Shingle, mais que uma telha, é um sistema de telhado

Leve e de fácil instalação, o produto apresenta grande número de vantagens sobre os convencionais. Mas sua especificação deve ser detalhada e adequada ao projeto

Publicado em: 03/06/2021

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Telhas shingle
A base que recebe as telhas shingle é um painel estrutural de madeira instalado sobre os caibros de madeira ou aço (Foto: ungvar/Shutterstock)

As telhas shingle estão no mercado mundial há mais de 150 anos, cobrindo anualmente 2,5 bilhões de metros quadrados de telhados. Conhecidas também como telhas asfálticas e telhado americano, foram desenvolvidas no Canadá e se adequam a qualquer clima.

O produto é encontrado nas mais diferentes partes do planeta, resultando em especial beleza com vantagens técnicas e arquitetônicas significativas
Edmilson Figueiredo

“O produto é encontrado nas mais diferentes partes do planeta, resultando em especial beleza com vantagens técnicas e arquitetônicas significativas”, informa o arquiteto Edmilson Figueiredo, diretor da TC Shingle do Brasil, filial do grupo italiano IWIS.

De acordo com o engenheiro Mateus Castro, coordenador de Marketing da linha de coberturas da Brasilit, atualmente, 90% dos telhados norte-americanos e europeus utilizam o sistema de cobertura shingle. “As telhas shingle são produzidas com base de fibra de vidro e manta asfáltica, cobertas com grânulos minerais”, explica.

As espessuras, segundo Figueiredo, variam de acordo com a composição do produto, sendo mais espessas nas linhas mais nobres. Já suas dimensões pouco variam, tendo 1,00 m de comprimento e cerca de 0,34 m de largura. “Detalhe importante é que as telhas são embaladas em pacotes que podem ser colocados em pallets, ocupando o mínimo necessário de espaço físico, facilitando o transporte”, completa.

Características técnicas

A flexibilidade das telhas permite adaptação a qualquer tipo de estrutura, sejam elas planas, curvas ou recortadas. Com elas é possível atender às mais diversas soluções arquitetônicas, cobrindo telhados com ângulos de 15° a 90°, inclusive fachadas.

As telhas shingle são extremamente leves, pesam cerca de quatro vezes menos do que as convencionais, o que resulta em considerável economia, não só na estrutura do telhado como também na do imóvel. “A instalação é simples, rápida e funcional, sem a necessidade de peças especiais, já que a própria telha recortada faz os acabamentos necessários para cumeeiras e espigões. Além disso, um telhado shingle reduz significativamente as perdas de execução”, acrescenta Figueiredo.

Ele frisa que a resistência do material aos ventos é superior à dos telhados convencionais, o que resulta em baixo risco de destelhamento. São testadas sob temperaturas que vão -70 até 90 °C e ao impacto de granizo, chuvas e variações climáticas.

Sistema shingle

Castro conceitua o produto como um sistema de coberturas, que envolve vários componentes. “Sua base é o painel estrutural de madeira instalado sobre os caibros de madeira ou aço, nivelados e dimensionados para a carga do sistema. A base deve resistir aos esforços da cobertura e de seus instaladores nos vãos entre os apoios. E, também, garantir a ancoragem das fixações das telhas shingle. Além disso, deve ter proteções contra cupim e umidade”, diz.

A ventilação é imprescindível para o controle da temperatura e para evitar condensação de água. O sistema de ventilação deve possuir entradas de ar frio na parte mais baixa da cobertura e saídas de ar quente nas regiões mais altas
Mateus Castro

A subcobertura faz parte do sistema e tem a função de regularizar a base de madeira e o acabamento das telhas, além de aumentar a segurança na montagem. “A manta autoaderente que fornecemos para água-furtada garante a impermeabilização”, assegura o engenheiro, acrescentando que a empresa também oferece as cumeeiras ventiladas e aeradores, que melhoram a circulação de ar e o conforto térmico da edificação. “A ventilação é imprescindível para o controle da temperatura e para evitar condensação de água. O sistema de ventilação deve possuir entradas de ar frio na parte mais baixa da cobertura e saídas de ar quente nas regiões mais altas”, explica Castro.

Por serem muito flexíveis, as telhas shingle permitem uma adaptação perfeita das diversas águas do telhado, o que facilita o acabamento dos espigões, dos rufos e das águas-furtadas. Os apoios da estrutura ou H-Clipe devem ser instalados como sustentação da base, nos vãos entre os caibros. Por fim, o sistema adota proteção de borda da base de madeira que estiver exposta a intempéries e nos encontros com paredes. Essa proteção se apresenta na forma de mantas autoadesivas ou rufos metálicos.

