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Conheça opções, indicações e cuidados na aplicação de vidros como acabamento

Versátil, faz as vezes de revestimento, seja sob a forma de pastilhas, placas aplicadas à superfície e sobre vãos, ou até como elemento autoportante

Publicado em: 05/02/2014

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Vidros para revestimentoEspelho combinado com vidro impresso
Foto: Divulgacao UBV

Quando se pensa em revestir paredes com vidro, o mais comum é o uso de espelhos – escolha justificada pela capacidade do material de conferir amplitude e luminosidade ao ambiente. Mas o extenso leque de produtos decorativos atualmente oferecido pela indústria vidreira inspira aplicações diversificadas. Até mesmo os espelhos podem ser encontrados em versões além das tradicionais, por exemplo, em cores ou com serigrafias.

“O vidro é um material que oferece leveza e modernidade aos ambientes, independente da decoração”, observa Carlos Henrique Mattar, gerente de Marketing da Cebrace. Para o revestimento de paredes, o profissional indica vidros pintados, serigrafados e esmaltados, que se destacam, entre outros motivos, em função do brilho, baixa necessidade de manutenção e assepsia.

Vidros impressos, com texturas variadas, são a indicação da gestora de Trade Marketing da UBV, Daniela Barros. “O vidro impresso incolor, pintado ou espelhado para revestimento cria efeitos bem interessantes e, no caso de placas grandes, as juntas sutis dão a sensação de continuidade, um dos diferenciais do material”, afirma. Outras opções decorativas que vão bem em paredes são os vidros acidados, de aspecto fosco, e os laminados com imagens ou outros elementos em sua camada intermediária. Quem indica é o gerente técnico da Associação Brasileira de Distribuidores e Processadores de Vidros Planos (Abravidro), Silvio Ricardo Bueno de Carvalho.

“Se a intenção é utilizar o vidro como divisória ou mesmo fazendo a função de parede, deve-se optar pelos temperados ou laminados, por questões de segurança”, alerta Carlos Henrique.

Instalação e outros cuidados – Segundo Daniela, da UBV, para receber o vidro a parede deve estar saudável, sem problemas de umidade ou infiltrações. Podem ser empregados métodos mecânicos e químicos de fixação. O primeiro envolve a colocação de molduras, botão francês, presilhas ou garras e aparafusamento. No segundo caso a adesão se dá por meio de adesivos, silicones de cura neutra ou outros produtos fabricados exclusivamente para o material. As informações são de Silvio Ricardo. “Em áreas molhadas, é importante fazer a selagem das bordas”, ressalta o profissional da Cebrace.

Vidros para revestimentoVidro pintado usado como divisoria
Foto: Divulgação Cebrace

LAMINADOS E IMPRESSOS VÃO BEM EM PISOS

O vidro é um material que oferece leveza e modernidade aos ambientes, independente da decoração

O revestimento de pisos com vidro requer cautela. Segundo Carlos Henrique, da Cebrace, sempre que houver vãos sob as placas é obrigatório o uso dos laminados, tal como recomendam as normas brasileiras, em especial a NBR 7199 (Projeto, execução e aplicações de vidros na construção civil). Se a aplicação for feita diretamente sobre uma superfície, a gama de alternativas se amplia, sendo permitido o uso de vidros para revestimento. Em ambas as situações, uma solução para aumentar a vida útil do produto é temperá-lo, informa o diretor-técnico da Abravidro. “A resistência mecânica é até cinco vezes maior que a do vidro comum”, garante..

Em nome da segurança contra escorregamentos, Daniela, da UBV, sugere apostar no vidro impresso com a textura voltada para cima, compondo um vidro laminado. Além do efeito antiderrapante, a profissional afirma que o material resultante contribui para disfarçar aqueles riscos e sujeiras que se formam naturalmente devido ao uso.

Instalação e outros cuidados – O uso estrutural inspira cuidados desde a especificação: É sempre necessário verificar a carga que o vidro terá de suportar para avaliar a espessura adequada a cada caso”, afirma Silvio Ricardo. “Na dúvida, consulte a assistência técnica dos fabricantes. A instalação em pisos e escadas deve se feita utilizando-se calços e um suporte mínimo com 2,5 vezes a espessura do vidro”, completa Carlos Henrique, da Cebrace.

MOSAICOS E PASTILHAS

É sempre necessário verificar a carga que o vidro terá de suportar para avaliar a espessura adequada a cada caso

Versáteis, as pastilhas de vidro podem revestir paredes internas e externas, pisos, fachadas, piscinas e espelhos d’agua. A exceção é o emprego em pisos de áreas externas, em função do seu baixo coeficiente de atrito. O que falta neste quesito sobra em durabilidade. Como destaca o gerente de Outsourcing da Gail, Eduardo Castro, graças à matéria-prima, as pastilhas são resistentes a fatores como clima, congelamento, choque térmico e ataques químicos, além de nula absorção d’água, não apresentando expansão por umidade.

