Quando trocar a fiação elétrica?

Bolhas, perfurações, descoloração, enrijecimento, trincas ou esfarelamento na isolação podem ser indicadores da necessidade de substituição dos condutores elétricos. Avaliação de profissional habilitado é indispensável

Publicado em: 19/04/2022

Texto: Eric Cozza

foto de um profissional agachado e mexendo em varios fios eletricos que saem da parede
Antes de tomar a decisão pela troca de condutores elétricos, é importante solicitar a avaliação de um engenheiro eletricista, um tecnólogo em eletricidade ou um técnico eletrotécnico. (Foto: Shutterstock)

Há, pelo menos, dois riscos quando se decide trocar a fiação elétrica de uma edificação sem a indicação de um profissional habilitado: a instalação pode ficar pior do que já estava ou, ainda, pode-se desperdiçar dinheiro ao substituir os condutores sem necessidade.

O alerta é do engenheiro eletricista com pós-graduação em engenharia elétrica e eletrotécnica, Paulo Barreto, convidado do podcast “AEC Responde.” Diretor técnico e sócio da Barreto Engenharia, atua no ensino, projeto, execução, manutenção, inspeção e perícia em instalações elétricas.

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Os fabricantes costumam estimar a vida útil da fiação entre 20 a 25 anos, mas há condutores em perfeito estado com até 50 anos de uso. Por isso, o ideal é contratar um especialista para realizar inspeções periódicas nas instalações elétricas: a cada cinco anos em edificações residenciais e três anos nas comerciais. Confira a íntegra da entrevista com Barreto.

AEC Responde – Quando devemos fazer a troca da fiação elétrica e quais são os principais cuidados nesse sentido?

Paulo Barreto – Antes de sair trocando condutores elétricos, é importante solicitar a avaliação de um profissional legalmente habilitado como, por exemplo, um engenheiro eletricista, um tecnólogo em eletricidade ou técnico eletrotécnico. É preciso tomar muito cuidado com isso, pois a emenda pode ficar pior do que o soneto, ou seja, ao se tomar a decisão de trocar a fiação, a instalação pode ficar pior do que já estava. Ou, ainda, pode-se jogar dinheiro fora ao trocar uma fiação sem efetiva necessidade.

A preocupação deve ser em contratar um especialista para realizar inspeções periódicas nas instalações elétricas. (...) Contratar esse tipo de inspeção, pelo menos, a cada cinco anos em edificações residenciais e três anos nas comerciais
Eng. Paulo Barreto, engenheiro eletricista, diretor técnico e sócio da Barreto Engenharia

AEC Responde – Os condutores elétricos, incluindo aí os fios e cabos, têm uma vida útil estabelecida?

Barreto – É muito boa a pergunta. A vida útil de um condutor elétrico é bastante longa. Dependendo do regime de carregamento do condutor, pode durar décadas: 30, 40, 50 anos ou mais. Eu já atendi um caso de uma obra entregue em 1968 com cabos em ótimas condições. Como parâmetro, que costuma ser divulgado pelos fabricantes, a vida útil está estimada entre 20 a 25 anos. No entanto, esse dado só é válido se o condutor ficar permanentemente carregado, no valor máximo de sua capacidade de condução de corrente durante 24 horas por dia, todos os dias. E no cotidiano isso raramente acontece. Como mencionei, temos vários exemplos de condutores instalados há várias décadas em ótimas condições.

AEC Responde – Fuga de corrente, queda constante do disjuntor ou curto-circuito são indicativos de que chegou a hora de promover a troca da fiação? 

Barreto – Não necessariamente. O que eu poderia ilustrar aqui para os colegas são os principais sintomas e manifestações patológicas que podem ser identificadas, de maneira simples, apenas observando a isolação dos condutores. Quais seriam esses sintomas? Bolhas, perfurações, descoloração, enrijecimento da isolação, que ficou muito dura, trincas ou esfarelamento. Esses são os principais sintomas que vão indicar a substituição do condutor.

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AEC Responde – No caso de edifícios e condomínios, quais devem ser as preocupações do síndico ou administrador predial, que nem sempre possuem formação técnica, em relação à fiação elétrica?

Barreto – A preocupação deve ser, antes de mais nada, em contratar um especialista para realizar inspeções periódicas nas instalações elétricas. Não tomar a decisão de simplesmente ouvir o eletricista ou achar que um condutor está esquisito e pedir para trocar. Faça isso mediante uma inspeção periódica realizada por especialista. O que eu posso orientar? Deixando claro que isso não é um número previsto em norma técnica, mas uma prática: contratar esse tipo de inspeção, pelo menos, a cada cinco anos em edificações residenciais e três anos nas edificações comerciais. Os resultados são surpreendentes pois, em uma inspeção especializada, identificam-se anomalias que normalmente não são percebidas em inspeções comuns. Alguém pode perguntar: poxa, mas eu vou ter que gastar, pagar alguém somente para dizer o que eu tenho que fazer? Garanto que pagar vai ser mais econômico do que, simplesmente, tomar uma decisão por impulso ou achismo.

AEC Responde – Ao promover essa troca – supondo que foi constatada a necessidade por um profissional especializado – como é possível prever eventuais mudanças tecnológicas, ou aumento de consumo com novos eletrodomésticos ou outras necessidades de energia? Como tentar antecipar o que vai acontecer no futuro, para não correr o risco de investir em uma nova instalação que ficará obsoleta rapidamente? 

Esse aí é o Ovo de Colombo. É difícil adivinhar o futuro em termos de utilização elétrica, mas se for contratado um bom projeto, de um profissional com experiência, esse projeto poderá ter mecanismos de defesa para parte dessa evolução tecnológica. Recomendo apenas não contratar projeto por preço. Existe muito por aí essa busca pelo mais barato. Tenho que escolher por competência, pois o projeto é a parte mais barata de uma obra – eu costumo dizer que é verba de canteiro. É sabido que quem procura preço abre mão da qualidade. Então, ao se contratar um profissional com conhecimento técnico, científico e bagagem, é possível inserir mecanismos de defesa contra algumas evoluções tecnológicas. Não conseguimos prever o que vai acontecer em termos de instalações elétricas daqui a cinco anos, mas a pergunta é providencial e o mecanismo é o projeto. Não consigo enxergar outro.

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Colaboração técnica

Paulo Barreto – Engenheiro eletricista com pós-graduação em engenharia elétrica e eletrotécnica, é diretor técnico e sócio da Barreto Engenharia, empresa especializada em inspeção, perícia, consultoria, assessoria técnica, análise de projetos e avaliação da conformidade em instalações elétricas. Professor convidado em cursos de pós-graduação (FACENS, INBEC e Universidade Mackenzie), é instrutor dos cursos de “Conformidade das instalações elétricas de baixa tensão – Partes Teórica e Prática” e de “Projeto de instalações elétricas de baixa tensão”.