Como se destacar em um programa de trainees na construção?

Conhecimento sobre a empresa, disposição ao aprendizado contínuo e facilidade de comunicação são trunfos em programas de trainees de construtoras e incorporadoras. Confira também 5 erros que não devem ser cometidos

Publicado em: 24/08/2022

Texto: Eric Cozza

foto de uma mulher com capacete de proteação em canteiros de obras com os braços levantados, como se comemorasse algum acontecimento
Nesta etapa da jornada profissional, mais do que provar conhecimento técnico ou experiência, candidatos devem demonstrar potencial, interesse e comprometimento (Foto: Shutterstock)

Com o mercado de trabalho ainda retraído, conseguir uma boa oportunidade em uma grande empresa na construção civil não é tarefa das mais simples para os jovens profissionais.

E não são todas as incorporadoras e construtoras que investem, por exemplo, em programas de trainees. O mercado ainda é muito pulverizado no Brasil e as pequenas e médias empresas costumam preferir métodos mais simples e diretos de contratação.

Isso não significa, entretanto, que não existam oportunidades de atuar como trainee na área. Para identificá-las, você deve estar atento aos sites das grandes empresas e ficar de olho nos prazos e nas providências necessárias para participar dos processos seletivos.

Ao organizar um programa desse tipo, o objetivo da empresa costuma ser recrutar, desenvolver e reter talentos, com capacidade de desenvolvimento para assumir posições estratégicas no futuro.

Espera-se que a postura seja condizente com a cultura da empresa, demonstrando conhecimento sobre a atuação, os projetos, objetivos e os resultados da companhia
Thais Rocha Ferreira

“Todo o programa é desenhado e acompanhado para que, a médio e longo prazo, tenhamos os resultados desejados. E isso começa desde a concepção da ideia do programa, passando por todas as etapas”, afirma Thais Rocha Ferreira, coordenadora de desenvolvimento humano na MRV&CO, companhia que já realizou mais de 10 edições do programa de trainees.

Há programas, entretanto, com outras metas, como é o caso do Grupo HTB. Lá, não há seleção externa. Os participantes já são estagiários ou jovens profissionais da construtora. “O objetivo é que eles incorporem uma visão macro e integrada de todos os processos da empresa”, afirma Ana Paula Chagas Pinheiro, da HTB.

O programa costuma durar 18 meses e os profissionais são constantemente avaliados. Aqueles que se destacam recebem uma premiação. Não há compromisso prévio da HTB nesse sentido, mas há chances também de promoção, a depender da performance no dia-a-dia e da avaliação em todo o ciclo de aprendizado.

Seja o processo externo ou interno, um programa de trainee constitui uma oportunidade para jovens profissionais que almejam se desenvolver e aspirar novas colocações.

Mas o que as empresas costumam valorizar nesse processo? Como se destacar nessa jornada? Confira a seguir 5 competências e habilidades valorizadas e 5 erros que não devem ser cometidos durante o programa.

COMPETÊNCIAS E HABILIDADES VALORIZADAS

1) Conhecimento sobre a empresa

Estudar o histórico, o propósito, a missão e os objetivos da companhia na qual se pretende atuar é um requisito básico. “Quem chega às etapas finais desse tipo de processo, em geral, já teve a oportunidade de participar de uma pequena imersão na empresa, com diferentes pessoas e setores”, afirma Thais, da MRV&CO. “Espera-se que a postura seja condizente com a cultura da empresa, demonstrando conhecimento sobre a atuação, os projetos, objetivos e os resultados da companhia”, completa.

2) Habilidade de comunicação

Aspirar um cargo técnico em uma construtora ou incorporadora não exime o jovem profissional de saber escrever e se comunicar bem. Pelo contrário. A capacidade de dialogar com outros profissionais da companhia, fornecedores e prestadores de serviços é cada vez mais valorizada. E, caso seja uma pessoa tímida, não se engane: é possível treinar, sim, tais habilidades. Será mais desafiador do que para alguém naturalmente desinibido, mas nada impossível.