Duas formas de fabricação principais diferenciam os produtos encontrados no mercado brasileiro, conforme explica Arthur Grangeia, diretor comercial da Colormix. De um lado, o método artesanal, que remete aos mosaicos bizantinos, no qual a coloração é adicionada durante o processo de fabricação do vidro, de forma que os dois elementos se fundem. No outro método, mais simplificado e moderno, o vidro laminado transparente desenvolvido para produção das pastilhas é esmaltado em uma das faces e cortado no formato desejado. “Neste processo as pastilhas passam por um forno contínuo apenas para fixação das cores”, acrescenta Arthur.

Vidro para revestimento

Instalação e cuidados – O profissional da Colormix lembra que, por não absorverem água, as pastilhas devem ser assentadas com argamassa específica para vidro. O produto é uma cola do tipo química, que é mais resistente que as argamassas comuns. “Além disso, é muito importante contar com mão de obra qualificada”, ressalta. A recomendação se justifica: o espaçamento entre as placas deve ser idêntico àquele entre as pastilhas, de forma a criar um conjunto harmônico. “Os espaçamentos variam entre 1 mm e 3 mm, dependendo do tamanho e modelo das pastilhas.”

Pensando na integridade do material, Eduardo, da Gail, orienta que a primeira limpeza deve ser feita com detergente neutro e de forma cuidadosa, já a superfície da pastilha pode conter materiais abrasivos, como cimento e areia. “No caso de haver sujeiras impregnadas, como excesso de rejunte e cimento que não tenham sido retiradas na primeira limpeza, recomendamos a utilização de produtos específicos pós-obra, depois de 72 horas da aplicação do rejuntamento”. Escovas com cerdas de aço ou qualquer outro metal podem riscar e danificar o produto. Também deve ser evitado contato da pastilha com produtos que contenham ácido fluorídrico ou muriático na fórmula.

É BOM SABER

Entenda como são produzidos alguns dos vidros utilizados como revestimento

Impresso: também é conhecido como vidro fantasia. Na produção, a tira de vidro fundido passa entre rolos a 900 graus centígrados. O rolo superior é liso e o inferior detém em sua superfície os desenhos ou padrões que se deseja imprimir no vidro. Seu beneficiamento pode envolver laminação, têmpera, espelhamento, jateamento e bisotê. (Informações da Abravidro)

Laminado: “é um vidro de segurança composto por duas ou mais lâminas de vidro fortemente interligadas, sob calor e pressão, por uma ou mais camadas de polivinil butiral (PVB) ou resina”, segundo definição da Abravidro. Carlos Henrique, da Cebrace, acrescenta: “Os vidros laminados podem ter em sua composição vidros incolores, coloridos, espelhos e vidros pintados”.

Esmaltado ou serigrafado – recebem camadas de esmaltes cerâmicos em sua superfície e passam por um processo de têmpera, que faz a tinta se fundir com o vidro a uma temperatura que varia entre 650 e 700 graus centígrados, conforme explicação do profissional da Cebrace. “Esse esmalte tem a aparência de uma tinta vitrificada”, diz. É denominado esmaltado quando a aplicação é feita por meio de rolos. Já o serigrafado (também conhecido como pintado a quente) recebe desenhos ou estampas por meio de processo de silkscreen.

Pintado: para a produção deste tipo, conhecido como pintado a frio, é utilizado um compressor. Após ser lavado com álcool isopropílico, o vidro recebe a tinta. Sua principal vantagem está relacionada ao custo, inferior ao de outras opções decorativas em função do não processamento em têmpera. (Informações Abravidro e Cebrace)

 

QUALIDADE

De acordo com Silvio Ricardo, da Abravidro, não há ainda uma norma específica para o uso do material como revestimento. Ele cita, entretanto, a ABNT NBR 15198 (Espelho de prata – Beneficiamento e instalação), cujas indicações podem ser utilizadas para outros tipos de vidro além dos espelhos. Há que se considerar ainda, como cita Carlos Henrique, da Cebrace, a NBR 7199 (Projeto, execução e aplicações de vidros na construção civil). Para pastilhas de vidro, também não há normatização, informa Arthur Grangeia, da Colormix.

Colaboraram para esta matéria

Carlos Henrique Mattar – Gerente de Marketing da Cebrace. Formado em engenharia metalúrgica e de materiais pela Poli/USP, pós-graduado em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas, e com MBA em Marketing pela ESPM. Possui cursos de formação técnica na Escola do Vidro e na Universidade do Vidro, na França. Atua no mercado do vidro plano desde 2000 e é gerente de Marketing da Cebrace desde 2012.
Arthur Grangeia – Diretor Comercial da Colormix. É formado em arquitetura e urbanismo pelo Centro Universitário de Belas Artes de São Paulo.
Silvio Ricardo Bueno de Carvalho – Gerente-técnico da Associação Brasileira de Distribuidores e Processadores de Vidros Planos (Abravidro) e chefe de Secretaria do Comitê Brasileiro de Vidros Planos (ABNT/CB-37), órgão responsável por desenvolver e atualizar as normas técnicas relacionadas aos vidros planos sob responsabilidade da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
Eduardo Castro – Formado em Engenharia pela Faculdade de Engenharia Industrial (FEI) e em Ciências Contábeis pela Associação Educacional do Litoral Santista, tem MBA em Gestão Estratégica de Crédito e Cobrança pelo IBETC. Atua na Gail como Gerente de Outsoursing Nacional.
Daniela Barros – Gestora de Trade Marketing da UBV – União Brasileira do Vidro.