Uso de telhados verdes em coberturas é opção sustentável

Tendência nos Estados Unidos e na Europa, o telhado verde começa a ser empregado em alguns empreendimentos do País. Solução reduz temperatura interna no verão

Publicado em: 09/10/2008Atualizado em: 31/07/2019

Texto: Redação AECweb

Redação AECweb

Telhado vivo

O governo de Nova York acaba de propor incentivo de US$ 4,50 por ‘pé quadrado’ aos proprietários de construções que implantarem telhados verdes em, no mínimo, 50% das coberturas até 2011. A proposta vai além, prevendo descontos no imposto de propriedade urbana equivalente ao IPTU. Caso seja aprovada, a lei passa a valer em 2009, abrangendo cidades com mais de um milhão de habitantes.

No Brasil, o município de Niterói, no Rio de Janeiro, permite que edifícios que instalarem telhado verde construam uma laje a mais. E, em Porto Alegre, o Plano Diretor em discussão no momento, prevê essa solução como compensação para a área verde do empreendimento. A tendência no país é que o telhado verde venha a ter os mesmos incentivos que a energia solar.

Algumas construtoras brasileiras já estão adotando a idéia em seus projetos, como a Ecoesfera. “Temos dois empreendimentos já entregues onde foram instalados telhados verdes, o Ecolife Butantã e o Cidade Universitária. Colocamos nas áreas externas dos prédios, como a cobertura das portarias. No prédio do Butantã, foi instalado também no salão de festas, sendo a área total de telhado verde de aproximadamente 200 m². A utilização desse tipo de cobertura faz parte de um dos itens de sustentabilidade de nossos empreendimentos”, diz Alberto Souza, engenheiro de obras da empresa, acrescentando que os clientes valorizam o telhado verde como um diferencial para o imóvel. “Ao sobrevoar esses edifícios não se vê aqueles telhados cinza convencionais de concreto. Os moradores constataram que o telhado verde proporciona uma temperatura mais refrescante no ambiente interno e, ao mesmo tempo, compõe o paisagismo”, constata.

O telhado verde ainda é mais conhecido no exterior, como na Alemanha, onde foi instalado em cerca de 15% das residências e edifícios. “Existem legislações que incentivam a solução porque é um benefício para a sociedade”, comenta João Manuel Feijó, engenheiro agrônomo e sócio da Ecotelhado, empresa de Porto Alegre especializada em telhados verdes. Ele explica que a base do produto desenvolvido pela empresa é um módulo em EVA (polietileno co-acetato de vinila), e agregado de água e cimento, formando uma colméia dividida em oito blocos, evitando a erosão. “A instalação é fácil. Primeiro é colocada a geomembrana que tem a função de impedir o enraizamento das plantas na cobertura e aumentar a estanqueidade do sistema. Sobre ela é aplicada uma manta de absorção de material reciclado, utilizada para manter a umidade e reserva de nutrientes. O processo é finalizado com a instalação dos módulos sobre a manta. No início estudamos o que havia sido feito no exterior e desenvolvemos toda nossa tecnologia”, detalha Feijó.

O telhado verde auxilia no micro-clima das cidades, propiciando o arrefecimento da temperatura pela evaporação e fotossíntese das plantas. Nas cidades que expandem sua área de vegetação, as doenças respiratórias apresentam redução de até 25%. “É uma economia grande na saúde pública. Além disso, o telhado verde retém água, evitando enchentes”, acrescenta. Nas edificações horizontais ou mesmo nas verticais, o isolamento térmico proporcionado pela cobertura verde gera economia de energia, dispensando o uso de ar condicionado”, constata. Segundo Feijó, estudo realizado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul comparou o telhado verde com o convencional, em pleno verão, quando a temperatura alcançava os 35 ºC. “Com as telhas de amianto, o ambiente interno chegou perto dos 65 ºC, enquanto que, com o verde, o interior da edificação se manteve em 35 ºC”, revela. 

Como todo jardim, o telhado verde precisa de água. No Brasil, a região Sul tem boa distribuição de chuva, porém existem áreas em que chove metade do ano e, outras, apenas três meses. Por isso, Feijó ressalta que é necessário combinar o telhado verde com sistemas de tratamento de água de chuva e esgoto. Segundo ele, a manutenção do telhado é semelhante a de um jardim e depende da planta que for escolhida, pois algumas carecem de poda mais constante. Já que no telhado não existe o trânsito de pessoas, as plantas ficam mais preservadas. “O cliente escolhe o tipo de planta, principalmente para os telhados com sistema de irrigação e peso maior. Os telhados verdes são classificados em leves, com 50 kg/m² e pesados de 100 kg/m² ou mais, adequados para gramas e plantas arbustivas”, conta Feijó, dizendo que um telhado verde de 100 kg/m² não chega a exigir reforço estrutural do edifício. “Uma laje de concreto de 10 cm pesa muito mais que um telhado verde. Quanto mais elaborado for o jardim, mais terá que se pensar na estrutura. Quando bem executado, o telhado verde tem menor probabilidade de infiltração que um telhado convencional. Uma laje impermeabilizada com massa asfáltica está sujeita a infiltração, devido ao calor que faz com que ela dilate ou retraia. O telhado verde protege a superfície do telhado e da própria impermeabilização, garantindo durabilidade três vezes maior”, compara.

Para Feijó o telhado verde é uma medida eficaz para a redução do aquecimento global para centros urbanos como São Paulo, porque não interfere no espaço do trânsito de veículos ou com toda a parafernália de cabeamentos próprios das cidades. “Acredito que dentro de cinco anos teremos mais telhados verdes nas cidades, assim como hoje é possível dizer que a solução já está sendo absorvida pelo mercado. A Ecotelhado colocou em torno de 6 mil m² de telhado verde em obras dos mais variados portes, desde residências e comércios, até indústrias e igrejas. Estamos em processo de crescimento e devemos instalar em um único projeto em torno de 10 mil m². Há pouco tempo o telhado verde era totalmente desconhecido no Brasil. Hoje as construtoras estão adotando em seus projetos. A situação mudou, as grandes empresas dão passos à frente, diferente de antigamente quando medidas só eram aplicadas por força de lei”, conclui João Manuel Feijó.