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Moradias eficientes, com qualidade de vida e menor impacto socioambiental

Publicado em: 03/08/2009

Como reduzir custos com energia e água, colaborar para conservação do meio ambiente, melhorar os ambientes internos e promover a inclusão social? Parafraseando o ditado "educação começa em casa", sustentabilidade também. E como a educação se pratica na coletividade, o melhor lugar para se colocar em prática a sustentabilidade são os condomínios, sejam os comerciais e, principalmente, os residenciais.

Enquanto que nos edifícios comerciais, os impactos da sustentabilidade são mais perceptíveis na produtividade dos colaboradores, que chega a aumentar em até 16%; nos residenciais, o que interessa é o menor condomínio, a qualidade do ambiente e o maior valor de revenda do imóvel. Nos edifícios sustentáveis, os custos de manutenção e operação são até 40% menores, com vida útil prolongada.

O controle do tabaco, a coleta seletiva, a utilização de metais sanitários eficientes, capachos para contenção adequada da poeira em todas as entradas e a limpeza "verde", com o uso de produtos sem cloro, por exemplo, são passos simples, porém importantes para a adesão à sustentabilidade, dos ocupantes.

Atualmente, existem empreendimentos já planejados e construídos de acordo com normas que reduzem o impacto no meio ambiente e ampliam as vantagens da eficiência energética, entre outros itens. O que coloca um desafio a mais aos condomínios já existentes: tornarem-se sustentáveis.

Tudo começa com o diagnóstico de sustentabilidade, a fim de se saber o nível atual e as mudanças necessárias, levando-se em conta os seguintes aspectos: racionalização no consumo da água; condições do ar interno; desempenho energético; política de compras e de limpeza sustentável; manual de boas práticas preditivas; separação, armazenagem e destinação correta de recicláveis.

Para quem acha um bicho de sete cabeças, nada como ver a sustentabilidade ser colocada em prática para compreendê-la. No caso do uso racional da água, podemos citar como medidas a utilização de metais sanitários (torneiras e válvulas de descargas) eficientes que reduzem o uso de água. Já existem no mercado, alguns produtos que controlam o fluxo e o tempo de acordo com a utilização. Deve-se também controlar o consumo por categorias (sanitários, paisagismo, ar condicionado e etc); fazer o gerenciamento das águas pluviais, quando econômico, por meio de reuso, retenção ou infiltração; garantir um paisagismo com baixas necessidades hídricas e irrigação controlada e, quando viável tecnicamente, instalar medidores individuais de água.

Quando se fala em qualidade do ar interno, deve-se ter como princípio práticas eficientes que não prejudiquem e que também promovam a troca de ar, como por exemplo, proibir o fumo nas áreas internas do empreendimento e nas áreas externas próximas às entradas; utilizar tintas, colas, vernizes e carpetes com baixa emissão de compostos tóxicos, como COVs (compostos orgânicos voláteis); monitorar a renovação de ar e em ambientes com alta concentração permanente de pessoas por meio de sensores de CO2; monitorar o conforto térmico; implantar procedimentos para limpeza verde, empregando medidas para a correta seleção, armazenamento e utilização dos produtos de limpeza, dando preferência por materiais de baixa toxicidade e equipamentos eficazes.

E, colaborando para a redução dos desperdícios e, consequentemente, para a economia, deve-se verificar a possibilidade de utilizar mais a iluminação natural. É muito comum estarmos em casa ou no trabalho com persianas arriadas e com luzes acesas, nos privando do bem estar causado pela luz natural e consumindo, na maioria das vezes e, desnecessariamente, energia elétrica. Utilizar lâmpadas eficientes e sensores de presença em locais não permanentemente ocupados, como corredores, escadas de incêndio e garagens também contribui para a redução dos gastos condominiais.

Além dessas questões básicas deve-se verificar o desempenho dos equipamentos e sistemas do edifício a fim de aprimorar a eficiência. Rotores e motores das bombas dágua mal dimensionados significam desperdício de energia e dinheiro. Medidas de acompanhamento diário permanente trazem boas economias anuais pela identificação, imediata, de vazamentos e desperdícios. Treinar, trimestralmente, a equipe de operação e manutenção para garantir uma operação otimizada dos sistemas e, em caso de novas aquisições, dar preferência pelos que tenham de baixo consumo, como aqueles com selo Procel e Energy Star, são recomendações que agregam menor impacto nos custos e no planeta.

Um caminho interessante para introduzir a sustentabilidade em condomínios e residências é o de envolver as crianças para "gerenciar" os desperdícios. Elas estão altamente motivadas para a oportunidade de praticar o que aprendem na escola e "carregariam" os pais na empreitada de contribuírem para um mundo melhor. Um sistema de "carona para escola e trabalho" também poderia ser incentivado de modo a dar mais tempo de lazer às pessoas e contribuir para a redução do tráfego e da poluição. O planeta e a humanidade agradeceriam.

A cada dia, mais pessoas se engajam no movimento para um mundo melhor. É uma mudança de atitude que passa a questionar se não podemos continuar a fazer o que precisamos fazer de modo a que nos traga mais benefícios, impactando menos o meio ambiente e ajudando a aumentar a qualidade de vida das pessoas. Cada um de nós, como consumidor, tem o efetivo poder de contribuir para mudar o mundo ao questionar se aquele produto ou serviço que estamos comprando foi ou será produzido com ética e responsabilidade socioambiental. Vamos começar a praticar em casa: por exemplo, antes de adquirir uma nova cadeira, exija o comprovante de legalidade da madeira (quem se propõe a vender uma cadeira de madeira é co-responsável pela sua origem legal e deve exigir do fabricante respeito às legislações sociais e ambientais). Com atitudes desse tipo você estará contribuindo, em muito, para um mundo melhor.