Como escolher o volume ideal da caixa d’água?

Cálculo leva em conta a média do consumo diário por pessoa de acordo com o tipo de edificação, número total de moradores ou usuários e dias de reserva de água, prevendo eventual período de desabastecimento

Publicado em: 25/04/2022

Texto: Eric Cozza

imagem de duas caixas de águ, uma ao ladoda outra
Boas condições de ventilação, área em volta do reservatório para inspeção e manutenção e apoio sobre uma base rígida, plana e nivelada são alguns dos cuidados necessários para a instalação de caixas d’água. (Foto: Shutterstock)

Em tempos de mudanças climáticas, que provocam períodos de chuvas extremas alternados com outros de seca, a preocupação com o abastecimento de água tem crescido em todo o país. A caixa d’água é um dos pontos de atenção tanto para moradores e usuários de edificações quanto para os profissionais da construção, engenharia civil e arquitetura.

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O dimensionamento adequado do volume do reservatório pode garantir um estoque adequado ao consumo, evitando problemas com o eventual desabastecimento de água pela concessionária.

A conta a ser feita leva em consideração a média do consumo diário por pessoa, que varia conforme o tipo de edificação, o número de moradores ou usuários e a quantidade de dias para durar a reserva de água. Em regiões onde os cortes são comuns, é recomendável prever mais do que os 2 dias sugeridos em condições normais de abastecimento, podendo chegar a três, quatro ou até cinco dias de reserva.

Tudo isso, porém, deve constar em projeto e ser muito bem planejado. Em entrevista para o podcast AEC Responde, a diretora de relações institucionais e governamentais da Associação Brasileira de Fabricantes de Materiais para Saneamento, a ASFAMAS, Luciana Oriqui, alerta para a necessidade de avaliação do local onde será colocada a caixa, o planejamento de instalação e alguns cuidados que devem ser tomados durante o processo. Confira a íntegra da entrevista.

AEC Responde – Como é que se dimensiona o volume ideal de uma caixa d'água?

Luciana Oriqui – Bom, primeiramente, devemos saber em que tipo de edificação você vai instalar a caixa. Para cada local, temos uma estimativa de consumo de água por pessoa. Por exemplo, se for uma residência de padrão médio ou superior, uma pessoa consome, em média, 150 litros de água por dia. Se for uma casa popular, um escritório ou uma indústria, há outro volume de consumo associado. Então, devemos multiplicar a quantidade de pessoas que habitam essa residência pelos 150 litros diários e multiplicar novamente pelos dias que você estimaria como uma reserva, no caso de falta d’água. O padrão é estimar dois dias de desabastecimento. Aí você tem um volume. Vamos supor uma casa com três pessoas, usando 150 litros, em média, por dia e optando por dois dias de reserva para o caso de desabastecimento. Chegaríamos a uma caixa com volume de 900 litros (3 x 150 x 2 = 900). Feito isso, é preciso verificar com o seu fornecedor qual a caixa d'água disponível com uma capacidade mais próxima disso. E a minha sugestão é que você opte por uma maior, caso não tenha uma no valor exato do cálculo. Veja a mais próxima, arredondando sempre para cima.

A grande maioria dos problemas tem origem justamente nessa falta de planejamento de instalação da caixa. É sempre necessário avaliar antes o local onde ela será instalada e os cuidados que devem ser tomados
Luciana Oriqui, diretora de relações institucionais e governamentais da Associação Brasileira de Fabricantes de Materiais para Saneamento, a ASFAMAS

AEC Responde – A senhora mencionou valores de referência por tipo de edificação. Para casas, são 150 litros. E para escritórios?

Luciana – Na verdade, para residências, existem dois padrões. Um para residências acima de 70 m2 e outro para o que é chamada de residência popular, abaixo de 70 m2. Para essa residência maior, o consumo médio é de 150 litros diários por pessoa. Na popular, é de 120 litros. Se for um alojamento provisório, 80 litros por dia. No caso de um escritório, 50 litros. Sempre por pessoa. No caso de indústrias, fazendas, aí você precisa verificar o uso da água no processo produtivo. Ou seja, de que forma é usada a água. Você precisa de um cálculo técnico mais específico. É necessário mapear o processo e entender as demandas para estabelecer um uso diário.

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AEC Responde – Um equívoco comum que verificamos no mercado é dimensionar a caixa d'água pensando apenas no espaço disponível para o reservatório na edificação. Ou, então, não prever as cargas decorrentes da caixa d'água cheia. O que fazer para não incorrer nesse tipo de erro?

Luciana – Bom, isso é primordial. A grande maioria dos problemas tem origem justamente nessa falta de planejamento de instalação da caixa. É sempre necessário avaliar antes o local onde ela será instalada e alguns cuidados têm que ser tomados. Você tem que ter condições ideais de ventilação. Deve deixar 60 centímetros em volta de todo o reservatório para termos uma área ideal para inspeção e manutenção. A caixa d'água deve ser apoiada em uma base rígida, plana, nivelada, isenta de qualquer irregularidade. Isso é fundamental e também que a superfície seja maior do que o fundo do reservatório. As furações nas caixas também devem ser feitas apenas utilizando serra-copo nos painéis planos ou nos locais indicados. Há sempre um manual que ensina os procedimentos corretos. Quando você adquire uma caixa d'água, é preciso seguir à risca aquele material. Sobre o apoio da caixa d’água, sim, você tem que verificar qual peso será suportado, a base que você tem e o peso dela cheia. Nunca imaginar uma caixa d’água parcialmente preenchida.

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Colaboração técnica

Luciana Oriqui – Engenheira de alimentos, mestre e doutora em engenharia química, está à frente da diretoria de relações institucionais e governamentais da Associação Brasileira de Fabricantes de Materiais para Saneamento, a ASFAMAS. Executiva envolvida com a temática da qualidade, tem ampla experiência em regulações e práticas voltadas à sustentabilidade, especialmente na elaboração e monitoramento de indicadores ESG voltados à minimização de impactos ambientais, sociais e econômicos.