta-se a qualquer projeto e pode ser utilizado na recuperação de piscinas com revestimento cerâmico ou de fibra que apresentam vazamentos. Para isso, basta aplicá-lo sobre o antigo fundo que a vazão de água cessa.

As vantagens do vinil não param por aí. Ele se encaixa aos mais variados formatos, permitindo a construção de piscinas curvas, retas, com profundidades diferentes e ângulos ousados. “Lembrando que ele ainda permite a instalação de bar com bancos subaquáticos, sauna acoplada e o que mais a imaginação do arquiteto solicitar”, explica o fabricante Sibrape Pentair.

O vinil também reduz as chances de vazamento, tem fácil manutenção, é 100% reciclável e funciona como impermeabilizante, reduzindo as etapas da construção. É, ainda, mais fácil de limpar, pois não tem rejunte que propicia a formação de algas e fungos.

O produto da marca Cipavinil®, por exemplo, possui proteção antimicrobiana Microban®, que é incorporada durante o processo de fabricação, inibindo o crescimento de micro-organismos e oferecendo proteção eficaz contra bolor, manchas e mau odor.

“O único senão é que o material é suscetível a furos”, revela a arquiteta Rosangela Larcipretti, que ainda lembra: “Não se deve limpar o vinil com produtos abrasivos nem colocar cloro acima da quantidade recomendada”.

Vinil_Cipavinil
Foto: Cipavinil

Conforme afirma Amauri Rosa, consultor técnico do Cipavinil®, as piscinas de vinil possuem excelente durabilidade e, caso haja interesse em reformá-la, basta trocar o bolsão por uma nova cor e estampa.

Vinil_Sibrape Pentair_piscina Marcelo Rosenbaum
Foto: Sibrape Pentair

Fibra de vidro

Durabilidade, praticidade, facilidade de instalação e excelente relação custo-benefício fazem da fibra uma boa alternativa para revestir as piscinas.

Por ser vendida no sistema pré-moldado, não oferece muitas opções de formato e cores, mas possui vantagens, como a repintura, que deve ser feita após 12 anos de uso, além de ter uma superfície superlisa e regular, que protege os usuários de cortes ou arranhões.

Como sua construção é controlada dentro da fábrica, a fibra de vidro minimiza possíveis erros após a obra concluída. E como não há porosidades nem costuras, algas e detritos não conseguem se instalar. Por fim, o modelo ainda possui custo de manutenção menor que as piscinas de concreto e alvenaria por ser um material resistente e com possibilidade de vazamento quase nula, segundo o fabricante Tibum Piscinas.

Tibum_fibra de vidro
Foto: Tibum

CerÂmica

O revestimento cerâmico é um dos mais comuns. A durabilidade em relação às infiltrações e vazamentos, e a selagem contra contaminações dão ao produto diversas modulações, que criam movimentos ópticos nos desenhos.

Outra vantagem é a grande variedade de cores e tamanhos, e facilidade na limpeza. Márcio Bradaschia, gerente nacional de vendas dos pisos NBK - Hunter Douglas do Brasil, expõe que os pisos da marca são antibacterianos e antifungicidas, ou seja, garantem fácil manutenção (basta limpar com detergente neutro para ter uma boa resistência). Os pisos também são produzidos em uma formulação original com sílica na composição, minimizando a sensação de calor.

NBK_cerâmica
Foto: NBK

Como a quantidade de opções de cerâmica existente no mercado é imensa, o ideal é investir em um produto próprio para piscinas, e não apenas indicado para áreas molhadas. Esses podem ser esmaltados ou com aspecto fosco com peças, muitas vezes, feitas especialmente para cantos e bordas. A argamassa e o rejunte, por sua vez, também devem ser específicos, de assentamento mais flexível, que não acumulem sujeira e sejam imunes ao crescimento de fungos e bactérias.

Vidro

Eis aqui uma forte tendência mundial. Presente em piscinas de grandes hotéis e de residências de luxo, o vidro possibilita a exploração de novas formas, dando liberdade aos profissionais para criarem piscinas até pouco tempo impensáveis.

Para Angelita Dei Gobbi, arquiteta especificadora técnica da PKO, transparência, leveza, beleza e modernidade fazem do vidro uma opção luxuosa, ajudando a criar ambientes cenográficos por ser um material que promove a integração do externo com o interno.

PKO_piscina revestimento de vidro
Foto: PKO

E graças às novas tecnologias, é possível ter uma piscina toda em vidro. Mas vale lembrar que o produto deve ser laminado e temperado, e com espessuras que variam de acordo com o projeto. É preciso levar em conta, ainda, a pressão e o peso da água. Assim, antes de começar o projeto de uma piscina de vidro, é imprescindível analisar como e onde ela será instalada e qual a espessura e as dimensões corretas das peças a serem utilizadas. Além disso, deve-se ter o acompanhamento de um profissional gabaritado que desenvolva um estudo com todos os cálculos necessários.

Pedra

A pedra natural constitui boa opção de revestimento, proporcionando diferencial ao projeto: a Green Bali confere um bonito tom de lago verde à piscina, enquanto a Travertino garante certo ar de termas romanas. “Entretanto, a durabilidade dessa solução é questionável”, explica Eduardo Camargo, sócio da Pedras Inteligentes.

Para facilitar a colocação, a pedra Green Bali, por exemplo, deve ser telada, mas também pode ser assentada uma a uma – em ambos os casos, com argamassa. As teladas aceitam, também, junta seca, que garante melhor continuidade do produto, sem marcas de rejunte. No Brasil, ela está à venda em ladrilhos de 5 x 5 cm, 10 x 10 cm ou 20 x 20 cm, teladas ou soltas.

É preciso salientar que esse acabamento gera alto custo de construção, pois, além de ser um material natural e importado, exige mão de obra especializada. Já a manutenção na opção telada é simples, uma vez que não há rejunte, dispensando a escovação, e evitando o acúmulo de sujeira entre as pedras. Na opção solta, a manutenção é semelhante à de uma piscina de pastilhas, sendo necessária escovação quando o rejunte começa a encardir.

Bali_Pedras Inteligentes
Foto: Pedras Inteligentes

Pintura

“Para fugir do assentamento, alguns profissionais preferem projetar piscinas de concreto que recebem pintura epóxi e tinta esmalte PU (poliuretano) com alto brilho como acabamento final”, afirma Raphael Marinovic, diretor de obras da Mapa Construtora.

Impermeabilizantes, essas tintas são desenvolvidas com alta tecnologia para garantir boa fixação sem contaminar a água. Vale ressaltar, entretanto, que na hora de escolher o fabricante é preciso verificar se ele é aprovado por órgãos técnicos competentes. Esse acabamento tem como grande vantagem possibilitar tons e desenhos diferenciados, além de oferecer proteção contra raios UV. “Elas são, entretanto, mais vulneráveis a vazamentos, infiltrações e contaminações por fungos e bactérias”, aponta Márcio Bradaschia.

Azulejo

Trata-se de um dos materiais mais antigos para revestir piscinas. “Acessível e duradouro, o azulejo existe em vários formatos e cores e é resistente aos raios UV, à abrasão e a produtos químicos”, assegura Raphael Marinovic. A aplicação é bem parecida com a feita em outras áreas molhadas, como banheiros e cozinhas, tornando fácil encontrar mão de obra.

No quesito acabamento, os tons esverdeados e azulados são os mais comuns, mas há também outras cores que fazem a água assumir a tonalidade escolhida. Deve-se ter cuidado apenas com os rejuntes e a impermeabilização, para evitar problemas futuros com vazamentos.