Varejo, os consumidores e os produtos sustentáveis

Publicado em: 29/11/2010

Os consumidores brasileiros estão ávidos por comprar produtos que não façam mal à sua saúde nem ao meio ambiente e que tenham qualidade assegurada. Você conhece alguma loja de varejo que esteja oferecendo isso a seus clientes de forma ética e genuína? Conhece algum varejista que esteja ajudando, de forma verdadeira, seus clientes a escolherem melhor o que levam para casa?

Pesquisa recente de setembro 2010 da Kantar WorldPanel indicou que 73% dos consumidores de São Paulo e do Rio de Janeiro responderam "sim" quando perguntados se aceitariam pagar mais por produtos que cuidam do ambiente. Outra pesquisa da GS&MD de agosto desse ano indicou que os consumidores brasileiros estariam dispostos a pagar, em média, 8% a mais por produtos sustentáveis.

O que temos visto são destaques nas prateleiras para produtos que estão na mídia sendo contestados pelo CONAR por suas propagandas nada cientificamente comprovada de seus impactos sobre o meio ambiente. São promoções de produtos altamente agressivos à saúde das famílias, mas que são promovidos por determinadas redes de varejo, como sustentáveis, só porque têm a embalagem reciclada. São ofertas de produtos de artesanato, o mais elementar que se possa fazer, sendo importados de países onde não se respeitam os direitos humanos e do trabalho, e oferecidos em detrimento do combate à miséria e a fome das nossas populações carentes.

O consumidor, cada vez mais consciente e informado, vai repudiar atitudes desse tipo e irá discriminar os varejistas que não demonstrarem que antes de colocar na prateleira tiveram a responsabilidade de selecionar produtos não contribuem para piorar nossa sociedade e nosso meio ambiente. Só colocar na prateleira produtos socioambientalmente responsáveis é uma responsabilidade do varejo! Importar trabalho escravo, não cumprimento aos direitos humanos, miséria e exportar divisas para compra de produtos produzidos sabe-se lá como tem virado moda e será um tiro no pé desses distribuidores. É preciso dar um basta a essas importações que prejudicam o verdadeiro desenvolvimento sustentável de nosso país.

Sustentabilidade empresarial significa garantir rentabilidade e perenidade no curto, médio e longo prazos. Só que isso tem que ser feito com ética e responsabilidade socioambiental. Essa é a nova forma de se fazer negócios: com retornos compartilhados entre a empresa e a sociedade. Há uma enorme revolução a ser feita nas cadeias de varejo e as que conseguirem atender ao que os consumidores brasileiros estão sinalizando há bastante tempo serão as novas líderes. Uns continuarão a ter miopia e só conseguirão enxergar a geração de lucro no curto prazo, não contribuindo para a melhoria da sociedade e do meio ambiente; outros muitos procurarão por meio de muita maquiagem verde tentar enganar a si próprios e aos seus clientes e, sem consistência de propósitos perderão participação de mercado. Assumirão a liderança os que forem éticos, transparentes na ação de entregar valor para seus acionistas, seus clientes e para a sociedade.