Veja dicas para fazer o projeto de iluminação de residências

Por trás de cada luminária há conceitos de iluminação e estudos envolvendo a arquitetura, o perfil do proprietário, o padrão da residência e as necessidades de cada ambiente, tanto funcionais quanto estéticas

Publicado em: 06/02/2020Atualizado em: 19/02/2020

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Projeto de iluminação em residências
O projeto de iluminação de uma residência deve considerar o perfil dos moradores (foto: alexandre zveiger/shutterstock)

Para o desenvolvimento do projeto de iluminação artificial de residências, o arquiteto e lighting designer Guinter Parschalk, sócio-diretor do Studio IX, considera três critérios. “O primeiro deles é a arquitetura que, por si só, já diz muita coisa sobre estilo, proporção e, ainda, revela um pouco do perfil do cliente”, afirma. Depois, é preciso ouvir o arquiteto de interiores para entender os aspectos estéticos e comportamentais do projeto. “O mais importante, porém, é ouvir o cliente”, diz.

Para apurar o perfil dos proprietários, incluindo hábitos e gostos, o escritório utiliza um questionário com cerca de 25 perguntas, que identificam, por exemplo, se a residência é de uso permanente ou de veraneio ou se o proprietário gosta de receber visitas. O perfil fisiológico do cliente também é considerado: alguns precisam de mais luz para ler em função da idade, outros são fotofóbicos e podem sofrer de dor de cabeça quando estão em um ambiente com muita luz.

O mais importante é ouvir o cliente
Guinter Parschalk

O projeto de iluminação será diferente para residências de maior e de menor porte. O proprietário de casa ou apartamento de alto padrão tem nível de exigência mais sofisticado. O home theater de um cinéfilo com alto poder aquisitivo, por exemplo, é uma verdadeira sala de cinema, com até 20 poltronas para receber amigos. “A iluminação será mais específica e de uso qualificado”, comenta. Já numa casa pequena, o ambiente é multiuso, funcionando como sala de estar e, eventualmente, como escritório e home theater. “Nesse caso, é preciso cumprir funcionalidades diferentes, com a tendência de uma iluminação flexível”, avalia Parschalk.

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Luminárias decorativas

Lâmpadas

LUZ NATURAL TAMBÉM IMPORTA

Por outro lado, a ABNT NBR 15575 – norma que trata do desempenho das habitações – estabelece uma quantidade mínima de luz tanto natural quanto artificial. “As duas formas de iluminação estão atreladas. Cabe à arquitetura e sua implantação propiciar o máximo de luz natural nos ambientes”, observa. O projeto de iluminação, muito além da especificação de luminárias, estuda previamente a composição entre as duas formas de luz e se orienta pelos sistemas de controle solar da residência. Verifica, por exemplo, as dimensões de portas e janelas de todos os ambientes, se terão cortinas, persianas ou rolô e a existência ou não de brises. Para o período noturno, é preciso equalizar a quantidade de iluminação, afinal, se pouca luz faz mal, o excesso também faz.

O PAPEL DAS LUMINÁRIAS

Parschalk defende que arquitetura não é showroom de luminárias, portanto, quando for possível, o ideal é escondê-las, valorizando a magia das luzes que proporcionam aos ambientes. E onde houver a presença de luminárias é porque têm, de fato, importância de destaque de design e decoração. “Por outro lado, há ambientes que exigem tratamento especial. É o caso da área da casa que fica sob a escada; se não tiver uma solução que componha com a ambientação, vai ficar um buraco escuro ou luminoso”, aponta. A partir do momento que esse canto tem uma função, como um pequeno escritório, espelho d’água ou uma escultura, a iluminação terá que ser adequada.  Solução que ele considera interessante é usar elementos luminosos, como três ou quatro bolas de tamanhos diferentes, que se integram ao projeto.

FLEXIBILIDADE DA ILUMINAÇÃO

Parschalk comenta que é fundamental ter flexibilidade na iluminação. “Na mesma sala de jantar, posso receber um casal de amigos à luz de velas, para um vinho e fondue e, num outro dia, para uma pizza que acompanha um jogo de futebol na TV, com a moçada. São dois climas totalmente diversos num mesmo local, em termos de arquitetura e de iluminação”, exemplifica.

A flexibilidade da iluminação se aplica também à equação da luz direta versus indireta. Numa sala onde há sancas e abajures, mas a mesa de centro ou uma escultura precisa ser destacada, a iluminação direta é uma boa solução. Um equívoco muito comum é aplicar vários spots no teto para tornar o ambiente claro. Primeiro, porque cria uma poluição visual no teto, com vários pontos de luz, sendo que alguns ofuscam e outros não. Depois, porque a iluminação direta vertical ilumina muito bem os planos horizontais, basicamente o piso e as superfícies do mobiliário. Porém, nosso principal campo visual é o vertical, as paredes. “A melhor opção é a luz indireta. Vale usar a direta, porém assimétrica, de forma que não venha aos olhos e, sim, às superfícies da parede e seus detalhes”, expõe.