Valorizamos o desenvolvimento individual e acreditamos na cultura corporativa que estimula o comprometimento das pessoas
Ana Paula Chagas Pinheiro

3) Comprometimento e senso de dono

Se há um preconceito que paira no mercado em relação às novas gerações é sobre uma possível falta de determinação, volatilidade ou ausência de compromisso. Equivocada ou não, tal visão está por aí e a melhor resposta para liquidá-la é provar que não se aplica no seu caso. Para um setor como a construção, sem local fixo de produção e com sucessivos projetos temporários, o chamado ‘senso de dono’ é ainda mais valorizado. A mentalidade do profissional de pensar e agir como se fosse acionista da empresa o eleva para um outro nível de comprometimento com os objetivos da companhia.

4) Liderança e trabalho em equipe

Já ouviu falar de algum projeto, empreendimento ou obra cuja gestão não passou pela interação constante com diferentes tipos de pessoas? Incorporação imobiliária e construção civil dependem, cada vez mais, de profissionais especializados, empresas subcontratadas, prestadores de serviços e uma extensa cadeia de fornecedores. Em resumo: saber liderar equipes próprias e terceirizadas é uma competência muito bem avaliada. O gestor precisa ter humildade e saber ouvir, mas também deve ter sua voz escutada – sem grito nem truculência, de forma natural, com base no respeito e na credibilidade conquistada junto aos times. Isso vale muito.

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5) Capacitação e atualização constante

O profissional deve buscar sempre novos conhecimentos para construir um perfil dinâmico e arrojado. Não há inovação sem capacitação e atualização contínua. As empresas sabem que contratar um profissional desatualizado é muito mais complicado do que um inexperiente, pois vivência se ganha com o tempo e a acomodação é mais difícil de ser revertida.

“Valorizamos o desenvolvimento individual e acreditamos na cultura corporativa que estimula o comprometimento das pessoas”, afirma Ana, do Grupo HTB. Por isso, são mandatórios o aprendizado contínuo e o aprofundamento teórico e prático em relação às principais tendências do mercado. Se tal predisposição não for captada pelos recrutadores, a chance de êxito diminui muito.

ERROS EM UM PROGRAMA DE TRAINEE

Vimos o que costuma ser valorizado em um programa de trainees. Mas e o que não deve ser feito, em hipótese alguma?

1) Currículo enganoso: não coloque informações duvidosas ou falsas no CV (curriculum vitae). Inclua somente o que é possível comprovar;

2) Atrasos: nunca deixe de chegar no horário combinado. Caso seja uma videoconferência, certifique-se com antecedência de que a conexão está boa;

3) Desconhecimento da empresa: não subestime a importância de conhecer a companhia em profundidade. Isso demonstra respeito, profissionalismo e interesse;

4) Discurso decorado: esqueça isso. É fácil de notar e o fato de não ser natural vai contar contra você. Demonstra insegurança e desconhecimento;

5) Postura inadequada: se você já estudou e conhece a cultura da empresa, procure agir e ter uma postura compatível. Não há uma única forma de se comportar. Por exemplo: o ambiente em uma empresa centenária, que valoriza tradições e conquistas do passado, pode ser muito diferente do que em uma startup recém-fundada, que privilegia criatividade e inovação. Procure se adaptar.

Carreira: qual é a sua sugestão de tema para o nosso espaço dedicado aos profissionais de Engenharia Civil, Arquitetura e Construção?

Colaboração técnica

Ana Paula Chagas Pinheiro – Analista de recursos humanos do Grupo HTB, é formada em psicologia com pós-graduação em psicodrama pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Participa da organização do programa de trainees da HTB Engenharia e Construção. Já atuou também com educação corporativa, treinamento e desenvolvimento.
Thais Rocha Ferreira – Formação em psicologia e pós-graduação pela Pontifícia Universidade Católica da Minas Gerais. Coordenadora de desenvolvimento humano da MRV&CO, possui experiência em todo processo de recrutamento e seleção de pessoal, começando por vagas operacionais até as posições mais estratégicas da empresa. Responsável pelo acompanhamento do programa de portas de entrada, apoio nas demandas de diversidade, inclusão, e marca empregadora.