Injeção eletrônica reduz consumo, mas requer cuidados

Por não possuírem vela de ignição de combustão, os motores de caminhões a diesel trabalham com elevada pressão

Publicado em: 31/03/2015Atualizado em: 15/04/2015

Texto: Redação PE

Implantado em caminhões rodoviários desde 2005, o sistema de injeção eletrônica é de suma importância para o bom funcionamento desses veículos atualmente. Para se ter uma ideia do benefício operacional, ele controla o consumo de combustível, aumenta a potência e reduz as emissões de gases. Mas o cuidado com os problemas que podem acometer esse sistema deve ser contínuo, devido ao custo de manutenção bem superior ao dos antigos carburadores e ao baixo desempenho nas operações.

O diagnóstico de avarias geralmente detecta problemas como falta de potência e torque, além do consumo elevado de combustível e falha de funcionamento do motor. Adicionalmente, é também identificado o excesso de fumaça, funcionamento incorreto do cilindro decorrente de um injetor danificado, entre outros problemas.

A luz no painel de instrumentos do veículo acende para avisar sobre qualquer anomalia no sistema. Tanto na revisão, quanto no reparo dos componentes do sistema de injeção e outros sistemas controlados pela central eletrônica, o ideal é que o técnico tenha em mãos o scanner para fazer uma inspeção detalhada nos componentes. O equipamento indica quais são os problemas detectados, onde estão e como fazer para alcançá-los. 

Problemas e recomendações

Água no combustível, sujeira no tanque e combustível de má qualidade costumam ser os principais problemas do sistema de injeção eletrônica. De acordo com porta-vozes da Ford/ Divepe Caminhões, a melhor prevenção para problemas no sistema de injeção eletrônica é a execução correta da manutenção envolvendo troca de filtro, eliminação da água do filtro separador, e cuidado com a qualidade do combustível usado.

Por isso, tanto Ford quanto Man Latin America orientam proprietários a seguirem as instruções de verificação do caminhão, com atenção especial para presença de água no filtro, assim como abastecimento com combustível de qualidade. “É preciso evitar a entrada de sujeira no tanque, caso o veículo esteja trabalhando em terreno com muito barro”, alerta Ricardo Yada, supervisor de marketing do produto, da MAN Latin America.

Qualidade do disel afeta vida útil do motor

A partir de 2012 entrou em vigor o P-7, sétima edição do Proconve (Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores), que exige modificações nos motores, novos sistemas de pós-tratamento dos gases de escapamento e diesel com reduzido teor de enxofre. A partir dessa norma, os caminhões foram fabricados com novas motorizações, que reduzem as emissões de poluentes e contam com tecnologia EGR (Recirculação de Gases de Exaustão) ou SCR (Redução Catalítica Seletiva).

No entanto, segundo a MAN Latin America, a diferença de qualidade do diesel compromete o cumprimento do Proconve P-7 e a vida útil do motor. “Tanto o SCR quanto o EGR são sensíveis à quantidade de enxofre presente no diesel e isso prejudica o sistema de tratamento de gases e materiais particulados”, diz Ricardo Yada.

“Além disso, o enxofre é o principal elemento químico do ácido sulfúrico que causa corrosão no sistema de injeção de combustível. Ele aumenta o diâmetro dos orifícios dos bicos injetores e altera a pressão e distribuição uniforme que o jato de diesel deve ter ao entrar no cilindro”, explica Yada.

Conheça melhor os sistemas de injeção eletrônica

Entre os mais conhecidos e utilizados estão o Common Rail, que faz a injeção de combustível na câmara de combustão por meio de uma bomba, e o PDE, conhecido por “bico-bomba”, em que cada bico injetor possui uma bomba para injeção do combustível.

A maioria das montadoras de caminhões utiliza o Commom Rail, tecnologia presente há alguns anos como componente integrado dos motores eletrônicos. De acordo com a fabricante Ford/ Divepe Caminhões, esse sistema aumenta a potência e torque em baixas rotações, além do reduzir o consumo de combustível, os níveis de ruídos e de emissões de poluentes.

“Existem até carros com sistema de injeção Common Rail, porém, o sistema de injeção eletrônica de caminhão não possui a válvula pedal no coletor de admissão. O bico injeta combustível a uma pressão elevada, sem utilizar vela”, explica especialistas da fabricante. Os motores a diesel dos caminhões (Ciclo Diesel) atuam numa pressão muito maior, pois no Ciclo Diesel não existe vela de ignição da combustão.

Assim, a combustão ocorre de maneira espontânea no momento da injeção do combustível. Outra particularidade no sistema de injeção eletrônica nos caminhões é que a bomba de baixa pressão não está posicionada no tanque, sendo parte da bomba de alta pressão.

Colaboraram para esta matéria

Ricardo Yada – supervisor de marketing do produto, da MAN Latin America
 
Assessoria de imprensa – Ford/ Divepe Caminhões