Vantagens

Entre as vantagens ressaltadas por Figueiredo está a possibilidade de o arquiteto criar telhados shingle que agregam exclusividade e modernidade ao imóvel, optando entre os diversos modelos, além do popular retangular. “O fato de serem leves aliviam a carga sobre a estrutura da edificação e, portanto, são interessantes, também, para reformas de imóveis antigos ou com estruturas mais frágeis”, diz.

Castro complementa, lembrando vantagens como a durabilidade, já que as telhas resistem a fortes ventos e intempéries; redução do investimento em estrutura; conforto termoacústico; impermeabilidade que evita vazamentos e infiltrações; tratamento antifungos, ou seja, não mofa ou embolora; e maior garantia do produto, entre 25 e 30 anos, dependendo da linha.

Apesar de o sistema shingle estar presente no Brasil há mais de 20 anos, ainda é pouco utilizado. “Em razão disso, em algumas regiões, há poucos telhadistas especializados nesse tipo de instalação. O valor da mão de obra é, em média, mais elevado, mesmo sendo a instalação mais simples e rápida do que a dos telhados convencionais”, observa Figueiredo, contando que esse custo vem mudando a cada ano diante do aumento da oferta de mão de obra e de projetos pensados para receberem shingle.

Instalação

Segundo Figueiredo, a instalação das telhas shingle é tão rápida e prática que em países como EUA e Canadá o próprio consumidor a executa. Castro indica o passo a passo da instalação:

Estrutura do sistema:

• Espaçamento entre apoios: para a aplicação da base, construa a estrutura com 60 cm de eixo a eixo;
• Junta de dilatação: deixe 3 mm de espaçamento entre as placas;
• Fixação: utilize pregos ou parafusos de tamanho e espessura suficientes para dar ancoragem à placa, pregando-os em toda a linha de apoios a cada 15 cm e, no centro da placa, a cada 30 cm, a uma distância de 1,5 cm da borda;
• Paginação: nunca deixe coincidir as extremidades das placas, fazendo uma paginação “amarrada”. As extremidades da placa devem sempre estar apoiadas, conforme mostra a imagem abaixo;
• Apoio ou H-Clipe: para a sustentação da placa nos vãos dos caibros da estrutura.

Telhas shingle

Especificação

Por serem pregadas e adesivadas, as telhas são indicadas para telhados inclinados, porque não escorregam, proporcionando mais segurança e vida útil. Podem ser instaladas em todo tipo de obra, desde as residenciais até o coroamento de edifícios, passando por hotéis e resorts, restaurantes, escolas, igrejas, prédios públicos, clubes, entre outras. “Não há limitações para seu uso. No entanto, o sistema shingle normalmente não é o mais procurado para telhados industriais pois, mesmo possuindo tantas vantagens técnicas, seu maior apelo ainda é o fator estético”, comenta Figueiredo.

Consumidores e arquitetos ainda conhecem pouco sobre o produto que, no mercado brasileiro, é oferecido em grande quantidade de modelos e cores. “É comum que os projetos especifiquem apenas ‘telhas shingle’, quando o ideal seria informar o modelo e as características do produto desejado”, alerta Figueiredo, que recomenda: “Uma boa especificação deve conter o modelo do produto, o tipo de asfalto, a gramatura do asfalto, a gramatura de fibras de vidro, o tipo de grânulos que recobrem a telha e a cor de sua pigmentação”.

O arquiteto pode especificar, por exemplo, a telha em um modelo e cor que se adequem ao projeto, informando também que a telha deve possuir asfalto do tipo “Tia-Juana”, com gramatura de asfalto a partir de 1.300 g/m², reforço interno em fibra de vidro a partir de 125 g/m², que será recoberta com grânulos de basalto ceramizados.

Uma especificação bem detalhada permite ao consumidor e ao arquiteto a identificação e comparação entre os produtos de melhor qualidade, para uma compra consciente. “Lembrando que um telhado shingle não é somente telha, mas sim uma série de acessórios, onde cada um tem sua importância e devem ser sempre levados em consideração”, finaliza Figueiredo.

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Colaboração técnica

Edmilson Figueiredo
Edmilson Figueiredo – Arquiteto formado pela Universidade de Guarulhos (2000), pós-graduado em Vendas e Marketing pelo Mackenzie (2007). Tem mais de 20 anos de experiência, sendo 16 deles na indústria de materiais de construção, com ênfase em coberturas residenciais de alto padrão. É diretor da TC Shingle do Brasil, filial do grupo italiano IWIS.
Mateus Castro
Mateus Castro – Formado em Engenharia Civil pela Universidade de São Paulo, já atuou no grupo Saint-Gobain junto à área de Marketing da Quartzolit em projetos de Novos Mercados e, hoje, é responsável pela Coordenação de Marketing da linha de coberturas da Brasilit.