Um uso interessante da luz direta, mas paralela à parede, é quando ela tem algum elemento a destacar, como revestimento de pedras. Todo o relevo da parte superior das pedras ficará iluminado, enquanto a oposta ficará na escuridão. “Ou seja, amplio com a luz esse contraste de textura. É algo proposital, desenhado. Mas, se afasto esses spots da parede, estou minimizando esse efeito de contraste”, diz.

LED E SEUS RECURSOS

São inúmeras as possibilidades de criação com pontos ou fitas de LED, que cumprem a função de clareamento do espaço. Inclusive, valorizando e destacando componentes da arquitetura
Guinter Parschalk

A tecnologia do LED com seus aspectos de miniaturização, baixo nível de calor e alto ciclo de vida se renova a cada dia e torna cada vez mais fácil aplicar a iluminação numa série de elementos da arquitetura e da arquitetura de interiores. É o caso da iluminação integrada em prateleira, rodapé, console do home theater, atrás da cabeceira da cama. “São inúmeras as possibilidades de criação com pontos ou fitas de LED, que cumprem a função de clareamento do espaço. Inclusive, valorizando e destacando componentes da arquitetura”, comenta.

A qualidade dessa tecnologia também evolui em reprodução e temperatura de cor, e em homogeneidade de uma fonte para outra. A versão LampLED converte formas tradicionais de iluminação, como a palito, fluorescente e PAR, em modelos de lâmpadas com tecnologia LED. São utilizadas para a substituição das convencionais com roscas antigas, como a E27 e a G9, entre outras. “Há uma vasta linha de LED como as fitas RGB, com alta reprodução de cores, com 4.8 watts/m linear com 200 ou 300 lumens/metro para rodapé. Há uma série de configurações para sancas, mobiliários, sob aparadores, enfim, para criar novos usos”, conta.

Atualmente, as luminárias são projetadas de forma adequada para essa tecnologia, eliminando o grande vilão do LED que é a temperatura. Parschalk explica que, se a luminária não tiver uma boa ventilação e dissipação de calor, o desempenho da lâmpada LED ficará comprometido com o passar do tempo. O mesmo ocorre com a LampLED. “As luminárias com LED integrado são projetadas para um ótimo desempenho e alto ciclo de vida”, diz.

As luminárias com LED integrado são projetadas para um ótimo desempenho e alto ciclo de vida
Guinter Parschalk

Com preço mais elevado estão as luminárias decorativas e técnicas, de excelente qualidade. Trata-se, por exemplo, dos sistemas lineares e microspots de LED com 3 ou 4 watts, com baixo nível de ofuscamento e ótima reprodução de cores, além dos equipamentos decorativos – geralmente importados da Alemanha, Inglaterra e Itália.

Com a chegada da tecnologia LED, as sancas de gesso foram reabilitadas e, hoje, são tendência na arquitetura de interiores. Elas permaneceram em desuso por um período, em decorrência dos tipos de lâmpadas disponíveis no passado, como as halógenas palitos, que aqueciam e queimavam os nichos. “A solução começou a retornar com as fluorescentes tubulares e, agora, com o LED. Esse nicho permite a instalação da iluminação, geralmente linear, que pode estar no teto projetando a luz na parede, ou na parede jogando luz para o teto, ou, ainda, embutidas nas sancas cortineiro”, relata.

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Colaboração técnica

Arquiteto Guinter Parschalk
Guinter Parschalk – Arquiteto com pós-graduação em desenho industrial na Áustria. Atua nas áreas de design de produto, iluminação e percepção visual desde 1984, contando com projetos realizados no Brasil e inúmeros países da América do Sul, América do Norte, Europa e Ásia. Tem seus trabalhos publicados em diversas revistas e livros nacionais e internacionais e palestras realizadas sobre seu trabalho, cabendo destacar, Light & Building em Frankfurt, Euroluce em Milão, Light Focus em Londres, Biel em Buenos Aires e aula magna na UNAM, Universidade Autônoma do México. Na Associação Brasileira de Arquitetos de Iluminação (AsBAI), foi diretor de Relações Sociais por duas gestões e membro do Conselho Fiscal – ocupou o mesmo cargo no Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS). Foi vice-presidente da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA) gestão 2012/2015, onde hoje é membro do Conselho Deliberativo, em sua terceira gestão. É membro da International Association of Lighting Designers (IALD).