Como corrigir armaduras expostas em estruturas de concreto?

Especialista em recuperação estrutural orienta sobre os procedimentos básicos de detecção e correção da patologia

Publicado em: 09/02/2022

Texto: Eric Cozza

estrutura de concreto
Microfissuras e fissuras se desenvolvem até fraturar o concreto e o cobrimento, provocando a expulsão ou lascamento do material (Foto: Leonel Tula)

As armaduras expostas constituem um dos principais sintomas de patologias em estruturas de concreto armado. São causadas, em geral, por processos de corrosão, gerados pela ação de cloretos, em ambientes industriais, marinhos ou nas faixas litorâneas. Ou por carbonatação, fenômeno comum em centros urbanos.

Especialista em patologia das edificações, corrosão e perda de desempenho estrutural, o engenheiro Leonel Tula é diretor da Onsite Estruturas, empresa de consultoria e execução de obras de recuperação. Ele é o convidado da seção AEC Responde para falar sobre os procedimentos de detecção e caracterização de corrosão de armaduras.

AEC Responde – Vamos falar sobre um problema que, infelizmente, é comum em algumas obras: as armaduras expostas em estruturas de concreto armado. O que um profissional deve fazer ao se deparar com esse problema?

Leonel Tula – É uma excelente pergunta, até porque armadura exposta é um dos sintomas mais frequentes entre as anomalias que se apresentam nas estruturas. Está relacionado comumente com a manifestação patológica de corrosão. Não é a única razão, mas a mais comum entre as que acontecem. As armaduras de aço desenvolvem corrosão, elas se consomem, vão perdendo aos poucos seu diâmetro e a capacidade mecânica. Durante esse processo, elas produzem um conjunto de óxidos, de produtos de corrosão, que possuem, em média, seis vezes o volume do material consumido. Ou seja, o produto da corrosão ocupa um volume seis vezes maior do que o original dela, provocando ações de expansão em volta das barras. Isso afeta, primeiramente, a aderência entre a barra e o concreto e, logo em seguida, provoca microfissuras e fissuras que vão se desenvolvendo até fraturar o concreto e o cobrimento, provocando a expulsão ou lascamento do material.

AEC Responde – O que causa a corrosão?

Tula – Outros mecanismos patológicos podem acontecer, mas o mais comum é mesmo a corrosão. Os outros são raros. Essa corrosão deve ser avaliada por um engenheiro patologista. Alguém que possua a capacidade de identificar, a partir de uma vistoria, qual é a causa dessa manifestação. Mas, geralmente, nós temos dois casos: corrosão por cloretos, quando você está próximo de um ambiente marinho ou de uma indústria. Ou, então, é por carbonatação no meio da cidade. A armadura, quando o concreto é novo, está tranquila, passiva. Quando o concreto começa a envelhecer, mecanismos de envelhecimento do material propiciam, além da umidade e do oxigênio, a corrosão do aço, assim como acontece com uma grade ou uma estrutura metálica qualquer.

Quando o concreto começa a envelhecer, mecanismos de envelhecimento do material propiciam, além da umidade e do oxigênio, a corrosão do aço
Eng. Leonel Tula

AEC Responde – O que o profissional deve fazer ao constatar o problema?

Tula – A primeira providência é contatar um engenheiro patologista de estruturas de concreto para acompanhar e definir exatamente qual o procedimento certo em cada caso. De maneira geral, o que imediatamente ele deve fazer é observar a armadura, ver se tem uma perda grande de diâmetro. Em se tratando de um profissional da construção civil, ele sabe que, se uma armadura perdeu aproximadamente 10% do seu diâmetro, isso equivale quase a 20% da sua área. É uma perda considerável. Ele precisa escorar aquele elemento estrutural e proceder um reparo, jamais utilizando materiais comuns e corriqueiros. Devem ser produtos específicos da área de reparo. Além disso, deve limpar corretamente as armaduras e liberá-las, tirando todo o concreto contaminado que possa estar em volta delas. Depois, preencher aquilo com um graute, uma argamassa de reparo. Se tiver uma perda considerável, vai ter que fazer uma reposição de armadura. Essa é a receita geral, mas claro que há todo um passo a passo, que os profissionais estão acostumados a fazer em obras com esse tipo de anomalia.

estrutura de concreto
Remoção do concreto deteriorado durante o reparo das armaduras (Foto: Leonel Tula)

AEC Responde – Quando há necessidade de trocar as armaduras, como deve ser realizado esse procedimento?

Tula – Normalmente, você tem que abrir um espaço maior, ou seja, tem que criar uma abertura na qual você possa criar uma ancoragem adequada. A armadura com uma perda considerável, maior do que 20% da sua área ou 10% do seu diâmetro, deve ser substituída por uma nova. Sem cortar. Põe uma nova do lado. Tem que ser do mesmo diâmetro, mas deve-se calcular comprimento e a ancoragem para cima, para baixo ou para o lado, na mesma direção da armadura. Isso obriga a você abrir mais o reparo, inclusive em áreas que podem não estar, necessariamente, corroídas.

Colaboração técnica

Leonel Tula – Especialista em patologia das edificações, corrosão e perda de desempenho estrutural. Diretor da Onsite Estruturas, empresa de consultoria e execução de obras de recuperação. Atua há mais de 25 anos na área, com experiências em projeto, pesquisa, consultoria, indústria e construção civil. Engenheiro Civil e Arquiteto, formado em 1988 pela Universidade de Construção de Moscou, com Doutorado em Engenharia pela Escola Politécnica da USP, em 2000. Professor de graduação e pós-graduação. Possui diversas publicações sobre o tema.