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Sustentabilidade brasileira em evidência

Em crescimento, segmento do green building tem diversas novidades

Publicado em: 28/08/2014

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Redação AECweb / e-Construmarket

sustentabilidade

Em três dias de evento, a 5ª edição da Greenbuilding Brasil - Conferência Internacional e Expo – recebeu mais de 4,5 mil pessoas, mil congressistas, 141 palestrantes, 63 expositores e representantes de 33 países. Números que refletem a crescente preocupação pela busca de práticas sustentáveis. “Aspecto que chamou atenção foi a riqueza do conteúdo técnico apresentado por especialistas nacionais e internacionais. Na verdade, não foram palestras e sim sessões de discussão. A conferência é importante ferramenta para disseminar o conhecimento e um dos principais atributos do movimento de green building vem sendo a elevação do padrão técnico do mercado, ao ponto que a capacitação oferece oportunidades profissionais”, afirma Felipe Faria, diretor do Green Building Council Brasil.

O engajamento do setor nacional da construção civil com as alternativas sustentáveis teve como resultado o avanço do Brasil no ranking mundial em empreendimentos que buscam a certificação LEED, informação divulgada no Greenbuilding Brasil. Atualmente, o país conta com 176 edificações certificadas, além de 870 empreendimentos registrados em análise, ocupando assim a terceira posição no ranking, atrás de EUA e China, primeiro e segundo colocados respectivamente. “Esses números mostram o crescimento das certificações em variadas tipologias de projeto, não ficando restrita somente a edificações corporativas de alto padrão, mas também para construções industriais, de shoppings centers, estádios de futebol, arenas esportivas, museus, escolas, projetos de planejamento urbano, entre outros. A abrangência demonstra bem o avanço do movimento”, destaca Faria.

Segundo o profissional, entre os fatores que contribuíram para o avanço do Brasil está a existência de profissionais e empresas qualificados para conduzir projetos com diferenciais sustentáveis. “Também houve a quebra de paradigmas. O mercado começou a ter conhecimento sobre os reais custos de uma edificação e passou a entender que os grandes valores estão relacionados com a operação. Ficou claro que quando eventualmente há aumento de custo na construção devido ao uso de soluções sustentáveis, esse investimento se paga a curto ou médio prazo com as economias geradas durante o período de uso”, fala.

“Outro fator importante é a conscientização. Em muitos casos, a iniciativa privada já reconhece oportunidades econômicas relacionadas à construção sustentável”, explica Faria, acrescentando que os empreendimentos corporativos de alto padrão certificados são exemplos nesse processo. “Independente do valor do metro quadrado, o investidor tem a visão de que a certificação proporcionará diferentes benefícios, como o aumento na velocidade de ocupação. A grande maioria dos novos prédios corporativos de alto padrão nas principais cidades do país já recebeu o LEED ou estão na busca, sendo que os bons resultados colaboraram com a expansão da certificação para outros tipos de construções”, completa.

Para traduzir o crescimento em números, é possível comparar os primeiros semestres de 2013 e 2014, quando foram, respectivamente, 27 e 42 empreendimentos certificados, um crescimento de 55,55%. Essa aceleração do movimento de green building é um dos fatores que permitiram ao Brasil chegar à terceira posição do ranking, anteriormente ocupada pelos Emirados Árabes. “O avanço deve acontecer, agora, em relação às edificações já existentes e nós temos condição para isso. No mercado mundial de ‘prédios verdes’, irá se destacar quem fizer melhor esse trabalho. Hoje, as principais atividades mundiais de combate ao aquecimento global ou mudanças climáticas focam nas reformas das edificações. Esse é o objetivo para os próximos anos”, comenta Faria.

O mercado começou a ter conhecimento sobre os reais custos de uma edificação e passou a entender que os grandes valores estão relacionados com a operação. Ficou claro que quando eventualmente há aumento de custo na construção devido ao uso de soluções sustentáveis, esse investimento se paga a curto ou médio prazo com as economias geradas durante o período de uso
Felipe Faria

RANKING ESPORTIVO

Quando o ranking leva em consideração somente os empreendimentos esportivos, o Brasil também evoluiu. O país passou a se posicionar como o segundo no mundo com o maior número de instalações esportivas certificadas, atrás apenas dos Estados Unidos. Os estádios construídos para sediar partidas da Copa do Mundo colaboraram com esse avanço, sendo que sete das 12 arenas receberam o LEED. Foi a primeira vez que um estádio de Copa do Mundo conquistou certificação abrangendo questões de eficiência energética, uso racional de água, entre outras. “O principal benefício em empregar soluções sustentáveis em arenas esportivas é a redução dos custos operacionais, o que é muito importante, já que esses estádios estarão em operação durante muitos anos”, destaca o profissional.

Outras vantagens ressaltadas por Faria são a redução do uso de recursos naturais, melhoria da capacitação dos envolvidos na construção e a possibilidade de maximizar receitas futuras através do marketing esportivo. “A lição da Copa continua na preparação para as Olímpiadas de 2016, no Rio de Janeiro. Todas as instalações permanentes em construção no parque dos atletas, incluindo o centro olímpico de treinamento, velódromo e arenas de tênis, estão buscando a certificação LEED”, complementa.

REFERENCIAL CASA

Na Greenbuilding Brasil também foi lançado oficialmente o Referencial Casa, trabalho voltado para o mercado residencial imobiliário do país que tem como um dos objetivos disseminar parâmetros de sustentabilidade para residências unifamiliares ou multifamiliares. “No evento, foi celebrada a certificação das duas primeiras casas. Também foi anunciado o interesse de três grandes incorporadoras em levar esse referencial para prédios residenciais”, afirma Faria. O Referencial Casa foi desenvolvido por mais de 200 profissionais que atuam em comitês técnicos, sendo que essa certificação é baseada em diversas ferramentas, agregando o que há de melhor em cada uma delas. “A finalidade também é conscientizar o usuário deste tipo de edificação que o maior custo com o qual ele terá de arcar é em relação ao uso. Será instrumento que mostrará a importância de investimentos em soluções voltadas à construção sustentável”, conclui.

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Felipe Faria – Diretor do Green Building Council Brasil, é advogado com especialização em Direito da Economia e da Empresa pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Responsável pela operação nacional do GBC Brasil que compreende as áreas de Educação, Informação, Relação Governamental e promoção da certificação internacional LEED. Desde junho de 2012 faz parte do LEED Steering Committee do USGBC, grupo de voluntariados e staff que trabalham na manutenção e constante desenvolvimento da certificação LEED como a ferramenta de certificação líder no mundo, preservando sua integridade e garantindo o sistema de consenso que envolve a certificação.