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Dor nos quartos

Publicado em: 19/01/2015

Me estropiei todo ao tentar descer, com a ajuda de meu enteado, um móvel de cabeceira pela escada da casa. Ideia de jerico, minhas costas doem até agora e ainda poderia ter causado um acidente mais grave.

No 20° prêmio CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) de inovação, uma das pesquisas classificadas tratava justamente desta importante questão: ergonomia, o veloblock.

Imita máquinas similares utilizadas com êxito em linhas de montagem da indústria. É operado pelo pedreiro de forma similar a que pilotaria uma moto, fazendo o serviço pesado de elevação da carga por ele — no caso deste projeto, o bloco de concreto da alvenaria estrutural.

Em defesa do invento, o engenheiro apresentou uma série de estudos médicos realizados por diversos institutos de saúde em operários da construção demonstrando os graves efeitos na saúde física dos mesmos, provocados por movimentos repetitivos com insumos pesados.

A discussão em torno do equipamento foi grande e, em defesa de sua vitória, uma das juradas alegou justamente o foco na ergonomia, enquanto outra entendia que sua utilização perpetua um processo construtivo arcaico: a alvenaria.

O veloblock acabou ficando em segundo lugar em sua categoria. Não sei se o engenheiro responsável pelo desenvolvimento da traquitana conseguirá um dia chegar nos índices de mecanização e produtividade que imagina, nem sei se processos industrializados como placas de gesso, madeira, aço ou concreto destronarão o bloco cerâmico algum dia (imagino que nunca, ao menos no Brasil). Até lá, estaremos sendo coniventes com a deterioração visível da vida útil daqueles que dia a dia têm de carregar uns quantos móveis de cabeceira em nossas obras.